sábado, 28 de novembro de 2015

HRBA se consolida como referência no tratamento de câncer na Amazônia


O Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA) é referência no Pará e no Norte do Brasil, quando o assunto é tratamento de câncer. Localizado em Santarém, atende a uma população estimada em mais de 1,1 milhão de pessoas residentes em 20 municípios do oeste do Pará. Atualmente, a equipe que trabalha no setor de Oncologia é formada por mais de 60 profissionais, incluindo 13 médicos e quatro residentes. Atualmente, estão em tratamento pelo HRBA 959 pacientes, oriundos, inclusive, de outros estados da região.
O Diretor Geral do HRBA, Hebert Moreschi, diz que a descentralização do tratamento oncológico foi uma estratégia acertada do Governo do Estado. “Além do aspecto assistencial, isso possibilita que pacientes possam ser tratados ao lado de suas famílias e amigos. Esse acolhimento, o fator humano, faz toda a diferença”.

Antes do HRBA, os pacientes que tinham câncer, ou suspeita da doença, eram obrigados a se deslocar para Belém ou Manaus, ou para outros centros mais distantes, para poderem fazer o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento. “E aqueles que não conseguiam, estavam fadados a ter a evolução de doença sem tratamento ou até chegar ao óbito sem diagnóstico, sem saber que tinha câncer”, conta o coordenador de Oncologia do HRBA, cirurgião Marcos Fortes.

O setor de Oncologia do HRBA começou a funcionar em 2008 e o Parque Radioterápico (conjunto de equipamentos e serviços médico-hospitalares exclusivos para terapia do câncer) entrou em funcionamento em junho de 2010. Os dados ilustram o desempenho do hospital no atendimento aos pacientes: as sessões de radioterapia aumentaram mais de mil por cento em quatro anos; em 2010, foram realizados 2.565 procedimentos e, em 2014, mais de 26 mil. 

A projeção para este ano é de 27 mil sessões de radioterapia. As de quimioterapia também tiveram crescimento expressivo. As 600 sessões realizadas em 2010, passaram para 7.400 em 2014 (aumento superior a 1.200%). Até o final do ano, chegarão a 7.800.

As campanhas de incentivo aos exames preventivos do câncer de mama e da próstata têm contribuído para o aumento dos procedimentos de oncologia em Santarém. A cada campanha, como a recente Outubro Rosa e a atual Novembro Azul, o diagnóstico precoce bate o recorde em Santarém. “Nós temos uma relação muito forte com nossos pacientes. No dia em que você tratar um paciente e não se emocionar com a dor do outro, está na hora de fazer outra coisa”, diz Fortes.

A expectativa é que o número de consultas realizadas neste ano seja três vezes maior do que em 2010, quando 4.382 atendimentos foram feitos. Ano passado, 12.500 pacientes foram atendidos nos consultórios. As cirurgias oncológicas saltaram de 185, em 2011, para 867 procedimentos no ano passado e a meta para 2015 ultrapassa 1.100 procedimentos.

Os tipos mais comuns de câncer entre as mulheres em tratamento no HRBA são: colo de útero (34%), mama (26%) e pele (14%). E a faixa etária com maior incidência é de 40 a 59 anos, com 41% dos casos. Mulheres com mais de 60 anos somam 39% das pacientes. Em homens, os mais comuns são: próstata (27%), pele (23%) e estômago (17%). Quase 60% dos atendidos têm mais de 60 anos. Homens de 40 a 59 anos aparecem entre 27% dos pacientes.
Atualmente, o HRBA conta com uma resolutividade muito grande, tanto que houve um processo inverso. Antes, era grande o número de transferências de tratamento fora de domicílio e, agora, o hospital recebe pessoas inclusive de outros estados para tratamento, além dos 20 municípios que são abrangidos.

O HRBA tem se tornado referência, também, no ensino e pesquisa. Mais de 60 trabalhos já foram apresentados em congressos e fóruns nacionais e internacionais. “Nós não só temos um serviço completo e de excelência, como estamos formando novos profissionais”, diz Marcos Fortes. 

O hospital, atualmente, conta com dois programas de residência voltados para a oncologia: cancerologia clínica e cirurgia oncológica. “É importante destacar que isso sequer era sonhado alguns anos atrás. O HRBA cresce a cada dia, se torna um diferencial na assistência à saúde e faz a diferença na vida das pessoas do Oeste do Pará”, conclui Hebert Moreschi.

Além desses destaques, o HRBA foi o primeiro hospital público da região Norte do país a obter o certificado máximo de qualidade, a ONA 3 – Acreditado com Excelência, concedido mediante o cumprimento das melhores práticas hospitalares e de qualidade assistencial.

ONCOLOGIA PEDIÁTRICA
Santarém é o único município do Pará que conta com um projeto de detecção precoce de câncer infantil. Inclusive, em agosto deste ano, o Instituto Ronald McDonald - em parceria com o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA) e a Secretaria Municipal de Saúde de Santarém - foi premiado junto à rede Ronald McDonald House Charities (RMHC) em Chicago (EUA), por conta do programa ‘Diagnóstico Precoce’, desenvolvido entre os anos de 2013 e 2014, no município de Santarém.

Um dos resultados dessa iniciativa pode ser constatado no serviço de oncologia pediátrica do Hospital Regional, que foi implantado e atende crianças com suspeita de câncer infanto-juvenil, realizando o tratamento especializado em casos confirmados. Em dois anos de atuação, o serviço está se consolidando e se tornando referência para a região oeste do Pará.
A médica oncologista pediátrica Alayde Vieira Wanderley conta que o empenho e a capacitação fornecida pelo HRBA foram fundamentais para agilizar o procedimento e diminuir o tempo de espera e, consequentemente, reduzir a mortalidade infantil causada pelo câncer, que se tornou a principal causa de óbito no Brasil entre jovens de 0 a 19 anos de idade. “Foi essa experiência vivida no HRBA entre médicos, pacientes e toda equipe atuante no programa de diagnósticos precoce do câncer infantojuvenil que proporcionou esse resultado”.

COMBATE AO CÂNCER
O Dia Nacional de Combate ao Câncer é lembrado nesta sexta-feira, 27 de novembro. A data serve para ressaltar a importância da conscientização para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer. A doença, se descoberta na fase inicial, tem grande chance de cura. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o câncer mata oito milhões de pessoas por ano, sendo a principal causa de óbitos no mundo.
JOAB FERREIRA
Jornalista 

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