terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

HB20S x Cobalt: vestidos a rigor

Para aqueles que buscam um sedã compacto tão bem equipado quanto modelos médios, o iCarros preparou uma disputa e tanto: as versões topo de linha dos recém-atualizados Hyundai HB20S e Chevrolet Cobalt. Criados a partir de modelos mais simples, ambos se vestiram a rigor para invadir a festa até então limitada a segmentos mais “abastados”. Será que deu certo?

Hyundai HB20S Premium
Se na opção mais barata o sedã compacto da Hyundai deixa a fábrica de Piracicaba (SP) por R$ 46.225 levando sob o capô um motor flex 1.0, um câmbio manual de cinco marchas e uma lista de itens não tão recheada, a história muda quando se trata da configuração topo de linha Premium, que custa a partir de R$ 62.275 e chega a R$ 66.365 quando equipada com central multimídia e revestimentos de couro.

Separados por uma diferença de mais de R$ 20 mil, ambas as versões compartilham defeitos e virtudes. Do primeiro grupo fazem parte o espaço interno limitado e a regulagem de altura do banco ajustável apenas em inclinação. Mas o modelo de ascendência sul-coreana tem qualidades das quais se orgulhar, como é o caso do desenho atraente empregado na carroceria e na cabine, do acabamento bem acertado e da dirigibilidade.

Limitados à opção mais cara, itens como ar-condicionado digital, airbags laterais, sensor de estacionamento traseiro, central multimídia e revestimento de couro nos bancos, volante e alavanca de câmbio reforçam a sensação de refinamento. Do lado de fora, a história se repete com faróis de acendimento automático dotados de LEDs e projetor, lanternas com desenho diferenciado, detalhes cromados e rodas de liga leve aro 15 exclusivas

Além disso, desde novembro do ano passado, o HB20S começou a chegar às lojas com para-choques redesenhados e nova grade do motor. O sedã também tem novidades no que diz respeito à motorização, como a aposentadoria do tanquinho de partida a frio e das transmissões manual de cinco marchas e automática de quatro marchas, que deram lugar a novas opções com seis velocidades em ambos os casos.

Como é de se esperar de um sedã, o conjunto privilegia o conforto. Ainda assim, a suspensão faz um bom trabalho para conter as rolagens da carroceria e, mesmo que alguns buracos se convertam em batidas secas, há boa obsorção da maior parte das imperfeições da pista. A direção hidráulica também tem bom acerto, já que o ajuste leve facilita as manobras no uso urbano sem se tornar anestesiada ou imprecisa.

Com 2,50 m de entre-eixos, o espaço interno não é o ponto forte do HB20S. A falta do encosto de cabeça e do cinto de três pontos para um quinto ocupante provam que o sedã da Hyundai oferece conforto para apenas quatro passageiros - ainda assim, as cabeças e as pernas viajam “justos” atrás. À frente, o motorista conta com apoio de braço e ajustes de profundidade e de altura no volante, mas falta uma regulagem eficiente de altura no assento.

Graças à boa montagem das peças, a percepção de qualidade no interior remete àquela encontrada em veículos mais caros, mas a profusão de plásticos entrega a origem mais humilde do modelo - coerente quando comparada à concorrência. Também se destaca a ausência de rebarbas na cabine e o material empregado no painel que, mesmo sendo rígido, consegue ser suave ao toque.

O conjunto mecânico também dá conta dos 1.086 kg do HB20S. Com 128 cv de potência e 16,5 kgfm de torque, o motor flex 1.6 16V tem um bom casamento com o câmbio automático de seis marchas e trabalha sem que o barulho invada a cabine. De acordo com a Hyundai, a aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 10,6 segundos, mas faltam borboletas para troca de marchas atrás do volante - que são feitas apenas por meio da alavanca.

Chevrolet Cobalt Elite
Assim como o modelo pré-reestilização, o Cobalt dispõe de duas opções de motorização, mas segundo a própria Chevrolet, as versões LT e LTZ com motor 1.4 de 102 cv e câmbio manual são direcionadas para venda direta - feita para empresas e frotistas, por exemplo. Sendo assim, as configurações realmente destinadas ao consumidor comum são aquelas que trazem sob o capô um motor 1.8 de 108 cv de potência.

Enquanto a versão mais em conta do sedã é oferecida pela fabricante por R$ 53.490, a topo de linha Elite pode sair das lojas por até R$ 70.390 quando equipada com pintura metálica. Frutos de um mesmo projeto, o Cobalt ficou mais recheado para justificar a diferença de R$ 16.900, mas alguns detalhes “entregam” as raízes do modelo, como o propulsor antigo que é praticamente o mesmo dos finados Fiat Stilo e Chevrolet Meriva.

A lista de equipamentos traz, desde a configuração mais em conta, itens como sensor de chuva, acendimento automático dos faróis, câmera de ré, detalhes internos em preto brilhante. Contudo, o revestimento de couro marrom para bancos e volante é exclusivo da opção mais cara. A versão avaliada também trazia volante multifuncional, central multimídia com espelhamento da tela do celular, sistema OnStar (permite solicitar informações como hotéis, hospitais e restaurantes próximos, por exemplo) e controlador de velocidade, todos de série.

Com a reestilização apresentada em dezembro do ano passado, o sedã ganhou visual mais elegante e moderno inspirado na nova geração do sedã Malibu, mas as mudanças não ficaram restritas à carroceria. Na cabine, ainda que o desenho do painel tenha se mantido praticamente igual após a atualização, o Cobalt recebeu melhorias capazes de mudar significativamente a sensação à bordo - isso se deve, por exemplo, ao aumento da área revestida nas portas e à utilização de novos materiais e texturas para o acabamento interno.

Apesar da atualização, sob o capô, o sedã permanece igual desde o lançamento do modelo em 2011 - a opção mais potente chegou ao mercado um ano depois, em 2012. Ainda assim, o conjunto mecânico se mostrou bem adequado à proposta do Cobalt graças à força do motor em baixas rotações - segundo a fabricante, 90% dos 17,1 kgfm de torque máximo já estão disponíveis desde os 2.500 rpm. O câmbio automático também tem bom funcionamento, mas fica devendo um seletor de marchas atrás do volante, já que as trocas só podem ser feitas por meio de botões na própria alavanca.

Ainda que os novos itens de série e o acabamento revisado tenham melhorado a sensação a bordo do modelo, toda a cabine segue revestida de plástico, o que denuncia o segmento para o qual o Cobalt foi criado inicialmente: o de sedãs com bom custo/benefício. Ao menos as peças têm bons encaixes e, no geral, são isentas de rebarbas. Já o isolamento acústico cumpre bem sua função, sendo interrompido apenas quando o motor trabalha em giros mais elevados - quando parado, o conjunto mecânico também provoca vibrações na cabine.

Escolha de Gabriel Aguiar - Normalmente, quem opta por um sedã o faz pela necessidade de espaço e, se esse for o seu caso, o Cobalt ainda é a melhor opção. Ainda que a sensação de refinamento a bordo não seja a mesma oferecida pelo HB20S e que a motorização não seja tão moderna, o modelo da Chevrolet cumpre a função de oferecer um amplo espaço interno, o maior porta-malas da categoria com 563 litros - contra 450 litros do Hyundai - e equipamentos de série até então reservados apenas a modelos mais caros.

Ainda assim, com preços em torno de R$ 70 mil, também vale a pena ficar atento a opções do segmento de sedãs médios, como é o caso do Toyota Corolla, que é oferecido atualmente por R$ 69.040 na versão de entrada GLi com motor 1.8 e câmbio automático continuamente variável CVT, que, apesar de menos equipada do que as versões topo de linha de HB20S e Cobalt, oferece uma construção mais refinada.
(msn/Carros)

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