Coluna 1

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Nova alta da energia elétrica muda hábitos no Pará

Reduzir o consumo de energia elétrica é a palavra de ordem nos lares das famílias paraenses. Mesmo sem ter digerido o aumento superior a 34% estabelecido este ano pelo governo federal, a população do Estado precisará se acostumar a um novo reajuste, conforme divulgado na semana passada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com a criação da tarifa em regime sazonal de bandeiras. 

A partir de 1º de janeiro, o governo vai adotar a bandeira tarifária vermelha, ou seja, a cada 100kw/h de consumo, a fatura aumenta R$ 3. A medida tem deixado o consumidor, além de contrariado, bastante preocupado, a ponto de já especular a adoção de iniciativas radicais.

A redução do número de aparelhos televisores, a substituição do sistema de iluminação e a desinstalação de tomadas em casa são algumas delas. Conforme avaliam os economistas especialistas em finanças pessoais, o planejamento familiar precisa entrar em ação. 

Para a servidora pública Elizangela Alves, de 35 anos, o reajuste reflete diretamente no orçamento da família. “Não tivemos um aumento no salário de 34% este ano, e tampouco vamos ganhar R$ 3 a mais em nossos vencimentos a cada métrica diária de produtividade cumprida. 

Além disso, este aumento é completamente injustificável, dada a péssima qualidade do serviço que nos é prestado. Falta energia todos os dias em minha casa. Não é algo que acontece uma vez ou outra. T

odo dia tem queda de energia”, reclama. Para conter o aumento, Elizangela está retirando o televisor do quarto do filho de quinze anos, e desinstalando tomadas que ela julga ser sobressalentes. “Já troquei as lâmpadas, de fluorescente por incandescentes, mas devo ampliar o tamanho da janela, para melhorar a iluminação natural durante o dia”, avisa. 

Já o empresário Antônio Correa, de 30 anos, diz que em seu ambiente de trabalho será lançada uma campanha para redução de consumo, envolvendo todo o corpo laboral da sua empresa. 

“Essa é uma luta de todos, sendo que tudo aquilo que for ensinado aqui, eles poderão praticar na casa deles”, afirma. Segundo Correa, o primeiro passo é evitar o chamado stand by dos aparelhos eletrônicos. “Na saída para o almoço, eles costumam deixar o monitor ligado. A regra, a partir de agora, é desligar tudo, seja computador, seja monitor, seja caixa de som, enfim. 

O ar condicionado também é algo que precisará ser usado de forma consciente”, pontua. Antônio diz que as medidas cautelares podem evitar um colapso financeiro no futuro. “Fizemos vários cortes, mas só vamos sentir o efeito daqui a três meses. Até lá, desperdício é pecado aqui na empresa”, avisa.  

Segundo o economista Nélio Bordalo, membro do Conselho Regional de Economia do Estado do Pará (Corecon-PA), o primeiro passo é envolver toda a família, começando uma grande campanha contra o desperdícios dentro de casa. 

“Hoje, os adolescentes são os que mais usam energia elétrica, dada a ligação deles com a tecnologia. Computador, tablet, celulares, TV a cabo, e muitas outras coisas fazem parte da rotina dessa turma, que, se somados, correspondem a boa parte do total da conta”, afirma. 

Ele diz ainda que, sem a conscientização e a participação de todos, ficará impossível reduzir os impactos. “São medidas simples que, se somadas, resultam em grande economia”, aponta.  (O Liberal)

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