quinta-feira, 3 de março de 2016

Hospital Regional de Santarém faz a primeira captação de órgãos do ano

O Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, está habilitado a realizar captações de órgãos desde 2012. No entanto, até o momento, ainda é baixo o número de doadores. Até 2015, quase 70 notificações de possíveis doadores foram realizadas, mas apenas oito se concretizaram, principalmente por conta da falta de informações dos familiares em relação ao processo da doação de órgãos. No sábado, 27, foi realizada a primeira captação do ano no hospital. 
O doador W.P., de 19 anos, teve morte encefálica. Para o pai, a tristeza causada pela perda do filho foi amenizada pela alegria proporcionada às pessoas que receberam os órgãos. “Para mim é um gesto de solidariedade, podendo salvar a vida de outras pessoas. Eu decidi, junto com a minha esposa, doar os órgãos, porque é um ato de amor. Espero poder receber um abraço dessas pessoas que foram agraciadas”, conta Paulo Pinto.

A diretora técnica do HRBA, a médica Lívia Corrêa, afirma que a doação de órgãos e tecidos é essencial para salvar outras pessoas e a prática deve ser estimulada. “A doação, acima de tudo, é um gesto de amor ao próximo. A família consegue superar a dor que sente pela perda do ente querido e tem esse nobre gesto de doar o órgão e tecido que salva a vida de várias pessoas”.

O hospital ainda não realiza transplantes, mas está habilitado a captar válvulas do coração, fígado, rins e córneas. Quando há um potencial doador, a Organização à Procura de Órgãos (OPO) comunica à Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO), que aciona o Sistema Nacional de Transplante (SNT) e disponibiliza os órgãos e tecidos para doação. Desde 2012, quando esse serviço foi implantado no Hospital Regional de Santarém, já foram captados 49 órgãos e tecidos.

O crescimento no número de doadores ainda é lento, principalmente em função das barreiras, que passam pela falta de informação, preconceito e temor. As principais causas das negativas estão relacionadas ao desconhecimento familiar sobre o desejo de doação do falecido, ao fato de os familiares desejarem manter a integridade do corpo e o receio de haver demora na liberação para sepultamento.

A doação também pode acontecer em vida, no caso de órgãos como rins, parte do fígado e medula óssea. “É impossível termos transplantes sem que haja a doação. As captações de órgãos feitas no HRBA possibilitaram a dezenas de pessoas, que estavam na fila de espera por um transplante, obter essa nova oportunidade, que representa, em muitos casos, a continuidade da própria vida”, afirma o diretor geral do HRBA, Hebert Moreschi.

Processo de doação
Para que uma doação seja concretizada, a família do doador deve autorizar o procedimento. 
Por isso, é importante expressar, em vida, o desejo de doar órgãos e tecidos. A recusa familiar tem sido fator determinante para que o número de doações permaneça baixo.

A Organização à Procura de Órgãos (OPO) do HRBA tem investido na conscientização da população e na detecção mais rápida e precisa dos casos de morte encefálica - que é a parada definitiva e irreversível do cérebro e tronco cerebral, provocando em poucos minutos a falência de todo o organismo - aptos para doação.
Joab Ferreira - Hospital Regional do Baixo Amazonas -Dr. Waldemar Penna (Santarém)
Agência Pará de Notícias

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