Coluna 1

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Projeto Minha Casa Minha Vida continua um elefante branco jogando dejetos no lago do Juá

A indignação da sociedade e as inúmeras manifestações contra o desastre ambiental que despejou uma grande quantidade de lama no lago do Juá, durante as chuvas do inverno passado, não foram suficientes para evitar uma nova enxurrada saída da área do projeto Minha Casa Minha Vida, na margem esquerda da rodovia Fernando Guilhon, em direção àquele manancial, logo nas primeiras chuvas do período invernoso deste ano. 
 A explicação é simples: a empreiteira Em Casa LTDA, responsável pelo empreendimento, não conseguiu executar quase nada do que foi determinado pela Secretaria de Meio Ambiente de Santarém (SEMMA). Das inúmeras recomendações feitas durante vistoria realizada em junho do ano passado, a empresa conseguiu cumprir apenas a primeira que era a execução de um projeto de drenagem profunda. 

Mesmo assim, nas primeiras chuvas, já se constatou obstrução das tubulações. As medidas mitigadoras exigidas pela SEMMA incluíam ainda a execução do projeto de esgotamento sanitário, abastecimento de água e a arborização da área manejada para a construção das casas.

Após vistoria realizada na última terça-feira, os fiscais da SEMMA constataram que a drenagem profunda foi realizada, mas precisa ser feito o trabalho de manutenção urgente para evitar um maior impacto, principalmente como o que ocorreu no ano passado no Lago do Juá. O secretário Podalyro Neto disse que não vai emitir a Licença de Operação (LO) sem o cumprimento das medidas de drenagem profunda, abastecimento de água, esgotamento sanitário e arborização.

De acordo com o secretário, será solicitado da empresa um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) de contenção na saída da água e a implantação do projeto de arborização. “Vamos notificar a empresa para fazer um processo de barreira para diminuir a velocidade da água e evitar que todo material seja carreado para dentro do manancial”, disse Podalyro.

A construção do condomínio habitacional do Projeto Minha Casa, Minha Vida, localizado no bairro Alvorada começou ainda no primeiro governo da ex-prefeita Maria do Carmo, quando o terreno foi todo desmatado. Somente no segundo ano de mandato do atual prefeito Alexandre Von, o governo municipal resolveu assumir o verdadeiro elefante branco deixado pela administração anterior. Isso depois que uma enxurrada carreou grande quantidade de sedimentos para o lago do Juá, localizado 1000 metros abaixo do projeto, o que gerou inúmeros protestos da população.

O que mais chama atenção é que, mesmo com todos esses anos sendo construído, o empreendimento não tinha sequer o projeto de esgotamento sanitário e de abastecimento de água. Mas, quem passa pela rodovia Fernando Guilhon observa os aquecedores solares instalados no telhado das casinhas, instrumento totalmente desnecessário diante do clima quente da Região Norte, o que contrasta com as falhas na infraestrutura. (Com informações da Ascom/SEMMA) (Portal Muiraquitã)

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