segunda-feira, 7 de março de 2016

Cerca de 900 mil mulheres são chefes de família no Pará

Pelo menos 900 mil mulheres são chefes de família no Pará e ganham até um salário mínimo por mês. O levantamento consta em uma pesquisa do Dieese-PA (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) sobre a situação da mulher no mercado de trabalho no Estado e em toda a região Norte. O estudo foi realizado com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do último Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizado em 2014, e Ministério do Trabalho. 

A camareira Josélia Silva é o retrato fiel do estudo do Dieese. Moradora do bairro do Benguí, em Belém, ela trabalha e ainda arruma tempo para cuidar dos dois filhos depois que o marido a abandonou há cinco anos. 'É uma vida muito corrida, pois as vezes trabalho de manhã, outras vezes à tarde e ainda tenho que cuidar das crianças. Sem contar que sustento a casa com apenas um salário mínimo. Tenho que fazer malabarismos para sobreviver com esse salário durante o mês', desabafa ela, que conta com a ajuda da mãe para cuidar dos filhos.

Segundo a pesquisa, de um total de 3.602.072 pessoas ocupadas em todo o Pará, cerca de 61,57% são homens (2.217.902 milhões) e 38,43% (1.384.170 milhão) são mulheres. 
Das cerca de 1,4 milhão de mulheres ocupadas no Estado, 15,12% ganham até meio salário mínimo e 29,47% ganham entre meio e um salário mínimo. Isto quer dizer que 44,59% (617.209) das mulheres ocupadas de todo o Estado ganham até um salário mínimo de remuneração máxima mensal. 

Ainda segundo os números do Dieese, no Pará, de um total aproximadamente 2,5 milhões de famílias, quase 900 mil (36,49%) eram chefiadas por mulheres em 2014. Em toda região Norte, das cerca de 5,3 milhões de famílias, aproximadamente 2 milhões (37,91%) eram chefiadas por mulheres. O estado de Roraima é o que concentra o maior número de mulheres como chefe de família, com 45,72% (75.267) do total.

'Os dados analisados pelo Dieese-PA neste estudo mostram uma situação muito preocupante, pois o quantitativo de mulheres que exercem hoje a dupla função de mãe e pai, tanto no Pará como em todo o Norte, é significativo', finaliza Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese. (ORM News)

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