sábado, 14 de novembro de 2015

93% dos brasileiros não acredita que país voltará a crescer com Dilma, revela pesquisa

O pessimismo do brasileiro com relação ao atual momento vivido pelo país e as condições de se superar a crise a curto e médio prazos cresceu vertiginosamente ao cabo de um ano. Na mesma linha que outros institutos de pesquisa de opinião têm apontado recentemente, um estudo realizado em conjunto pela Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento) e TNS Brasil em outubro mostrou que 66% dos brasileiros acreditam que o quadro recessivo do país ainda vai piorar. O número supera em duas vezes o resultado de um ano atrás, quando a esperança por melhorias com relação ao crescimento da economia era de 38%.

De acordo com a pesquisa feita em outubro, 69% dos entrevistados agora também acreditam que o Brasil caminha na direção errada após as últimas medidas econômicas de ajuste fiscal. Só para se ter uma ideia, em 2004, a mesma avaliação era compartilhada por 24%. Porém, a variação é pequena em uma comparação com os dados dos meses de abril (65%) e julho (66%) deste ano.

O pessimismo com relação ao futuro somou 11% em março, o que representa uma leve queda ante julho, quando ficou em 13%. A preocupação também apresentou poucas alterações, permanecendo no elevado patamar de 66% - dois pontos abaixo o percentual registrado em abril, mas um acima julho deste ano e nove dos números de outubro de 2014.

Maior pessimismo também foi visto na avaliação sobre o consumo das famílias. Em 2014, 35% dos entrevistados acreditavam em melhora, contra 30% esperavam a manutenção do cenário e 35% esperavam piora. Essa relação mudou para respectivos 12%, 19% e 62% em abril de 2015; 11%, 17% e 72% em junho; e, mais recentemente, em outubro, 11%, 23% e 72%. Movimento similar foi visto na percepção sobre o movimento da taxa de juros. 

 Enquanto no ano passado 24% esperavam por uma melhora, 27% acreditavam na manutenção e 49% em piora, em outubro deste ano apenas 6% acreditam que a situação vá melhorar neste quesito, o grupo dos que esperam manutenção contou com 12% dos votos e a piora bateu a marca dos 82%.

Do lado da oferta de crédito, um ano atrás, 39% estavam otimistas, 37% nem tanto e 23% manifestaram posição pessimista. Em abril deste ano, a relação se deteriorou para respectivos 12%, 26% e 62%. Um mês depois, o pessimismo cresceu mais um tanto: 10%, 24% e 66%, respectivamente. Hoje, 68% dos entrevistados esperam piora na oferta de crédito para os próximos meses e apenas 11% revelaram um olhar mais positivo. 

A pesquisa ainda mostrou que 66% apontaram ter dívidas, sendo o cartão de crédito o principal vilão (73%). Quando questionados se estariam dispostos a tomar mais crédito, 82% dos entrevistados responderam que não. Entre os 18% que disseram que sim, a categoria de crédito consignado (36%) aparece como a opção preferida, seguida pelos automotivo (33%) e imobiliário (33%) empatados.

O endividamento, mostra a pesquisa da TNS Brasil, tem uma explosiva combinação com a piora do mercado de trabalho e o aumento da sensação de insegurança dos brasileiros com relação às condições de conseguir manter o emprego atual. Apenas 36% declararam-se seguros quanto à manutenção do emprego nos próximos meses, enquanto 28% negaram e 36% disseram que estão desempregados - fator que gera questionamento sobre o universo das entrevistas realizadas pela pesquisa. 

Conforme apresentou o CEO da companhia, James Conrad, em palestra realizada durante o 10º Simpósio Internacional Acrefi, a pesquisa foi feita no campo online, contou com 1000 entrevistas realizadas em todas as regiões do Brasil, com pessoas com idade entre 18 e 65 anos, sendo 51% mulheres e 49% homens.

Todo esse avanço de pessimismo certamente acabaria por desembocar sobre um crescente descrédito da presidente Dilma Rousseff em relação a parcelas cada vez mais expressivas da sociedade - incluindo seu eleitorado natural, altamente refratário ao ajuste fiscal proposto por sua equipe econômica e que vai de encontro ao que foi apresentado durante a campanha eleitoral do ano passado. 

 Neste quesito, o estudo revela que a confiança sobre a capacidade da petista reeleita em resolver cada uma das prioridades listadas apresentou trajetória de queda quase que ininterrupta de outubro de 2014 para cá. 

Quando questionados se a presidente conseguirá promover a recuperação do crescimento econômico, apenas 7% dos entrevistados responderam afirmativamente. Em julho, este número foi de 16%, enquanto em abril foi de 10%, e um ano atrás, 52%. Cenário similar é visto com relação à reforma política - cujo otimismo recuou de 43% em 2014 para 6% hoje -, infraestrutura - de 46% para 10% - e reforma tributária - de 38% para 6%.

A exceção ficou em dois quesitos, que tiveram leve respiro no comparativo de julho para cá, mas também se inserem em contexto dramático. O primeiro deles diz respeito à confiança na redução da taxa de juros. Após chegar a bater a mínima de 3% no início deste semestre, o indicador apresentou recuperação em outubro ao marcar 7%. 

No entanto, quando comparado com patamares de um ano atrás, a deterioração é expressiva: entre 5 e 14 de outubro do ano passado, a crença de que Dilma seria capaz de trazer a taxa de juros a níveis mais baixos era de 45%. O segundo quesito se refere à inflação: em 2014 a confiança em uma redução no avanço dos preços ao consumidor era de 46%. Em abril e junho ficou estável em 8%, enquanto no mês passado apresentou leve alta para ainda modestos 11%.

Depois da reforma política, o combate à inflação foi apontado pelos entrevistados como prioridade a ser combatida pela presidente, conforme apontou a pesquisa da consultoria TNS. A inflação, mostra o estudo, tem impactado no padrão de consumo de 90%, sendo lazer (84%), vestuário (80%) e alimentação (74%) as áreas mais afetadas pelas mudanças de hábitos dos entrevistados. 

Quando a pergunta é sobre o prazo de validade da crise, a maioria não soube responder tamanho clima de incertezas e pessimismo aflorado. Para 18%, as coisas melhorarão significativamente somente em 2018 - mesmo percentual daqueles que esperam mudanças significativas na segunda metade do ano que vem. 

É ver para crer. Quem dá mais? Enquanto isso não acontece, cada vez mais brasileiros acreditam em piora de situação financeira pessoal, padrão de vida, capacidade de fazer compras de casa e investimentos em carro ou casa. A crise atingiu um dos grandes pilares da economia brasileira dos últimos anos: a resiliência do consumo. (msn/Dinheiro)

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