quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Vereador e pastor é preso em Belém e PF o aponta como um dos líderes nas fraudes da pesca

A pescaria da Polícia Federal foi proveitosa, pelo menos até agora, no combate às fraudes na concessão, pelo Ministério da Pesca, do chamado seguro defeso. Durante a operação realizada hoje pela manhã, quinze pessoas foram presas. Entre os presos, pasme quem quiser, está o vereador da Câmara Municipal de Belém e pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, Raul Batista (PRB).

  Segundo a PF, Batista é apontado como um dos líderes da quadrilha. De acordo com a assessoria do vereador-pastor, um advogado que fará a defesa de Batista deslocou-se para a sede da Superintendência da Polícia Federal, em Belém, para acompanhar o depoimento dele. Os quinze presos são suspeitos de participação no esquema fraudulento. No total, foram expedidos 18 mandatos de prisão temporária e 17 de busca e apreensão.

Os mandados foram cumpridos na Grande Belém e em outras regiões do estado, incluindo localidade da ilha do Marajó. As investigações, que começaram ano passado, apontam que uma associação criminosa agia fraudando informações para conseguir seguro defeso, benefício concedido para pescadores durante o período em que a pesca fica proibida para a reprodução das espécies de pescado.

O superintendente da Polícia Federal no Estado, Ildo Gasparetoo, informou que os suspeitos devem prestar depoimento e ficar presos por cinco dias. As prisões podem ser prorrogadas de acordo com as análises das provas obtidas na operação. O blog Ver-o-Fato soube que a prisão do vereador-pastor Raul Batista caiu como uma bomba entre seus colegas na Câmara Municipal, e também entre assessores e servidores da CM.

"O pastor vinha dando pistas de que tinha algo errado, porque sempre aparecia gente aqui na Câmara falando sobre pesca e procurando o gabinete dele", declarou um servidor, que pediu para não ser identificado. O blog, por meio de seu redator, possui farto material, com nomes, telefones e ligações entre os fraudadores e políticos envolvidos com um poderoso esquema de fraudes. Que, é bom dizer, ocorre há pelo menos dez anos. 

Os denunciantes do esquema, que elaboraram um dossiê sobre as fraudes e entregaram cópia à PF  e ao blog, afirmam que no Pará mais de 150 mil cadastrados em entidades sindicais e associações nunca viram um anzol na vida e, de pesca, só conhecem o peixe, já cozido ou frito, pronto no prato.  
(Jornalista Carlos Mendes)

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