Coluna 1

sábado, 31 de maio de 2014

Tabagismo mata cinco milhões de pessoas

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que a cada dia 100 mil crianças tornam-se fumantes em todo o mundo. 

Ainda de acordo com a OMS, aproximadamente cinco milhões de pessoas morrem, por ano, vítimas do uso do tabaco.

Um único cigarro pode concentrar mais de 4,7 mil substâncias tóxicas. Hoje é realizado o Dia Mundial Sem Tabaco. 

Para quem precisou largar o vício depois de conhecer suas consequências, o momento é de relatar experiências para evitar histórias parecidas. A corretora de seguros Sivanilda Cardoso, 56 anos, hoje diz com orgulho: “Nunca mais vou fumar na minha vida”. Ela colocou o primeiro cigarro na boca aos 13 anos e confessa que era escrava do tabaco. 

“Eu não conseguia lavar louça se não tivesse sentindo pelo menos a fumaça de um cigarro queimando perto de mim. Cheguei a ir comprar cigarro debaixo de temporal”, comenta. Em outubro do ano passado, Sivanilda foi diagnosticada com câncer de pulmão.

Hoje ex-fumante, Sivanilda classifica como “burrice” o fato de ter sido dependente por tantos anos. “Fumar é uma perda de tempo, de saúde e de dinheiro. Não espere adoecer para parar de fumar. Eu tive a sorte de fazer meu tratamento na rede particular, mas fico imaginando o sofrimento que deve ser se tratar na rede pública. Se a pessoa não parar através da força de vontade, infelizmente vai parar pela dor”, alerta. 

O advogado Ricardo Pavão, 36, descobriu que tinha câncer de pulmão há três anos. Fumante desde os 16, ele não esperava que uma simples dor de cabeça e falta de ar fossem relevar um problema tão sério. 

“Eu comecei a fumar muito cedo e a cultura era outra. Nós fumávamos em restaurantes, locais públicos, sem problemas. Na época, até as propagandas de cigarro eram permitidas. A mentalidade era diferente. Lembro que eu fumava em ônibus e acho que foram nos coletivos as primeiras proibições”, relembra.

Para o advogado, com o acesso à informação e as campanhas de saúde, não há justificativa para não parar de fumar. “Eu mesmo tenho amigos que conhecem meu problema e nem por isso pararam de fumar. 

As pessoas fumam pela própria vontade, não por ignorância. É uma questão de avaliar aquilo que se quer fazer e medir a consequência dos atos. É necessário estar disposto a colher aquilo que se planta”, conclui.

Segundo a oncologista Gracilene Souza, médica do Centro de Tratamento Oncológico e do Hospital Ophir Loyola, 90% dos casos de câncer no pulmão estão associados ao tabagismo. “É um câncer altamente letal. Além dele, outros tipos de câncer, como de boca, laringe, esôfago e do colo de útero também estão associados ao tabagismo”, explica. 

A oncologista fala que outras doenças, como enfisemas pulmonares, bronquite crônica e Acidente Vascular Cerebral (AVC) também podem vitimar quem faz uso contínuo do tabaco.
Segundo Gracilene Souza, a nicotina é a substância responsável por levar o fumante à dependência. 

A oncologista alerta que, em mulheres grávidas, as consequências do fumo podem ser irreversíveis para o desenvolvimento do feto. “A criança pode ter más formações neurológicas e se tornar dependente química por estar em contato com as substâncias do cigarro por um período considerável”, diz.

CAMPANHAS
Gracilene Souza fala ainda que as campanhas do governo federal, como o impacto visual causado pelas imagens que retratam os malefícios do cigarro nos versos das carteiras, têm surtido efeito. 

“O objetivo não é fazer as pessoas pararem de fumar, mas diminuir o consumo. O tabagismo é uma epidemia e a rede pública já oferece tratamento gratuito em alguns postos de saúde. 

Hoje, há um esforço da Organização Panamericana de Saúde, da qual o Brasil faz parte, para aumentar os impostos incidentes sobre o cigarro. A expectativa é aumentar o preço e reduzir o consumo em até 50%”, completa.
(Diário do Pará)

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