Coluna 1

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Exploração infantil em rio amazônico

Uma rotina pouco conhecida nos rios da Amazônia tem envolvido crianças e adolescentes, que arriscam suas vidas em busca de alimentos, roupas, dinheiro e variados objetos para somar na renda de suas famílias.

Nos últimos anos, ganha força na região a exploração de mão de obra infantil para o pedido de esmolas. Um perigo evidente de Famílias que arriscam vidas em troca de migalhas
Os pequenos ribeirinhos são vistos se equilibrando sobre rabetas para receber donativos de turistas que navegam próximo das comunidades, geralmente isoladas, durante expedições turísticas e passeios fluviais.

Os principais incentivadores desta prática são os próprios pais: nos finais de semana, os ribeirinhos deixam suas comunidades e cercam as grandes embarcações como piratas, com os filhos nos braços.

Além do risco de sofrerem insolação, essas crianças e adolescentes são obrigadas a seguir nesta aventura que a qualquer momento pode virar tragédia.

A dona de casa Rosilene Cardoso Alves, 24 anos, é casada e mãe de três filhos. Ela é moradora da comunidade Vila, às margens do rio Arapiranga, município de Barcarena. Lá não existe água encanada nem energia elétrica, sendo a pesca e a agricultura familiar as principais fontes de renda dos habitantes.

A prática de pedir esmolas, segundo Rosilene, ajuda a somar a renda do marido - que é pescador - e dos R$ 298,00 mensais do programa Bolsa Família. Sem remorso, diz que leva os três filhos para sensibilizar quem passa e conseguir as esmolas.

"Eu só tenho essa atividade, não faça nada", afirma Rosilene. "No inverno a nossa situação fica difícil e melhora apenas no mês de agosto, época de açaí e camarão. Os meus filhos têm sete, quatro e um ano de idade, e todos vem comigo pedir esmola."

Em relação aos perigos, a dona de casa reconhece. "Eu tenho medo, sim. Existe o risco da rabeta afundar e eu não conseguir salvar os meus três filhos, mas o que eu posso fazer?."

Os riscos são evidentes e mais comuns do que se pensa. Moradora da comunidade e também dona de casa, Valéria Ferreira Monteiro, 29 anos, sofreu um acidente há dois anos, quando caiu da canoa. Um susto que deixou sequelas.

"Minha família e eu atravessávamos o rio quando cortaram a frente da canoa. Fiquei alguns minutos embaixo da água, machucada e sem poder respirar", relembra com angústia. "A qualquer momento uma criança pode cair e acidentes como aquele acontecerem de novo. Até hoje sinto dores e dificuldades para andar."

As imagens chegaram ao conhecimento do Conselho Tutelar. O conselheiro Benilson Silva também externou a preocupação com os riscos que as crianças estão expostas. Na entrevista apontou ainda os pontos que infringem as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Nenhum comentário:

Postar um comentário