quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Pão tem alta além da inflação no Pará

Preços - Culpa é da alta do dólar, que encarece o trigo importado pelos paraenses. O pão francês, um dos principais produtos da cesta básica do paraense, é também um dos de maior custo. O consumo do chamado pão careca custa, hoje, R$ 321,72 por mês ao paraense, o que representa quase a metade de um salário mínimo, hoje em R$ 778,00.  É o que diz estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na primeira semana de novembro, após o reajuste de 3,3% no quilo do pão francês que entrou em vigor em outubro, coroando uma trajetória de alta que, desde janeiro, acumulou 14% de reajuste, para uma média de cerca de 9%.

De acordo com a pesquisa do Dieese, o quilo do pão francês varia entre R$ 7,00 e R$ 11,00, ou de R$ 0,35 a R$ 0,55 a unidade de 50 gramas. Segundo o Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Pará e Amapá, os preços são livremente aplicados pelas padarias para reposição dos seus custos. 

Em uma padaria, localizada na avenida Duque de Caxias, no Marco, desde o ano passado não há aumento nos preços, tudo para garantir a fidelidade dos clientes. “O preço do trigo aumentou, estamos nos segurando para ainda não aumentar o preço do pão, porque os concorrentes aqui perto não reajustaram. 

Se aumentarmos, as vendas caem e perdemos o cliente. Além do mais, quem compra pão adquire sempre outros produtos na padaria, como manteiga, queijo, presunto. Mas acredito que não vamos demorar em reajustar, já que temos vários custos para manter a padaria”, contou a proprietária, Natsumi Nakamigawa. Na padaria, o quilo do pão francês está em R$ 9,00 e a unidade fica entre R$ 0,35 e R$ 0,40.

A doméstica Silvana Neves, 32 anos, que trabalha no Marco e mora em Benevides, analisa que o preço do pão francês varia bastante conforme o bairro. “No Marco, a unidade é R$ 0,40 e onde moro custa R$ 0,25. Nos lugares em que compro para mim e para meus patrões ainda não tiveram reajuste e acho isso ótimo. Por dia compro cinco unidades para casa e oito para a casa dos meus patrões, onde no final de semana compram 15 pães. Acho que é um produto importante e deveria ser mais barato, pois eu gasto praticamente R$ 70,00 por mês somente com pão”, diz a doméstica.

O estudo do Dieese/PA, feito em mercearias, padarias e supermercados da Região Metropolitana de Belém, aponta que quilo do pão, em outubro do ano passado, foi comercializado em média a R$ 8,01. Em dezembro de 2014 custava R$ 8,08. Em janeiro de 2015 estava em R$ 8,13; em setembro passou para R$ 8,92; e no último mês chegou a R$ 9,19 - 3,3% em relação a setembro.

De janeiro a outubro deste ano, devido principalmente às altas verificadas nos últimos três meses, o preço do pão apresentava reajuste acumulado de 13,74%, contra uma inflação de 9,7%. Nos últimos 12 meses atingiu quase 15%, contra uma inflação de 10,33%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o Dieese/PA, a justificativa do setor para o aumento nos preços é a alta do dólar, que elevou o preço do trigo, principal insumo do pão. “Além do aumento de custo relacionado ao frete, o Brasil continua importando o trigo principalmente da Argentina. Com isso, os reajustes que começam nos insumos, terminam no consumidor final que adquire pão todos os dias”, conclui o Dieese/PA.

O presidente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Pará e Amapá, Elias Pedrosa, reitera que o aumento do pão é reflexo da alta do dólar. “O pão é feito de trigo, que é uma commoditie, e o grão é vendido em dólar da Argentina e Canadá aos dois moinhos locais. Com a instabilidade da economia brasileira, um dólar saltou de R$ 2,70 para RS 4,00. 

Se jogarmos a inflação em cima do dólar, resulta em valores maiores que os previstos pelo Dieese/PA”. Cada saca de 50 quilos de trigo resulta em 1,1 mil unidades de pães francês. 
Outro impacto sobre o preço do pão é a tarifa de energia. “Este é um produto caro na nossa região e resulta nos custos dos empreendimentos. Contudo, não há previsão do preço do pão baixar, pois a instabilidade política reflete também no problema econômico do País”, afirma Pedrosa. (O Liberal)

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