segunda-feira, 18 de abril de 2016

Agroecologia é aposta do governo para desenvolver a agricultura familiar

 O Pará tem 280 mil propriedades rurais onde se pratica a agricultura de base familiar. São esses produtores, espalhados pelos 144 municípios paraenses, que asseguram pelo menos 75% dos alimentos consumidos diariamente pela população do Estado. Neste universo produtivo, a agroecologia está deixando de ser apenas um conceito para se tornar prática, graças ao trabalho da assistência técnica e das ações de fomento à agricultura familiar feito pelo Estado.

Agroecologia é um modelo que busca incorporar tecnologias que tornem a produção socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável, gerando alimentos mais saudáveis a partir do uso mínimo, ou até da eliminação, de produtos químicos danosos tanto para os consumidores quanto para o ambiente. “A assistência técnica e a extensão rural são os fios condutores deste modelo de agricultura de base sustentável, fazendo a ligação entre o conhecimento científico e os conhecimentos empíricos dos agricultores”, afirma o diretor de Agricultura Familiar da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Luiz Pinto.

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), que este ano completa 50 anos, foi uma das primeiras do país a, ainda na década de 90, incluir as diretrizes da agroecologia no plano de atuação. Hoje as discussões sobre a agroecologia avançam, tanto que estiveram no centro do debate da 2ª Conferência Estadual de Assistência Técnica (Ceater), que ocorreu em Belém, no período de 12 a 14 deste mês. 

O evento foi promovido pela Sedap em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e reuniu mais de 250 participantes, entre extensionistas rurais, assentados, agricultores familiares, mulheres do campo e povos e comunidades tradicionais.

“Discutimos, junto com representantes dos movimentos sociais e das comunidades tradicionais, as propostas que serão levadas pelo Pará para a conferência nacional e, ao mesmo tempo, ampliamos as discussões locais sobre as políticas públicas estaduais voltadas para a produção tradicional e familiar”, explica Luiz Pinto.

Segundo o diretor de agricultura familiar da Sedap, a meta do Governo do Estado é ampliar as ações de assistência técnica, de forma a levar a agricultura familiar a um novo patamar, com a incorporação de tecnologias que aumentem a produtividade e, ao mesmo tempo, preservem o ambiente, além de expandir as ações de transferência tecnológica para a produção de comunidades tradicionais, como as extrativistas e dos povos indígenas, incorporando mulheres e jovens ao processo produtivo rural e aumentando a renda das famílias de produtores.

Na aldeia Jeju, dos índios Tembé, no município de Santa Maria do Pará, a assistência técnica oferecida pela Emater ajuda a diversificar a produção, como explica Edmilson Tembé. “A gente trabalha com agricultura, mas estou começando agora com a criação de frango, o caipirão, porque esse foi um projeto que a gente tem e está com a Emater, que nos dá assistência”. E a incorporação de tecnologia já foi assimilada como algo fundamental. “Não adianta só plantar sem ter o conhecimento”, conclui.
Simone Romero - Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca
Agência Pará de Notícias

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