Coluna 1

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Belém terá um milhão de veículos em 2021, aponta Detran-PA

A Região Metropolitana de Belém terá 1.217.958 veículos em circulação, até 2021, e sua frota deve chegar a 722.797 em menos de três anos, segundo estudos de projeção divulgados pelo Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran-PA). Hoje, há cerca de 25 carros para cada 100 belenenses. 

No final de junho deste ano, a frota registrada pelo Detran se aproximava de 500 mil veículos, 384.754 dos quais circulando na capital. Em 2016, a quantidade de carros só em Belém deve chegar a 513.392, número que em 2021 deve subir para 826.823.

Se os engarrafamentos já são insuportáveis, com mais 100 mil automóveis a cidade poderá travar em diversos pontos. A velocidade média atual é de 40 km/h, mas poderá cair para 20 km/h. As motocicletas, justamente o veículo com maior índice de acidentes, serão pelo menos 68,46% da frota. A conclusão óbvia é que em todo o Brasil, graças ao transporte público ineficiente, a frota de veículos particulares cresceu. E, junto com ela, a poluição e calor. 

Caso não sejam tomadas medidas preventivas, como os dados do Detran-PA preveem, os engarrafamentos serão mais demorados e mais comuns, com mais atrasos no trabalho e enfraquecimento da economia. 

Para não perder os compromissos, será necessário sair cada vez mais cedo de casa e, na hora de retornar, o tempo também será maior, sobrando menos tempo para lazer, descanso e socialização. Em suma: queda na qualidade de vida.

Por causa do aumento de estresse, cansaço, impaciência e intolerância - o trânsito, em estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), será a terceira maior causa de doenças neurológicas ou cardiovasculares e mortes daí advindas, já em 2030. 

Para quem dirige, essas condições psicológicas são perigosas, pois a atividade exige 100% de alerta e concentração. Trânsito lento também aumenta o gasto de combustível, a poluição sonora e atmosférica e a temperatura do ambiente.

Os veículos, enquanto ligados, geram monóxido de carbono, dióxido de carbono, gás nitrogênio, vapor de água (calor direto), hidrocarbonetos, óxido de hidrogênio e fuligem (o pior de todos, emitido por veículos antigos e com manutenção precária), explica o analista ambiental Carlos Adriano Ferreira, chefe da Fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). “O monóxido reduz a oxigenação do sangue. 

O óxido de nidrogênio, o gás nitrogênio e os.hidrocarbonetos formam nuvens espessas no ar. A fuligem é aquela fumaça preta, que causa mal-estar, dor de cabeça, irritação dos olhos e de cuja longa exposição resultam asma, bronquite e até câncer de pulmão. Mesmo que não se veja, o veículo pode estar emitindo fumaça em pequenas quantidades. 

Ela contribui para o aquecimento global por provocar o efeito estufa. O transporte coletivo seria a melhor solução para isso, mas um de qualidade no qual as pessoas confiem pelo preço, horários e conforto para deixar o carro em casa”, analisa.

Entre os poluentes emitidos - pelo menos 50 substâncias nocivas, que matam 10 mil brasileiros por ano, como mostra estudo do Instito de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) - alguns são responsáveis pelo efeito estufa e outros nocivos ao organismo humano. 

A OMS indica que 88% dos habitantes do planeta estão expostos à poluição do ar, em níveis acima dos aceitos - causa da morte de 3,7 milhões de pessoas com menos de 60 anos em 2012 -, e o uso de veículos motorizados é um dos fatores que contribui para isso. (O Liberal)

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