quarta-feira, 9 de março de 2016

Mulheres encontram oportunidades de vida em projetos do governo

Seguir em frente e reconstruir a vida. Foi seguindo esse caminho que quatro mulheres, com sangue paraense, mudaram a história de suas vidas. Camila, Arlene, Rute e Antônia foram vítimas de escolhas ruins, abandono, depressão e hoje são exemplos a serem seguidos por outras pessoas. Todas participaram de iniciativas do Estado, que garantiram incentivos para educação, profissionalização e empreendedorismo.

Camila da Silva, 30, é egressa do sistema penitenciário. Ela cumpriu sua pena e por quase um ano procurou emprego. Nesses doze meses, muitas portas fechadas. O motivo? O histórico de criminalidade. Porém, ela não baixou a cabeça. Continuou a procurar algo melhor para sua vida. Foi quando ela soube do projeto da Associação Polo Produtivo Pará, conhecida como Fábrica Esperança, criado em 2006, pelo Governo do Estado, e gerenciado pela Segup (Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social).

“Eu fui rejeitada em três empregos por ter cumprido pena. Também fui rejeitada por pessoas que eu acreditava serem meus amigos e alguns familiares. Mas aqui, eu fui bem recebida e comecei a trabalhar como auxiliar de costura. Não sabia nada. Tinha medo das máquinas. Mas a minha vontade de aprender e mudar de vida era maior. Hoje eu já penso em comprar uma e começar o meu próprio negócio em casa”, conta Camila, que já frequenta a fábrica há dois anos.

O trabalho foi o incentivo que a futura costureira precisava para encontrar o seu recomeço. Durante o período de aprendizado no ofício, entre carretéis, agulhas e linhas, ela voltou a estudar nas turmas de Ensino Fundamental ofertados pela fábrica, fez cursos de costura e agora sua lista de sonhos inclui se formar como assistente social, costureira profissional e comprar uma casa para morar com as três filhas, que hoje moram com o pai.

“Ao sair do cárcere, eu fiz uma promessa para Deus de não querer mais aquela vida. Quero ajudar outras pessoas que passaram por situação semelhante, para que elas tenham a escolha de uma nova chance. Toda esta mudança só foi possível por causa deste projeto. Ganhei a oportunidade de provar que eu poderia mudar”, diz Camila.

Conquistas
Ana Rute Barreto, 49, trabalha no setor administrativo da fábrica. Ela também é egressa do sistema penitenciário. Rute faz parte do projeto há cinco anos e começou como auxiliar de limpeza. Na função ela pode conhecer um pouco de cada setor da fábrica e decidiu voltar a estudar para alcançar o cargo atual. Ela não apenas completou os estudos, como se formou em Gestão Ambiental no ano passado.

“Quando saí da prisão, eu tive que recomeçar do zero. Inclusive a minha carreira profissional, mas a gente não pode ter medo, não pode desistir. Devido a uma escolha ruim que fiz, eu tive que ir para o fundo do poço e de lá eu precisei crescer novamente. Nesse tempo eu estudei, me dediquei e consegui alçar até o atual cargo”, reforça Rute.

Ela também fala do apoio que dá para aqueles que acabam de chegar à fábrica. “Eu sempre dou conselhos para quem chega aqui, tanto para as mulheres quanto para os homens. Falo que a fábrica é uma ótima oportunidade para trabalhar e reconstruir a vida. E principalmente eu acredito que elas devem focar em estudar, ter consciência e não mais agir por impulso. A minha história é um exemplo disso e acredito que possa ajudar outras pessoas”, diz Rute, que além de funcionária é uma orgulhosa mãe de três filhos.

Espaço Acolher ajuda mulheres a reconquistar auto-estima
Próximo à Fundação Santa Casa de Misericórdia funciona o “Espaço Acolher”, que recebe e abriga as mulheres vítimas de escalpelamento durante o período de tratamento. Entre as várias mulheres que lá residem, dona Arlene Prata, 43, é uma veterana. 

Ela sofreu o acidente no início da década de 80, aos 10 anos, quando perdeu 40% do couro cabeludo em acidente no município de Breves, no Marajó. No Espaço Acolher, além de receber tratamento, ela doa a sua amizade, conselhos e “colo de mãe” para várias mulheres e crianças da casa, compartilhando sua experiência de vida para amenizar a dor de quem acaba de chegar à casa.

“Eu sofri muito na minha juventude. Eu era criança na época do acidente e esqueci muita coisa. Quando fiquei adolescente e me olhei no espelho, entrei em desespero. Não queria ver ninguém, me isolava e me tornei agressiva. Com o tempo eu comecei a me aceitar e o meu marido foi muito importante nisso, pois ele me ama do jeito que eu sou. Tivemos três filhos maravilhosos e desde 2010 eu tive a oportunidade de retomar o meu tratamento. Agora estou fazendo a reconstrução do meu couro com expansores”, conta Arlene.  

Ela retornou para a Fundação Santa Casa após uma visita da Marinha Brasileira ao município de Breves, quando foi informada de que poderia fazer uma cirurgia para recuperar parte do couro cabeludo. Ela já passou por quatro cirurgias e enfrentará mais uma neste mês. Durante esse período ela voltou a estudar, fez atividades de arte e cursos de informática para conhecer o mundo digital, que abriu os seus olhos para novas possibilidades.

“Aqui eu pude aprender muita coisa e isso me ajudou a passar pelo tratamento. Quando a gente fica doente e sozinha na cama tudo é pior, mas aqui no Espaço Acolher a gente é muito bem cuidado”, diz dona Arlene, que hoje além das amigas na casa, também possui vários contatos em suas duas contas de facebook.

Empreendedorismo: mudança de vida com o próprio negócio
Dona Antônia Barbosa, 62 anos, é moradora de Icoaraci e mãe de três filhos. No final da primeira década dos anos 2000, ela se viu em uma situação grave: foi demitida e seu marido a abandonou. Sem renda fixa e com a necessidade de manter a casa e os três filhos adolescentes, ela improvisou e fez “bicos” de todos os tipos, que foram de faxina até a limpar covas no cemitério Santa Izabel, em Belém. Até que uma informação mudou a sua vida.

“Era uma luta diária. Todo dia a gente tinha que correr atrás de algum dinheiro para garantir a nossa comida. Eu fiz um pouco de tudo, cheguei a quase perder a esperança, mas eu continuei firme pelos meus filhos. Foi quando em 2008 eu soube do CredCidadão, e do que ele poderia fazer por mim”, explica dona Antônia.

Ela se informou do que era necessário para conseguir o empréstimo e conseguiu abrir a sua primeira venda de roupas e tecidos. Oito anos depois, a lojinha na Estrada da Maracacuera, em Icoaraci, segue firme e foi responsável por reerguer a vida da família de dona Antônia, que já faz muitos planos.

“Hoje eu posso dizer que a gente vive bem. Meus filhos estão bem, um deles mora em Santa Catarina e os outros já estão encaminhados. Minha neta trabalha comigo na loja e eu já posso ter a dignidade de comer o que quero, garantir a nossa casa e até fazer planos para viajar. Sou muito grata ao que esse programa de crédito fez por mim e, ao mesmo tempo, isso prova que sempre há um saída. As pessoas podem perder a esperança, mas sempre há alguma forma da gente se superar e vencer”, diz Antônia, que se emociona ao lembrar dos tempos difíceis.

O CredCidadão é um programa de microcrédito do Governo do Estado do Pará, que atende a micros e pequenos empreendedores. Este crédito funciona como uma ferramenta efetiva no processo de combate à pobreza, contribuindo para o fortalecimento do empreendedorismo para gerar trabalho, renda e qualidade de vida.
Diego Andrade - Secretaria de Estado de Comunicação
Agência Pará de Notícias

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