sábado, 2 de abril de 2016

Entra em vigor o seguro popular de automóveis

Proprietários de veículos com mais de cinco anos de uso poderão contratar o novo seguro popular de automóveis, com previsão de ser comercializado no segundo semestre deste ano. O novo produto permite a utilização de peças usadas, devidamente vistoriadas pelo InMetro, oriundas de empresas de desmontagem para reparo de veículos sinistrados. As regras do Seguro Auto Popular foram aprovadas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e passam a valer nesta sexta-feira após a divulgação no Diário Oficial da União. O objetivo é ampliar o número de carros segurados no país.

De acordo com a Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada, das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros (Fenacor), a previsão é que o custo para o consumidor seja reduzido em até 30% em relação ao seguro tradicional.

— Esta é uma grande vitória para a segurança viária e de apoio à Lei do Desmonte. Carros mais antigos não tinham, até o momento, preços de seguro diferenciados. Com a nova opção autorizada, os proprietários serão estimulados a efetuar reparos em locais legalizados, com peças usadas que estejam dentro da lei — comemora o presidente da Fenacor, Armando Vergilio, que também é o autor da Lei do Desmonte.

De acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), apesar de ter como principal mercado os donos de carros fabricados há mais de cinco anos, o seguro popular não será restrito a essa parcela da frota. Qualquer segurado poderá optar por esse seguro, desde que seja avisado que os reparos serão feitos com peças usadas ou seminovas. As novas regras também preveem que essas peças não poderão ser usadas quando envolver a segurança dos passageiros, como o sistema de freios, suspensão, cintos de segurança, entre outros.

Segundo informações do Denatran, no Brasil existem cerca de 65 milhões de veículos com mais de cinco anos de fabricação. Desses, estimasse que 30 milhões não tenha qualquer tipo de seguro.

Para o presente da Confederação Nacional de Seguros (CNseg), Márcio Coriolano, o novo seguro é um importante avanço, sobretudo diante do atual cenário econômico do país.
— É um salto muito grande para os veículos mais antigos, já que usar apenas peças novas originais torna o seguro muito caro e a implementação desse novo produto nesse momento de dificuldades de renda para o consumidor representa o entendimento da Susep de que é necessário ampliar o acesso da população à proteção de seu patrimônio — afirma.

De acordo, com as regras do novo seguro, as peças precisam estar de acordo com às exigências técnicas feitas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para sua reutilização. 

A cobertura principal do Seguro Auto Popular deverá compreender, no mínimo, a garantia de indenização por danos causados ao veículo por colisão, sendo proibida a oferta de cobertura que preveja apenas a indenização integral por colisão. O segurado também poderá optar, em caso de danos parciais, entre a utilização de oficinas de sua livre escolha ou de oficinas pertencentes à rede referenciada da seguradora.

Apesar de comemorar a resolução do novo seguro, Coriolano enfatiza que, ainda há a necessidade de aperfeiçoamento de alguns pontos para que sejam contempladas as expectativas em relação ao novo produto por parte dos consumidores e das seguradoras.

— Poderiam ser incluídas, por exemplo, peças usadas genéricas, e não apenas usadas originais. Isso ampliaria ainda mais o acesso. O fato do segurado poder também escolher a oficina e não restringir as referenciadas pode ser um complicador para o próprio segurado. Entretanto, acreditamos que o novo produto será muito bem recebido pelas seguradoras e pelos segurados — afirma.

Coriolano acredita que a redução do preço do seguro pode variar de acordo com a região — Essa redução será maior nas localidades onde o principal fator de indenizações por parte das seguradoras decorra de colisões de veículos — destaca o executivo.
O presidente da CNseg projeta ainda que o Seguro Auto Popular poderá representar um crescimento de até 10% na quantidade de veículos segurados no país, hoje com cerca de 17,5 milhões.

As seguradoras que comercializarem o Seguro Auto Popular com vigência anual deverão oferecer obrigatoriamente na proposta a opção de pagamento integral à vista ou em até doze parcelas mensais, sendo a primeira à vista. A oferta, a apresentação e a utilização de peças, conjuntos de peças ou serviços que incluam, total ou parcialmente, peças oriundas de desmontagem devem assegurar aos motoristas informações claras, suficientes e destacadas acerca da procedência e das condições do produto. (O Globo)

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