sábado, 28 de novembro de 2015

Secretaria de Saúde confirma 35 casos de zika no Pará

Trinta e cinco casos de zika foram confirmados, no Pará, este ano. Mas não houve óbito. “O panorama da zika no Estado é confortável para nós. Até porque nós temos oficialmente, confirmados pelo Instituto Evandro Chagas, 35 casos”, disse, ontem à tarde, o diretor do Departamento de Controle de Endemias da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Bernardo Cardoso.

Ele também comentou a suspeita da suposta relação entre a incidência dos casos de microcefalia (uma condição neurológica rara em que a cabeça da pessoa é significativamente menor do que a de outros da mesma idade e sexo) na região Nordeste do país com a zika.

Em entrevista à imprensa, Bernardo Cardoso deixou claro que não há comprovação científica dessa relação. “Associar é uma coisa. Comprovar é outra”, afirmou. Ele explicou que a microcefalia pode ser causada por bactérias, vírus, contaminação ambiental, intoxicação por agentes químicos, metais pesados e questões genéticas. O médico também disse ser “uma irresponsabilidade” fazer a retirada do líquido amniótico das mulheres grávidas para ver se há relação entre essa doença e o zika. 

“Vai ajudar a reduzir o número de casos? Não. Vai tratar o bebê? Não. Então pra que fazer isso, que é um exame invasivo e mais prejudicial que o próprio vírus, que pode levar a uma infecção ou perfuração do próprio feto? Espero que os médicos não se afobem em pedir esse exame”, acrescentou.

O médico afirmou que a principal preocupação da Sespa é com a dengue. Mais de quatro mil casos da doença (exatos 4.042), com cinco mortes, foram registrados, este ano, no Pará. Desse total, 1.106 casos foram em Belém, onde houve duas das cinco mortes. Por isso, o principal objetivo da Sespa é eliminar o aedes aegypti, o mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya. 

“Na minha opinião, o que mais preocupa é a dengue, que é a doença que mais mata nesse país. Nenhuma outra capital tem mais morte de dengue que São Paulo, que é o Estado mais rico da federação. São mais de mil por dengue, este ano, no Brasil. 

Mas, no Pará, não tem nenhuma morte por zika ou chikungunya”, afirmou Bernardo Cardoso. Por isso, ele pediu aos médicos “que não se apressem em dar o diagnóstico clínico de que é zika, de que é chikungunya, de que é dengue”. E voltou a explicar que são doenças que apresentam os mesmos sintomas articulares e musculares, dor de cabeça e conjuntivite. “Isso tudo é capaz de vir em um só quadro”, afirmou.

Cardoso também pediu o empenho dos prefeitos e secretários de saúde municipais no combate ao aedes aegypti. “Eu peço, principalmente para os nossos gestores, que ajudem a população de seus municípios, fazendo com que o número de profissionais de agentes de endemias chegue ao normal. Se é 100, coloque os 100 para trabalhar. O Estado não tem esses agentes para emprestar. 

Podemos emprestar tecnologias, manejos clínicos, dar orientações. Agora, a responsabilidade dos municípios é fazer com que não apareçam essas três doenças em suas cidades. E só pode acontecer isso se se tiver o número ideal de agentes de endemias e que eles de fato vão a campo para trabalhar”, disse. A população também pode, e deve, fazer a sua parte no combate ao mosquito. “Vamos fazer o Dia D toda sexta ou todo sábado. 

Vamos limpar nossas casas. O mosquito tem sete dias para nascer. Ele põe o ovo e sete dias depois ele vai nascer. Vamos limpar nossos utensílios dentro de uma semana, porque, assim, você vai eliminar 90% da chance desse mosquito nascer”, acrescentou Bernardo Cardoso.

Veja a incidência em  2015
Dengue:
Número de casos: 4.042
- Número de casos em Belém, 1.106
Número total de mortes: 5
- Número de mortes em Belém: 2 


Zica: 
Número de casos: 35
- Em Belém: 16
Nenhuma morte
Microcefalia:
Número de casos: 5
Nenhuma morte

ORM News

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