quarta-feira, 13 de abril de 2016

Governador apresenta projeto de verticalização da produção em SP

A sala de reuniões de uma casa de eventos no Morumbi, em São Paulo, ficou lotada. Frente a frente, o governador Simão Jatene e empresários exportadores de várias partes do Brasil com projetos e empreendimentos no estado do Pará. "Nem tudo que vem para a Amazônia é bom, assim como nem tudo que vem é para explorar ou depredar", disse o governador, abrindo a exposição. "O que nós queremos, hoje, aqui, com os senhores, é inaugurar uma nova fase, um novo padrão para implantar novos e grandes projetos na Amazônia, a partir do estado do Pará, sem impôr ideias, mas encontrando soluções, juntos, para que as empresas lucrem sem penalizar a população e o meio-ambiente, com garantias concretas de segurança social para todos", afirmou Simão Jatene.

Esta é a segunda reunião entre o Governo do Estado e os empresários ligados à  Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Hidrovia do Tapajós (ATAP), visando a implantação de um programa de verticalização da produção no Estado, a maior de todas as condicionantes para a concessão da licença ambiental dos portos. O Pará não quer ser apenas um corredor por onde deve passar a produção agrícola de outros estados, até a chegada aos portos do oeste paraense.

Benefícios
A estimativa é de que só com a soja do Mato Grosso os produtores ganhem entre US$ 20 e US$ 30 por tonelada no custo logístico, se o produto for escoado pelo Norte e não pelos portos do Sul-Sudeste do país. "O Pará precisa ganhar com esse escoamento, não ficando apenas com a degradação ambiental", disse o governador aos empresários. "Todos devem ganhar e o estado e sua população não podem perder", completou.

Sob o tema "Desenvolvimento Harmônico Sustentável em Regiões Impactadas por Grandes Empreendimentos", a reunião em São Paulo teve a participação, além do governador, do secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Estado, Adnan Demachki, e de Liane Freire, da organização ONU-Habitat (Dialog), que expôs aos empresários o projeto que vem sendo desenvolvido com o estado.

“Estamos abrindo o debate com os exportadores, que são muito bem-vindos ao Estado. Queremos contribuir para que eles exportem, mas parte dessa soja precisa ser processada aqui no nosso Estado, gerando óleo e, sobretudo, proteína animal – frangos e suínos, para gerar empregos e riqueza no Estado", afirmou Adnan Demachki.

Segundo Adnan, o Governo quer contribuir com a mobilidade da produção de soja nacional, mas o Estado precisa, também, partilhar dessa riqueza. “Não podemos colocar essas 30 milhões de toneladas de soja dentro de navios e mandarmos ‘in natura’ essa valiosa matéria-prima. Essa conta não pode ser só nossa”.

Adnan disse, ainda, que o governo está lançando mão de todos os instrumentos para que o Pará seja cada vez menos extrativista e a verticalização é o foco principal da nova legislação de incentivos fiscais do Estado.

Demachki observa que a cada 1 milhão de toneladas de soja transformadas em óleo e em ração para suínos e aves são gerados 7.500 empregos. “Verticalizar é gerar mais emprego e renda no Pará e os melhores empregos estão na segunda e terceira etapa da cadeia, justamente aquela que produz produtos com valor agregado”, reforçou  o secretário.

Apoio
Atentos, CEOs e representantes de empresas como Bunge Brasil, Cargill Agrícola, Hidrovias do Brasil, Hydro-ALunorte, Mineração Buritirama, Termogás, Odebrecht Transport e Votorantin Metais, fizeram várias perguntas ao governador e expuseram algumas dificuldades enfrentadas em seus projetos em solo paraense.

Tiveram do governador a garantia de que, a partir do encontro de São Paulo, reuniões particulares com técnicos do estado serão realizadas para que cada caso seja estudado e que o projeto de verticalização tenha andamento e se transforme em medida prática.

"O  desenvolvimento sustentável e harmônico tem que ser mais que um conjunto de palavras e sim uma nova experiência real", disse o governador. Alguns empresários perguntaram se os prefeitos estão engajados no projeto para que ele efetivamente seja concretizado. "Mais que os prefeitos, as prefeituras", afirmou Simão Jatene. 

Já estamos conversando com o poder público municipal das cidades envolvidas ou atingidas pelos projetos, explicando a proposta, para que cada um se engaje no processo", disse o governador.

A repercussão da reunião foi a melhor possível. André Miranda, diretor de Relações Governamentais para a América do Sul da ADM/Glencore, que opera há três anos na área portuária de Barcarena, disse que o projeto, de antemão, terá todo o apoio da empresa. 

"Quem dera outros estados fizessem o mesmo", disse André. "Se a proposta for realmente implantada, outros estados devem copiar, fazendo do Pará um exemplo", concluiu. Rodrigo Veloso, diretor de investimentos da Odebrecht Transport, também elogiou a iniciativa e disse que quer iniciar os contatos imediatamente para participar do processo.

"Vamos mudar essa relação entre poder público e iniciativa privada", afirmou o governador Simão Jatene. "O que está se inaugurando aqui é uma nova forma de pensar a relação entre essas duas partes e o Pará não está do lado contrário da mesa porque a mesa agora é redonda, num espaço onde todos ouvem e são ouvidos, trazendo benefícios futuros para toda a população paraense", concluiu o governador.
Pascoal Gemaque - Secretaria de Estado de Comunicação
Agência Pará de Notícias

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