segunda-feira, 16 de maio de 2016

Assistentes Sociais acolhem o cidadão no Sistema de Segurança Pública do Estado

Ontem domingo, 15 de maio, se comemorou o Dia Nacional do Assistente Social. O dia surgiu com a aprovação da Lei nº 3.252, de 27 de Agosto de 1957, através do Decreto Federal nº 994, de 15 de Maio de 1962, que regulamenta e oficializa a profissão no Brasil.
Como um membro ativo na luta pelos direitos humanos, o assistente social é fundamental na segurança pública do Estado. A Polícia Civil, por exemplo, conta com 35 assistentes sociais. O setor, em cinco anos, já atendeu aproximadamente 90 mil pessoas nas diversas situações de conflitos sociais, violações de direitos de crianças e adolescentes, idosos, deficientes, crimes discriminatórios e violência doméstica.

Os profissionais que atuam neste setor desenvolvem nas unidades policiais, além do atendimento de rotina, ações de prevenção e educação à não violência e promoção da paz. O trabalho tem como objetivo prevenir situações que podem gerar a violência e a criminalidade, assim como exercitar a cidadania no trato com as questões sociais que requeiram acesso a bens e serviços das demais políticas setoriais, através de esclarecimento, orientação e encaminhamentos às redes sócio-assistencial e jurídica.

“O trabalho das assistentes sociais precisa ser reconhecido pela sociedade porque ele é fundamental, principalmente na área da prevenção. É importante que a sociedade saiba que dentro de cada seccional, você tem um profissional com o qual pode contar, antes de seu marido ou companheiro vir a se transformar em um agressor. 

Muitas vezes, um homem nem percebe que ele está se transformando em um criminoso e a assistente social o faz refletir sobre a situação e consegue evitar que um lar seja destruído”, conta a delegada Sílvia Rego, diretora de Prevenção Social da Violência e Criminalidade da Polícia Civil.

Mas quando a violência acontece, o serviço de assistência social é fundamental no acolhimento. Na Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), as assistentes sociais dão o suporte necessário às mulheres que chegam à unidade fragilizadas pela agressão de seus companheiros.

A doméstica E. H., casada há 13 anos, procurou a Deam para denunciar as agressões recorrentes sofridas por ela nas mãos de seu marido. A doméstica, natural de Fortaleza, no Ceará, e sem parentes morando no Estado do Pará, levou alguns anos para tomar coragem de denunciar. Depois de fazer o boletim de ocorrência e ter conversado com a assistente social Ângela Meireles, o sentimento é de alívio.

”Tinha medo de vir aqui por causa das ameaças de morte. Quando a gente vem fazer uma denúncia, a gente não sabe o que vem depois. Mas agora me sinto mais tranquila por saber exatamente o que tenho que fazer, as medidas para eu me resguardar”, contou, com o filho de 9 meses no colo.

Depois de ouvir mais um dos tantos depoimentos que presencia, a assistente social tem a certeza de que escolheu a profissão certa: “Muitas vítimas de violência doméstica passam anos caladas e quando elas vêm aqui, passam a encarar uma outra etapa da vida. Me sinto muito gratificada por estar ajudando essas mulheres a tirarem essa mordaça e também ajudando o Governo a diminuir os índices de violência”, reforçou Ângela Meireles.

O renascimento de algumas mulheres atendidas pelas assistentes sociais na Divisão Especializada de Atendimento à Mulher contrasta com o luto das pessoas que entram no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. Maria do Socorro Valente é uma das três assistentes sociais que trabalham no Centro, dando atendimento aos familiares que chegam acompanhando os corpos de seus entes queridos, geralmente vitimados por mortes violentas. 

O desafio diário de lidar com a dor alheia a motiva ainda mais no exercício da profissão de assistente social: “Eu  aprendo diariamente a me colocar no lugar do outro. Poder dar uma palavra de carinho no momento de uma morte violenta faz minha profissão valer muito a pena”, conclui a assistente social.

Números
No ano de 2015 foram realizados 14.412 atendimentos de assistência social nas unidades policiais, sendo que 1.565 foram realizados na Divisão Especializada no Atendimento à Mulher (Deam); 1.433 na Seccional da Marambaia; e 1.223 na Seccional de Icoaraci. Os demais atendimentos foram registrados em UIPP's, Seccionais e Delegacias.

Foram 15.823 situações apresentadas. A maior parte delas, com 4.334 registros, refere-se a conflitos de gênero, violência doméstica, conflito escolar e outros. O segundo tipo de conflito mais registrado foi de ameaça, calúnia e injúria, com 3.199 casos. Já conflito familiar recebeu um total de 2.891 registros. No total, 16.500 pessoas foram acolhidas pelo setor social da Polícia Civil.

Em relação a boletins de ocorrência, foram recebidos 2.272 e 1.300 foram solucionados. O Disque Denúncia recebeu um total de 130 casos, dos quais 111 foram resolvidos. Foram realizados também 1.800 encaminhamentos de usuários à rede de serviços sócio-jurídico e assistencial.

Orientações e esclarecimentos aos usuários sobre seus direitos, leis e benefícios somam um total de 10 mil atendimentos. Além disso, foram registrados também 2.822 acordos realizados entre as partes a partir de demandas espontâneas e 150 visitas domiciliares para verificar situações de violação de direitos de crianças, adolescentes e idosos.
Por Syanne Neno - Agência Pará

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