terça-feira, 17 de maio de 2016

Educação financeira de famílias carentes é objeto de protocolo

Pesquisa feita pela Federação do Comércio do Pará em 2015 mostra como está a vida financeira do paraense no momento que hoje o Brasil vive: 70% da população, entre 500 mil consumidores ouvidos, está endividada, com parcelas ainda a serem pagas, enquanto 26,6% estão inadimplentes e 10% confirmam que não têm de onde tirar dinheiro para saldar dívidas. Frente a esse cenário duro, porém, um consenso aponta: é necessário observar boas saídas como oportunidades em meio ao temporal, e a lição que fica é a necessidade de trabalho em parcerias, envolvendo várias esferas governamentais e da sociedade. Tudo isso para ajudar a enfrentar esse desafio com a ajuda da melhor ferramenta à mão: a educação financeira. Essa foi a tônica do encontro que reuniu, na tarde desta terça-feira (17), representantes do Governo do Estado, do Conselho Regional de Economia do Pará (Corecon) e da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). 

Eles assinaram um protocolo de intenções, com duração de um ano, que vai viabilizar, para breve, uma agenda de palestras, a serem ministradas por economistas ligados ao Corecon, para ajudar servidores públicos, empreendedores ligados ao Programa Credcidadão e também cerca de 3,6 mil famílias atendidas pelo Pro Paz a lidar melhor com as finanças pessoais – e a aprender como podem sair protegidos do momento de turbulências.

“Quando as famílias souberem como administrar o orçamento, mesmo que muito pequeno, elas sobreviverão aos momentos difíceis. Nesse sentido, num momento delicado do país, a procura de parceiros é crucial. Sabemos o quanto a educação financeira é importante para a população”, pontuou na cerimônia Izabela Jatene, titular da Secretaria Extraordinária de Estado de Integração de Políticas Sociais (Seeips) – a instância maior que é o grande guarda-chuva para as ações do Governo do Estado articuladas a partir de agora com o Corecon.

Além da chancela de Eduardo José Monteiro Costa, presidente da Fapespa – entidade que contribuirá com dados para a ação –, o protocolo assinado pelo Corecon com o Governo do Estado será operacionalizado por meio da Fundação Pro Paz, Escola de Governança Pública do Pará (EGPA) e Credcidadão.

A assinatura do protocolo de intenções ocorreu no prédio do Corecon, no Umarizal. Ainda participaram da oficialização do documento, além de Izabela Jatene, o presidente do Conselho Regional de Economia, Nélio Geraldo Bordalo Filho; o diretor geral da EGPA, Ruy Martini Santos Filho; o presidente da Fundação Pro Paz, Jorge Antônio Bittencourt, e a diretora geral do Programa de Microcrédito Credcidadão, Tetê Santos.

Orientação –  “Esse é um momento muito importante para o Corecon. A educação financeira é crucial como ferramenta para a população vencer esses desafios, e essa iniciativa surge de uma vontade pessoal dos nossos conselheiros, de buscar ações que nos levem a compromissos mais sociais, comprometidos com esse momento”, avaliou Nélio Bordalo. As palestras serão voltadas para públicos diversos, ligados às esferas de ação do Governo do Estado, e devem começar em breve, assim que uma agenda começar a ser formatada conjuntamente entre os signatários do protocolo.

Por meio da EGPA, funcionários públicos devem ser beneficiados com as lições em educação financeira. “Seria ingênuo achar que as instituições poderiam atravessar sozinhas este momento revolto pelo qual passamos. Por isso é tão importante a necessidade de parcerias”, avaliou Ruy Martini Santos Filho. “Não é segredo a crise severa que afeta tantos paraenses. É preciso muita criatividade para superá-la. É isso que fará a diferença para as famílias assistidas por essa ação”, avaliou o presidente da Fapespa, Eduardo Costa.

Para Jorge Bittencourt, da Fundação Pro Paz, o protocolo assinado com o Corecon significa a ampliação de um serviço importante de assistência a mais de três mil famílias atendidas num momento delicado, justamente a clientela do programa. “Estamos ansiosos pelos passos seguintes”. Da mesma forma, outra clientela atendida pelo esforço de levar ensinamentos básicos para as finanças domésticas são os empreendedores beneficiários do Credcidadão. 

Além do benefício dos controles sobre as contas, há outro retorno importante, que é ajudar os pagamentos a serem honrados. “Isso também é dar garantias de que esse dinheiro investido retornará aos cofres públicos, para ajudar outros empreendedores”, resumiu Izabela Jatene.

“Agora é hora de botar o protocolo em prática. Acreditamos que em duas semanas já poderemos começar a esboçar essa agenda. É importante ressaltar que a situação de Belém não é tão diferente das de outras capitais do país, mas é preciso encontrar caminhos. Essa é uma luta árdua. É por isso mesmo que essas instituições estão juntas. Para que a população que está carente desse apoio possa contar com essa ajuda”, pontuou a titular da Seeips.

(Lázaro Magalhães - Agência Pará)

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