quarta-feira, 11 de maio de 2016

Feira Pan-Amazônica do Livro fará homenagem ao planeta Terra, o país de todos

Um dos eventos literários mais importantes do país chega a duas décadas de existência. A Feira Pan-Amazônica do Livro já faz parte do calendário e da vida de muitos paraenses. Realizada no Hangar Centro de Convenções há dez anos, o evento já passou por vários espaços da cidade. Quando tudo começou, em 1997, como um projeto ainda tímido e pequeno, a feira ocupou uma área de 2.000 m² no Centro Cultural Tancredo Neves (Centur), com cerca de 66 estandes e uma média de público de 102 mil visitantes. Neste endereço ficou por seis anos, mudando-se para a Companhia Docas do Pará, com um espaço maior, 10.000 m², no ano seguinte.

As próximas edições ocuparam um galpão no Hangar (antes da reforma) e o Centro de Eventos Júlio César, onde várias tendas eram montadas para atender ao público. Foi a partir da 11ª edição que o centro de convenções da Amazônia tornou-se a casa fixa da Pan-Amazônica, disponibilizando uma área de 24 mil m² para a exibição dos 225 expositores e para a circulação de mais 400 mil visitantes.

Diante de um cenário onde se discute muito a prática da leitura em um país considerado de poucos leitores, ver um evento literário crescer é motivo de orgulho. “Associo o interesse do público à programação que a feira oferece. As pessoas têm contato com os escritores, tem uma farta oferta de livros, tem teatro, contação de história, cinema, manifestações folclóricas. Tudo isso cria uma ambiência que favorece o contato com o livro, estimulando a leitura”, opina Ana Catarina Brito, diretora de Cultura da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e organizadora da feira há seis anos.

“A Feira do tamanho que chegou e da importância que tem era inimaginável há 20 anos, quando plantamos a semente. Hoje, não é apenas uma feira, mas um evento cultural de destaque nacional e até mesmo internacional. Ou seja, é um encontro de cultura e de arte que se aprimora a cada ano sem perder a característica de uma feira de livro”, pontua Paulo Chaves, secretário de Estado de Cultura.

Programar uma feira do livro dura um ano inteiro. Ao terminar uma edição, os organizadores já começam a pensar na próxima, buscando sempre estimular a participação dos municípios, principalmente da rede escolar, porque é aí, segundo Paulo Chaves, que está o futuro do país. A programação não se resume aos 10 dias em Belém, se estende aos outros meses do ano, com saraus literários, com a Pan-Amazônica na Escola, com gincanas literárias, Pan-Amazônica nos Municípios e, mais recentemente, com os salões regionais do livro em cidades como Santarém, no oeste do Pará.

Todos os anos, a organização escolhe um autor paraense para ser homenageado. Já ganharam destaque Benedito Nunes, Ruy Barata, Eneida de Moraes, Max Martins, Bruno de Menezes e vários outros. Como exceção, Ariano Suassuna foi homenageado também. Há ainda, em todas as edições, um país convidado. Já passaram pela feira Portugal, Argentina, França, Japão, Itália e Peru.

Este ano, na vigésima edição da feira, a escritora homenageada será a professora e doutora paraense Amarilis Tupiassú. E o homenageado não será um país, mas sim o planeta Terra. “Procuraremos focar os principais temas nesta direção, no sentido de termos uma convivência pacífica e harmoniosa em todo o planeta, respeitando as diferenças e, particularmente, o meio ambiente”, explica Paulo Chaves.

Na programação, já estão confirmados os seguintes autores: Paulo Markun, Carlos Moore, João Anzanello Carrascoza e Ziraldo. No Encontro Literário Paraense estarão presentes Antônio Juracy Siqueira, Rosângela Darwich, Daniel Leite, Antônio Moura, Alfredo Garcia, Vicente Cecim, Salomão Laredo, dentre outros. Para comemorar estes 20 anos de evento, uma exposição no hall do primeiro piso do Hangar vai rememorar todos os momentos marcantes da feira, autores que já passaram por ela, atrações nacionais e internacionais.

Histórias
A família da jornalista Maria Christina Barbosa frequenta a feira desde a primeira edição. A paixão da mãe pela leitura fez com que as filhas e as netas adquirissem o hábito também. Ela conta que ver o seu pai devorar páginas e páginas de livros fez com que ela ficasse encantada e, automaticamente, se influenciasse para este vício saudável. “Meu pai era um leitor voraz, tinha uma estante enorme. Muitos livros eu não podia ler porque meu pai não deixava, mas desde muito nova eu lia, então passei isso para as minhas filhas”, recorda a jornalista.

A mais velha das três meninas de Christina, Maria Clara Henriques, tem uma biblioteca em sua casa e entre os estilos literários presentes estão os romances. A filha de Maria Clara, Maria Alice Henriques, de 11 anos, foi incentivada desde nova a ter contato com as histórias contadas pelos livros. “Aprendi a gostar de ler com a minha mãe e passei isso para as minhas filhas. 

O que eu puder fazer para manter esse hábito em casa eu vou fazer”, diz Clara. Todas as vezes que a família vai junto à Feira Pan-Amazônica, uma seção não pode ficar de fora da visitação: a infantil. Para elas, é um espaço extremamente educativo e criativo.

Há 24 anos trabalhando como professor de educação física, Mário Cardoso participa a pelo menos 10 anos das edições da feira do livro. Um dos criadores do projeto Xadrez Escolar do Brasil, o professor garante que o evento é muito mais do que uma exposição de obras literárias, é um espaço para a divulgação e experimentação de outras artes, esportes e conhecimentos.

Mário curte muito ler. Entre as suas histórias preferidas estão as que contam sobre as duas guerras mundiais. “Acho que nasci para ser militar”, brinca. Por ser professor da Escola Estadual Miguel de Santa Brígida, em Salinas, ele tem direito ao Credlivro, um bônus concedido pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) aos professores para que possam adquirir livros durante o evento. 

Para ele, o benefício oferece vantagens tanto para o servidor quanto para a sua família. “Sempre comprei livros para os meus filhos. É uma forma de incentivá-los à leitura também”, conta. Só no ano passado, foram disponibilizados R$ 4 milhões, ou seja, o Credlivro beneficiou cerca de 20 mil profissionais.

“A leitura é vital para o sucesso de uma pessoa. Leva a ter uma melhor compreensão do mundo e da vida, desenvolve a compreensão, a interpretação, a memória, a criatividade, a atenção e a concentração”, enfatiza o professor. Então, já dizia Monteiro Lobato, grande escritor brasileiro: um país se faz com homens e livros.
Por Bianca Teixeira - Agência Pará

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