quinta-feira, 5 de maio de 2016

Belém será sede do primeiro encontro preparatório para o 8º Fórum Mundial da Água

A gestão da água na Amazônia estará em destaque no mês de junho durante o projeto “O Norte das Águas”. O evento, preparatório do Fórum Mundial da Água, que acontece em 2018, em Brasília, foi lançado na noite de ontem quarta-feira, 4, no Espaço São José Liberto, em Belém. A cerimônia contou com a presença do governador do Estado, Simão Jatene, do governador do Conselho Mundial da Água, Newton de Lima Azevedo, do secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Luiz Fernandes, entre outros gestores municipais e estaduais. Belém será a primeira de seis cidades da América Latina a promover discussões para subsidiar o programa da 8º edição do Fórum Mundial. "Esse evento é o primeiro no Brasil e nada mais justo que começarmos por Belém. 

A cidade tem todas as condições para tal, avaliando-se do ponto de vista da relação da água com a população, com a floresta, com a produção de energia e as mudanças climáticas, entre outros fatores. A água é o fio condutor para o desenvolvimento de um país e assim é no mundo", afirmou o governador do CMA, Newton de Lima Azevedo.

Para o chefe do Executivo Estadual, mesmo sendo um recurso abundante na Amazônia, a água precisa ser tratada e vista sob uma nova ótica de preservação e progresso. "Temos que ter a compreensão de que a água, mais de que um elemento importante para a produção de bens e para o consumo, é a razão da própria vida. 

E exatamente por isso ela precisa ter um outro tipo de tratamento. Além do mais é importante para o turismo, já que é parte essencial de muitos atrativos do setor, como as belas praias, rios, igarapés e cachoeiras que todos os anos atraem milhares de turistas ao Pará", destacou.

Segundo Jatene, sob essa perspectiva, “O Norte das Águas” traz a possibilidade da própria Amazônia mostrar ao mundo que entende a importância da água para a vida e para o equilíbrio do planeta. "Mas é importante que essa percepção seja de forma globalizada. E para isso temos que ter parceiros no processo de construção de um outra relação entre o homem e a natureza, particularmente entre  o homem e a água", acrescentou.

Entre as ações que demonstram a preocupação do governo do Estado com a questão da gestão dos recursos hídricos está a Taxa de Controle, Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Exploração e Aproveitamento de Recursos Hídricos (TFRH), criada em 2014. "A taxa vem exatamente na busca disso, mas tenho a clareza que ela é um passo de uma longa caminhada que Estado e a sociedade tem que fazer juntos. 

Não podemos entendê-la simplesmente como uma medida fiscal no sentido de receita para o Estado, pois é mais do que isso. Ela é de fato um alerta de que esse recurso precisa ser tratado com cuidado, porque ele é finito e vital", ressaltou o governador.

Brasília 2018 - A programação tem início com as atividades que serão desenvolvidas na capital paraense no período de 9 a 12 de junho deste ano. Durante quatro dias, especialistas e sociedade estarão reunidos para discutir as demandas do Brasil e dos países vizinhos, além da necessidade de gestão integrada dos recursos hídricos e as mudanças climáticas que afetam diretamente a população amazônica. 

Entre as atividades que serão desenvolvidas estão oficinas de capacitação em gastronomia, jornalismo, cinema e fotografia. “Ao realizarmos um encontro como este nas cidades, deixaremos como legado essas capacitações, uma maneira de formar futuros líderes no tema", explicou Newton Azevedo.

O encontro também pretende mobilizar a sociedade a partir de debates interativos, apresentações culturais e palestras com pesquisadores de renome sobre essa temática."Esse é um evento de inclusão social, pois traremos toda a sociedade para falar do assunto, não só a academia ou a classe política. Costumo dizer que estamos 'saindo da caixinha' ao levar esse assunto para a rua, para que as pessoas, em especial os jovens, começem a entender a importância deste bem", reiterou Newton.

Todas as opiniões e reflexões farão parte da visão da região Norte, representada pela capital paraense. Os resultados dos debates serão organizados na chamada Carta de Belém e serão colocados na agenda da 8ª edição do Fórum, em março de 2018, em Brasília, que terá como tema "Compartilhando a Água".

Depois de Belém, a próxima cidade a contar com os debates será Tijuana, no México, no mês de setembro. Já em novembro, será a vez de Salvador, na Bahia. A programação preparatória segue em 2017 com atividades em Santiago, no Chile, assim como em Foz do Iguaçu, no Paraná, e São Paulo. O Fórum Mundial da Água é promovido a cada três anos e teve a última edição em abril de 2015, nas cidades de Daegu e Gyeongbuk, na Coreia do Sul.
Por Lidiane Sousa - Agência Pará

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