quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Familiares querem excluir o nome de Chico Mendes de Instituto da Biodiversidade

“O instituto que deveria proteger a biodiversidade não consegue fazer o mínimo para isso, porque não tem estrutura orçamentária e não tem condições pra isso. E isso não era o que o Chico queria”. As palavras são da filha do seringueiro Chico Mendes, Ângela Mendes, em entrevista ao Portal Muiraquitã, durante o III Chamado da Floresta, realizado nos dias 28 e 29 de outubro último, na comunidade São Pedro, interior do município de Santarém.

 Na ocasião, Ângela foi eleita membro do Conselho Nacional das Populações Extrativistas do Brasil, o antigo Conselho Nacional dos Seringueiros - CNS. Após discursar no palanque do evento, Ângela foi muito assediada pelos participantes. Todos querendo fazer foto ao lado da filha do mais famoso ambientalista do Brasil, assassinado em 22 de dezembro de 1988, no Acre, por causa de sua defesa intransigente dos extrativistas.

Para Ângela, a falta de estrutura do ICMBIO, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, criado em 2007 com a missão de proteger o patrimônio natural e promover o desenvolvimento socioambiental do Brasil, contribui muito para o que acontece hoje na floresta, como o desmatamento e a retirada ilegal de madeira. “Então, pra ser minimamente coerente, é preciso dar condições ao órgão de trabalhar, fazer o seu trabalho ou reconhecer que esse nome Chico Mendes, não lhe cai bem”.

O instituto é responsável pela gestão de Unidades de Conservação Federais, onde deve promover o desenvolvimento socioambiental das comunidades tradicionais naquelas consideradas de uso sustentável, da pesquisa e gestão do conhecimento, da educação ambiental e do fomento ao manejo ecológico.

Da mesma opinião comunga outro conselheiro do CNS: Raimundo Mendes, o Raimundão, outro membro da família que participou da luta contra a destruição da floresta ao lado do primo, Chico Mendes e ajudou na fundação do então Conselho Nacional dos Seringueiros. 

Em entrevista ao Portal Muiraquitã, ele também criticou a falta de estrutura do ICMBIO para justificar o nome do primo e contou um pouco sobre a luta para criar um movimento nacional em favor dos povos da floresta.

Raimundão participou do III Chamado da Floresta, realizado na comunidade de São Pedro, no rio Arapiuns e defendeu o uso dos chamados “empates” para impedir o avanço do agronegócio sobre a floresta. Para assistir o vídeo com as declarações dele, clique no ícone da TV Muiraquitã, na lateral direita da home.

Quem não concorda com o posicionamento dos familiares de Chico Mendes, é o presidente do ICMBIO, Cláudio Carrera Maretti, que também participou dos dois dias de evento no Arapiuns. Questionado pela reportagem, ele garantiu que o instituto vem cumprindo a missão para a qual foi criado, cuidando das unidades de conservação e buscando o desenvolvimento das populações tradicionais. “Mas, se eles acham que o nome de Chico Mendes está sendo usado indevidamente, que entrem na justiça. Nós vamos continuar nosso trabalho”, finalizou. (Portal Muiraquitã - José Ibanês))

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