Coluna 1

sexta-feira, 10 de abril de 2015

PF prende 3 ex-deputados em nova fase da Lava-Jato

André Vargas teria recebido R$ 50 milhões da Caixa. Operação também investiga contratos do Ministério da Saúde. A Operação Lava-Jato abriu uma nova frente de investigação e chegou ao Ministério da Saúde e à Caixa Econômica Federal. 

Nesta sexta-feira, a Polícia Federal desarticulou esquema que desviava dinheiro de contratos de agência de publicidade na 11ª fase da operação, batizada de “A Origem”.

Ricardo Hoffman, ex-diretor da agência Borghi/Lowe, em Brasília, é suspeito de repassar comissões ao ex-petista e ex-deputado cassado André Vargas, em esquema semelhante ao operado pelo publicitário Marcos Valério durante mensalão. Vargas teria recebido ainda R$ 50 milhões da Caixa através de uma empresa de publicidade operada por seu irmão.
Além de Vargas, foram presos preventivamente mais dois ex-deputados: 

Luiz Argôlo (SD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE), que cumpre regime semiaberto após ter sido condenado no processo do mensalão. Foram detidos provisoriamente: a secretária de Argôlo, Hélia Santos da Hora, Ivan Mernon da Silva Torres, Leon Vargas (irmão de André Vargas) e Ricardo Hoffman, diretor de uma agência de publicidade.

Segundo o delegado da Polícia Federal (PF), Igor Romário de Paula, André Vargas, por influência do cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados, conseguiu para a Borghi contratos com o banco e a pasta. De acordo com os investigadores, o gerente de marketing da Caixa, Clauir dos Santos, que cuidava da verba de publicidade da instituição, chegou ao cargo por indicação política de André Vargas.

Ricardo Hoffman, que dirigia o escritório da Borghi/Lowe em Brasília, subcontratava outras empresas para prestar serviço. Através delas, eram repassados bônus de volume — como são chamadas as comissões pagas no mercado publicitário — a duas empresas ligadas direta e indiretamente a Vargas e a seu irmão, Leon Vargas: LSI Solução em Serviços Empresariais Ltda e a Limiar Consultoria e Assessoria em Comunicação Ltda.

— A praxe do mercado é a devolução dos 10% de bônus para a empresa que fez as subcontratações. Neste caso, o pagamento pela influência de Vargas na escolha da Borghi era que os 10% fossem pagos para as empresas de fachada dos irmãos Vargas. O bônus não voltava para Borghi, ia para as empresas do André e do Leon - detalha o delegado.

Caixa diz que vai investigar caso

De acordo com a Receita Federal, as produtoras Conspiração Filmes, E-noise, Luis Portela, Sagaz e Zulu Filmes repassaram recursos aos irmãos Vargas através da LSI e Limiar. Os investigadores querem saber o motivo das transações. 

Para isso, o juiz federal Sérgio Moro decretou a quebra dos sigilos fiscais e bancários das produtoras. As empresas, embora tenham contabilizado os pagamentos, negaram à fiscalização da Receita Federal a ocorrência de qualquer prestação de serviço por parte das duas empresas de fachada.

Em explicações encaminhadas ao Ministério Público Federal, as produtoras disseram que não mantiveram relações diretas com as empresas Limiar e LSI. As empresas juntaram documentos sobre os trabalhos realizados, como trilhas sonoras, jingles e filmes para a Caixa Econômica Federal. Para Moro, as empresas devem continuar sendo investigadas, mas ele ressalta que, a princípio, não “vislumbra” indícios da participação das cinco.

Em nota, a Caixa disse que “abrirá apuração interna para averiguar os fatos revelados hoje pela Polícia Federal. O banco diz ainda que “colaborará integralmente com as investigações e informa que encaminhará imediatamente todos os contratos relacionados às empresas citadas à Controladoria Geral da União, Polícia Federal e Ministério Público”.

PF apreende documentos em agência

 A Polícia Federal apreendeu na agência de publicidade Borghi/Lowe, documentos relacionados às faturas de contratos com o Ministério da Saúde e a Caixa Econômica Federal. Há faturas também envolvendo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). 

Além dessa busca e apreensão, a PF cumpriu três mandados de condução coercitiva e uma de prisão temporária, em Brasília. Não houve busca e apreensão no ministério, na Caixa e nem na Apex. As três pessoas levadas à superintendência da PF, e que prestam depoimento neste momento, também não tem relação com esses órgãos públicos.

A agência Borghi/Lowe já recebeu do Ministério da Saúde, desde 2011, R$ 112,5 milhões. O maior valor pago num ano - R$ 32,1 milhões - foi em 2012. Neste ano, quando a agência já era investigada pela Polícia Federal, a Borghi recebeu R$ 1,25 milhão. A agência faz campanhas publicitárias para o Ministério da Saúde, como o da prevenção de hepatite e vacinação de poliomielite.

Vargas comandava empresa de fachada quando deputado

O ex-deputado compôs o quadro social da Limiar com seu irmão Leon Vargas de 2009 a 2012, quando ele ainda era deputado. Os investigadores afirmam que a empresa era de fachada com um único empregado registrado entre 2011 e 2012. Já o quadro social da LSI era composto por Leon e Milton Vargas, outro irmão do ex-deputado cassado. A empresa não teve um único funcionário registrado. Segundo Moro, a Borghi/Lowe pagou propinas "sem causa lícita" a André Vargas e aos irmãos por meio de “estratagema fraudulento". (O Globo)

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