quinta-feira, 12 de novembro de 2015

13º salário deve injetar cerca de R$ 3,5 bilhões na economia paraense

O 13º salário vai injetar cerca de R$ 3,5 bilhões na economia paraense até o mês de dezembro, segundo estimativas do Dieese (Departamento de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). Até o dia 30 de novembro, quando vence o prazo para o pagamento da primeira parcela do benefício, a economia paraense deverá receber um volume extra e considerável de recursos.
A estimativa do Dieese é que os cerca R$ 3,5 bilhões de reais injetados na economia sejam correspondentes às duas parcelas do benefício. Este valor significa um crescimento de 8,38% em relação ao pago no ano passado, que ficou em cerca de R$ 3,2 bilhões. O montante de 2015 representa cerca de 2,9% do PIB estadual.

Segundo o instituto de pesquisa, com esses dados é possível obter uma aproximação razoável do rendimento mensal, bem como do contingente de pessoas que como pensionistas, trabalhadores com e sem carteira assinada – do setor público e privado – ou autônomos, que tem uma dinâmica de rendimentos que inclua algum tipo de pagamento de abono de fim de ano ou similar.

O número exato de pessoas que recebem algum tipo de abono de fim de ano é difícil de medir, bem como os valores envolvidos nesses abonos, ou quantidade de empresas que adiantam a primeira parcela do 13º salário ou no meio do ano ou mesmo por ocasião das férias dos empregados ou de qualquer outro momento definido normalmente nas negociações de empresas ou categorias, explica o economista Roberto Senna, coordenador do Dieese.

Pelo estudo deste ano, aproximadamente 2.026.039 pessoas no Pará devem ser beneficiadas pelo pagamento do 13º salário, sendo 839.912 da Previdência Social -como aposentados ou pensionistas- correspondente a 41,5% do total de beneficiados e outras 1.140.127 pessoas correspondentes a 56,3% referentes a ocupados no setor formal da economia (público e privado), contribuintes da previdência. Já os empregados domésticos com carteira assinada abrangidos pelo abono alcançam um total de 46 mil pessoas, correspondendo a 2,3% do total geral.

O número total de pessoas beneficiadas este no Pará (2.026.039) representa um crescimento de 1,11% em relação aos abrangidos pelo pagamento em 2014 (2.003.712).
Segundo o Dieese, este crescimento pequeno do número de pessoas que receberão 13º em relação ao ano passado se deve aos reflexos da crise sobre o mercado de trabalho, que trouxe um desemprego muito grande ao Pará e em todo o Brasil. Esta situação só não foi pior em função da continuidade dos investimentos em todo o Estado em 2015 que ainda garantiram a entrada de muitas pessoas nesse mercado.

O estudo mostra ainda que o total geral em termos de montante que deverá entrar na economia paraense nas duas parcelas do benefício é de R$ 3.518.060.649,48 (em 2014 o total foi de R$ 3.246.113.574,06), com um crescimento de 8,38%. 

Deste total, o montante a ser pago aos beneficiários da Previdência, soma R$ 686.618.993,11, ou seja, 41,5% dos beneficiários receberão cerca de 19,5% do total, enquanto um percentual de 56,3%, referente aos trabalhadores assalariados do setor formal devem ficar com aproximadamente 72,7% do valor a ser pago, ou seja, R$ 2.556.622.360,23. Já os empregados domésticos, que representam 2,3% do total de beneficiados, receberão R$ 39.284.000,00, equivalente a 1,1% do montante.

No Pará o valor médio a ser pago ao conjunto de trabalhadores foi estimado em R$ 1.620,17 pelo Dieese. Em termos dos proventos da Previdência, o valor médio a ser pago no Pará é de R$ 1.097,92. Dentro desta média encontra-se o pessoal do regime geral- beneficiários do INSS- que receberão em média R$ 817,49.  Já os empregados do mercado formal receberão, em média, R$ 2.242,40. Cada trabalhador doméstico com carteira assinada terá direito a um valor médio no Pará de R$ 854.

Entretanto, a exemplo do ano passado, o impacto no consumo, tanto no Pará como em todo o Brasil, não será proporcional aos montantes projetados, em função principalmente do pagamento de dívidas anteriores. 'Com a inadimplência bastante elevada, motivada principalmente pela elevada taxa de juros no crediário, cheque especial e cartões de crédito é difícil de imaginar que o consumidor queira se endividar ainda mais', ressalta Sena. 

Na avaliação do Dieese uma parcela considerável do montante que deverá entrar na economia paraense e em todo o Brasil até o dia 30 de novembro deste ano deverá ir mesmo para cobrir dívidas anteriores (pré-datados, cartões, cheque especial etc.). Outra situação também observada é que parte deste dinheiro também já foi recebida nas férias de milhares de trabalhadores, e no caso dos aposentados, mediante adiantamento da 1º parcela do 13º salário em setembro deste ano. 

‘Mesmo assim o montante que sobrará será ainda bastante volumoso, neste caso, a orientação para os trabalhadores é que se houver sobra dinheiro procurem efetuar compras à vista, apesar dos preços altos, evitando com isso o crediário ou cartão de crédito que principalmente este ano atingiram percentuais abusivos’, orienta o economista.  (ORM News)

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