sábado, 6 de fevereiro de 2016

Sespa intensifica prevenção de DSTs e HIV durante o carnaval

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) reforça as ações de prevenção neste carnaval. Com o slogan “Todos na folia contra a Aids, as hepatites virais e o mosquito Aedes Aegypti”, a campanha vai distribuir, como faz anualmente nesta época, mais de um milhão de preservativos nos 144 municípios paraenses, além de tirar dúvidas para evitar a contaminação por Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), hepatite e a propagação do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

A campanha se concentrará principalmente nas ações para prevenir a propagação do vírus HIV. De acordo com dados da Sespa, em Belém foram diagnosticados 265 casos em 2015, 39% a mais do que em 2014. No Pará 1.418 registros em 2015, 1,8% a mais que no anterior. No Brasil, em relatório divulgado pelo Ministério da Saúde, desde o início da epidemia, em 1980, já foram diagnosticados 798.366 casos de Aids.

Para a coordenadora estadual DST/ Aids, Débora Crespo, a preocupação maior é com o público mais jovem e entre os heterossexuais, por isso, é necessário investir ainda mais na prevenção. “Temos percebido o maior número de casos entre casais heterossexuais, muitas vezes por falta de uso da camisinha, principalmente pelos mais jovens, que estão no foco da campanha, até mesmo pelo descuido na relação sexual ser muito maior”, diz.

Segundo a coordenadora, o público homossexual continua considerado como o de maior vulnerabilidade. “A prevenção e a conscientização da população ainda são os meios de evitar a contaminação por HIV, no entanto, quem é portador do vírus hoje consegue ter uma qualidade de vida muito melhor do que no início da epidemia. Tomando a medicação em dia, é possível evitar que a carga viral aumente e dê abertura para a Aids”, explica.

De acordo com o Ministério da Saúde, a faixa etária de 15 a 24 anos apresentou aumento considerável de casos, entre 2005 e 2014, principalmente entre os homens, que representam 53,6% dos casos. Quem é portador do HIV não tem automaticamente a Aids, que é a consequência da falta de tratamento adequado e da alta carga viral que compromete a imunidade do paciente.

Para ajudar na informação da população, a Sespa investe em polos móveis deslocados para os destinos mais procurados no carnaval paraense, como Mosqueiro, Vigia, Bragança e Cametá. Em Belém este trabalho é constante no CTA Uredipe (Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas Parasitárias Especiais). 

No local são feitos testes para HIV, hepatite B, sífilis e outras doenças. Além disso, o local também é responsável por fazer o aconselhamento e acompanhamento especializado dos portadores do vírus.

Andreza Silva, 31 anos, faz o curso técnico de enfermagem. Depois de sofrer um acidente de trabalho ao entrar em contato com o sangue de um portador de HIV, ela procurou a Uredipe para receber a orientação adequada e fazer o teste de sangue. “Vim para cá muito preocupada, mas fui bem acolhida e orientada. O atendimento é bem diferente do que a gente imagina, e o teste para HIV é muito rápido”, conta ela, cujo teste foi negativo para a presença do vírus. Mesmo assim, ela tomará a medicação para o tratamento preventivo.

Os testes são feitos rapidamente com a coleta de saliva ou da gota de sangue. Antes disso, o paciente passa por uma entrevista, chamada de “aconselhamento individual”, para saber quais situações e comportamentos representam algum risco de contaminação. O teste é rápido e o resultado dura em média 15 minutos para ficar pronto.

“Tem havido uma procura maior dos usuários pelos testes de DST e Aids. Isso mostra que a população está ficando mais consciente e perdendo o medo. Temos um grande atendimento no bairro do Telégrafo, mas atendemos pessoas até mesmo de fora do Estado, vindas do Maranhão e do Amapá” , diz a coordenadora do Uridipe, Jane Durans. 

Em 2015, a unidade fez 2.532 testes, dos quais 629 (24%) foram positivos para o reagente do HIV. Os pacientes diagnosticados com o vírus recebem tratamento gratuito do Sistema Único de Saúde (SUS) na unidade, que fornece os remédios e o acompanhamento médico.

Reginaldo Furtado, 48, é portador do vírus há 16 anos e faz acompanhamento regularmente na unidade de saúde. “É importante a gente não deixar de tomar a medicação corretamente, pois o vírus pode se fortalecer com um descuido. Aqui a gente se sente muito bem, sempre tem alguém para nos orientar e dar apoio. 

Venho buscar a minha medicação regularmente e indico para outros amigos virem aqui na uridipe para fazer o teste”, diz, reforçando a importância da prevenção. “Às vezes a pessoa se esquece da camisinha e, por um momento, pode se expor a um risco grande. É importante sempre lembrar a diferença que um preservativo pode fazer na nossa vida”.

Serviço: CTA Uredipe – Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas Parasitárias Especiais. Horário de atendimento: 8h às 17h. Telefone: (91) 3244- 3535. E-mail: uredipe@gmail.com. Endereço: Travessa Magno de Araújo, Passagem Izabel, s/nº, Telégrafo (entre Senador Lemos e Curuçá).
Diego Andrade - Secretaria de Estado de Comunicação
Agência Pará de Notícias

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