Coluna 1

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Justiça determina soltura de cunhada de ex-tesoureiro do PT

A Justiça Federal revogou a prorrogação da prisão temporária de Marice Corrêa de Lima, que está presa na sede da Polícia Federal (PF), em Curitiba. No despacho, publicado nesta quinta-feira (23), o juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância, determinou a soltura imediata da investigada, que é cunhada do tesoureiro afastado do PT, João Vaccari Neto. Vaccari também está preso na carceragem da PF.

O juiz Sérgio Moro afirmou ainda que tem reservado a medida mais drástica, ou seja, a prisão preventiva, apenas aos principais responsáveis pelos esquemas criminosos. Desta forma, diante da suspeita de que Vaccari tenha maior responsabilidade sobre os atos ilícitos, Moro considerou que “não se justificaria a continuidade da prisão preventiva dela, quer preventiva, quer temporária”.

Segundo os procuradores do MPF, Marice ajudou o cunhado a receber valores ilegais da construtora OAS. Além disso, ela seria responsável por depósitos bancários que configurariam lavagem de dinheiro. As supostas irregularidades são apuradas pela Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras e outros órgãos públicos.

Marice está presa temporariamente na carceragem da PF em Curitiba desde sexta-feira (17). O prazo da prisão venceria na terça (21), mas foi prorrogado por mais cinco dias pelo juiz Sergio Moro. Desta forma, o juiz ficou de decidir sobre o prosseguimento, ou não da prisão dela.

"A posição deste Juízo tem sido no sentido de evitar a prodigalização da prisão preventiva, reservando a medida mais drástica, a bem da liberdade e da presunção de inocência, aos principais responsáveis pelos esquemas criminosos", diz trecho do despacho.
Moro citou também que havia solicitado a prorrogação da prisão temporária de Marice de Lima com base nas imagens que mostram uma mulher em uma agência realizando depósitos bancários.

Marice negou ser a mulher que aparece nas imagens, e a irmã dela, Giselda Rousie de Lima, esposa de João Vaccari, se identificou como a autora dos depósitos.
"Neste momento processual, porém, não tem mais este Juízo certeza da correção da premissa utilizada, de que ela seria a responsável pelos referidos depósitos, em vista da constatação posterior da semelhança física entre Marice e Giselda e da admissão por esta última de que seria a responsável pelos depósitos. 

Também não há mais certeza de que Marice teria então faltado com a verdade em seu depoimento no inquérito quanto a não ser a responsável pelos depósitos".

O advogado que representa Marice, Claudio Pimentel, disse ao G1 que a decisão de Sérgio Moro foi “sensata e inatacável”. Ele disse ainda que está em São Paulo e que deve chegar a Curitiba por volta das 17h. “Assim que eu chegar, trarei ela novamente para São Paulo”.
Confronto de imagens

Conforme o Ministério Público Federal (MPF), Giselda Rousie de Lima, esposa de Vaccari, recebeu cerca de R$ 323 mil, em depósitos fracionados. Esses depósitos foram feitos, em alguns casos, em caixas eletrônicos.

Imagens obtidas pelos investigadores levantaram a suspeita de que foi Marice quem depositou esses valores para Giselda, irmã dela. Dois desses depósitos, segundo a investigação, foram feitos em 2015.

Após um pedido de esclarecimento feito pelo juiz Sergio Moro, o MPF protocolou uma petição no processo em que informava que a Polícia Federal faria uma "perícia audiovisual" nos vídeos e imagens para identificar a pessoa.

Conforme os procuradores, mesmo que os trabalhos apontassem que, de fato, se trata de Giselda, e não Marice, existiam outros indícios que sustentariam a conversão da prisão dela em preventiva.

Ontem quarta-feira (22), Giselda Rousie de Lima, informou à Justiça Federal que é ela quem aparece nas imagens obtidas pelo MPF realizando depósitos na própria conta bancária.
De acordo com Moro, há a informação de o laudo pericial das imagens irá demorar para ficar pronto. Desta forma, ele availou que enquanto a questão não é esclarecida, a necessário indeferir o pedido de prisão preventiva e revogar a temporária. (G1 Paraná)

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