Coluna 1

sábado, 20 de setembro de 2014

Mortes em acidentes com motociclistas sobem 207%

O número de mortes em acidentes com motocicletas, no Pará, aumentou 207% entre 2004 e 2012, pulando de 168 óbitos para 512. O número de acidentes no Estado também deu um salto no período: 586%, passando de 1.779 ocorrências para 12.213. 

Os dados são do último comparativo do Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran-PA), que não estima a possibilidade de redução dessas estatísticas, principalmente com a evolução da frota paraense de motos, que aumentou 510%, saindo de 120.091 em 2004 para 732.718 em 2012.

As soluções apontadas pelo órgão e por condutores de motos são campanhas educativas mais eficientes e fiscalização com foco educativo (mas também rigorosa). As causas apontadas pela autarquia para tantos acidentes são a formação inadequada, fiscalização insuficiente, facilidade exagerada de compra do veículo e falta de consciência de quem dirige motos.

As motocicletas também continuam na liderança das estatísticas do Seguro DPVAT. Os acidentes envolvendo o veículo de duas rodas representaram 75% de todas as indenizações pagas pela Seguradora Líder-DPVAT no semestre: 256.387. 

A alta incidência de acidentes nesta categoria contrasta com sua proporção na frota nacional, equivalendo a 27% do total de veículos. Os automóveis, que somam aproximadamente 60% da frota, foram responsáveis por 23% dos benefícios pagos (67.906). No Norte, 57% das mortes no trânsito envolvem motocicletas e as regiões Norte e Nordeste são as únicas do Brasil em que a frota de motos supera a de carros.

Para o coordenador de Planejamento do Detran-PA, Carlos Valente, o número de mortos em acidentes com motocicletas é preocupante. O número de feridos, no entanto, que é muito superior, lota os hospitais e prontos-socorros, causando uma sobrecarga na saúde pública. 

A relação é lógica: os leitos ocupados por condutores e passageiros de motos poderiam ser usados para tratar outros pacientes. Os traumas causados por acidentes com motocicletas exigem investimentos cada vez mais altos no tratamento, com cirurgias, medicamentos, curativos e alimentação e com previdência. 

Em alguns casos, o tempo de reabilitação de um acidentado de moto chega a dois anos. Ele acrescenta que nos últimos quatro anos, a  gravidade dos acidentes também aumentou. Ainda assim, os condutores parecem não perceber a vulnerabilidade do veículo.

“Precisamos começar mudando nossa formação e avaliação. As várias mortes e imprudências cometidas por motociclistas partem desses meios ineficientes de avaliar e preparar condutores, não tão diferentes de ensinar a andar de bicicleta.

 Por isso vários menores dirigem moto no interior do Estado, como se fosse exatamente uma bicicleta motorizada. É essa falta de noção de trânsito, na prática mesmo, que faz com que ocorram acidentes graves com motociclistas”, critica Valente, lembrando o caso de um motociclista que colidiu com um ônibus, no dia 5 de agosto passado, foi arrastado e morreu na hora.

O condutor avançou o sinal vermelho e foi atingido na direção da pista expressa de ônibus da avenida Almirante Barroso, no cruzamento com a travessa Lomas Valentinas. 

Valente considera impossível entender o que levou o motociclista a avançar o sinal vermelho de um dos cruzamentos mais movimentados de Belém, com uma pista expressa e naquele horário de pico. “Foi um erro grave de julgamento, de quem não tem a formação adequada e noção de trânsito”, criticou.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2011 houve 155.656 internações por acidentes de trânsito, com custo de R$ 205 milhões. Desse total, 77.113 foram em consequência de acidentes de moto, totalizando um gasto de R$ 96 milhões. 

Após divulgar os dados da evolução dos acidentes de moto no Brasil, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) planeja tornar obrigatório simuladores para os cursos de formação de motociclistas, como já é realidade em alguns cursos para carro, ônibus e caminhão. A meta é implantar essa medida até 2015. 

Na Câmara dos Deputados e no Senado Federal há vários projetos para reverter a situação, como restrição de circulação em determinadas áreas (uma proposta semelhante foi vetada em 1997); freios ABS e airbags para motos de fábrica; e aumento da fiscalização. (O Liberal)

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