terça-feira, 15 de setembro de 2015

Suspensão de concursos "corta projetos e sonhos"

Concurseiros e especialistas em concursos públicos no Pará (como professores de cursinhos preparatórios) se dividem entre o pessimismo e a tentativa de manter as expectativas sobre o cenário dos certames após o anúncio das medidas de cortes de gastos divulgadas ontem segunda-feira (14) pelo Governo Federal.
Em comum, os otimistas e os pessimistas dividem a opinião de que algumas das melhores oportunidades do funcionalismo público foram engavetadas com a política de austeridade.
A expectativa é que seleções aguardadas como a do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e a da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), além de diversas outras dos três poderes, sejam afetadas com os cortes orçamentários.

CONCURSEIROS SEM CHÃO
"Com essa política, o governo está cortando projetos e sonhos. A sensação ontem (14) no cursinho era de que estava todo mundo assustado e decepcionado. A sensação é de ficar sem chão", afirma Diogo Sampaio, paraense que largou o emprego para se dedicar aos concursos públicos, especialmente as seleções de bancos como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Diogo trabalhou durante 14 anos na iniciativa privada, mas, há um ano, resolveu abrir mão do trabalho para focar na aprovação em um certame público. "Eu ganhava relativamente bem dentro do mercado privado, mas tomei a decisão de fazer parte do funcionalismo público, onde os salários são realmente melhores. Existem normas que garantem pisos salariais que não existe no mercado privado", explica o estudante.

"Quando escolhemos essa vida de estudos, são gastos atrás de gastos. Nós abdicamos de ter uma vida normal. Não temos vida social. O nosso único objetivo vira estudar. Criamos expectativas, acompanhamos os trâmites, tudo para uma perspectiva de mudança de vida. 

Uma política de austeridade dessa corta projetos e sonhos", desabafa Diogo.
Na opinião do concurseiro, os cortes governamentais podem afetar indiretamente os concursos estaduais e municipais também, já que, mesmo que indiretamente, "o governo federal dá uma tendência para as outras esferas. As administrações podem pensar: 'por que eu tenho que manter os concursos, estando também em uma situação de aperto, já que o governo federal está realizando essas cortes'", pondera o estudante.

PROFESSOR CONFIA EM CONCURSOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS
Para o professor Rômulo Trindade, professor de conhecimentos bancários de um cursinho preparatório de Belém, a principal dica para os alunos é focar nos concursos estaduais e municipais.

"Desde o início do ano, nós [cursinhos] já estávamos focando na preparação para concursos do Estado e dos municípios. Lógico que perdemos concursos importantes, como o da Abin, que são alguns dos mais esperados pelos estudantes", afirma Rômulo Trindade.

O professor também considera que alguns concursos de tribunais regionais (como do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região) e tribunais de contas (como o Tribunal de Contas do Estado do Pará) devem ser mantidos porque já estavam aprovados, com contratações feitas e com verbas destinadas.

Rômulo afirma que alguns certames como do Banco do Brasil e de outras sociedades de economia mista também devem ser mantidos.

Por fim, o professor dá uma dica para quem está na dúvida se continua ou dá um tempo nos estudos. "O país passa por um forte período de recessão, que acaba afetando principalmente o setor privado. 

O setor público ainda é uma das melhores opções para quem quer passar por períodos de crise com mais calma. Aconselhamos que os alunos continuem a estudar, focando, por exemplo, nos concursos estaduais e municipais. O esforço sempre é válido e recompensado", conclui.
(Hélio Granado/DOL)

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