quinta-feira, 12 de maio de 2016

Governo do Estado já entregou 134 ambulâncias para 97 municípios

No dia 5 de maio, o Governo do Estado fez, em Belém, a entrega de sete novas ambulâncias destinadas ao reforço de atendimento em saúde em seis municípios do interior do Pará. Dessa vez, Igarapé-Açu, São João de Pirabas, Igarapé-Miri, Paragominas, Curuçá e Trairão foram contemplados. Frutos de R$ 525 mil em investimentos do Estado, conquistados através de emendas de parlamentares, essas ambulâncias agora farão uma grande diferença para várias comunidades paraenses – muitas delas marcadas por duras peculiaridades geográficas e socioeconômicas, que ainda impõem desafios ao atendimento em saúde em várias regiões do Estado.

Porém, ao contrário do que se possa imaginar, a entrega desses sete novos veículos, equipados para socorro a estas localidades, está longe de ser pontual. Ela se soma a um contexto de grandes avanços para a saúde no Pará, focados, em especial, por um plano firme voltado à implantação de políticas mais sólidas para o atendimento de urgência e emergência no Estado.

Com o último repasse dessas novas unidades de socorro básico, na semana passada, o Estado chega agora à marca de 134 ambulâncias já entregues em todo seu território desde 2013 - entre modelos para atendimento no asfalto, nos ramais e estradas de terra batida e até mesmo pelos rios, como é o caso das ambulanchas que se somaram a essa nova frota.

Esse é o atual balanço de um significativo esforço de atendimento do Governo do Pará, que já lista 97 municípios paraenses envolvidos até agora, além de um saldo acumulado de mais de R$ 10,3 milhões já investidos na aquisição de veículos, que são cruciais para a atenção básica e para o atendimento hospitalar de populações das várias regiões do Estado.
“Tudo isso significa dignidade. Se podemos resumir, em uma única palavra, esse avanço vivido no Estado, o que estamos garantindo é mais dignidade a essas comunidades de todo o Pará”, avalia Heloísa Guimarães, secretária-adjunta da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). A médica, que assumiu a secretaria adjunta em 2012, fala com propriedade. 
A doutora Heloísa é uma cardiologista que traçou uma carreira com reconhecida atuação na área de urgência e emergência. “Isso é suavizar o atendimento a um ser humano em um momento crítico, de muita dor, para ele e sua família, numa hora em que se está muito sensível e vulnerável, seja por uma simples fratura de calcanhar, seja por uma situação mais grave. É preciso dar condições adequadas de transporte, seja para uma remoção simples, seja por grandes distâncias, como geralmente acontece em nosso Estado. Nós da Sespa temos a exata dimensão do grande impacto que uma simples ambulância tem para o atendimento a essas populações por todo o Pará”.

A cardiologista ressalta: outro fator de impacto para a chegada de uma ambulância a uma comunidade que ainda não dispõe desse apoio é também de ordem mais técnica. E as repercussões para a saúde dos socorridos podem significar até a diferença entre vida e a morte. É o que a medicina chama de ‘hora de ouro’, ou ‘thegolden hour’. É a primeira hora de atendimento, contada logo após a ocorrência do fato que exigiu a atuação de emergência e urgência. “É a corrida que começa a partir do momento em que acontece o fato que gera a necessidade de atendimento. 

Seja tanto para algo mais simples, seja para um evento mais agudo, como um atropelamento ou os acidentes de moto, que hoje ocupam 70% dos atendimentos em hospitais, sabe-se que esse primeiro atendimento faz muita diferença”, explica Heloísa Guimarães. “Em muitos casos, o transporte feito de maneira errada, muitas vezes numa traseira de caminhão ou em outros veículos, e sem o apoio de equipes treinadas, pode acarretar em agravamentos de muitos dos quadros atendidos”.
Rede pela vida

A luta de governos e entidades de saúde pela ampliação das frotas de ambulâncias para atendimentos de urgência e emergência é um desafio global que pede especial atenção frente aos cenários brasileiros. A Organização Mundial de Saúde recomenda: o ideal é que haja pelo menos uma ambulância disponível para atendimento para cada grupo de até 150 mil habitantes. O Ministério da Saúde, por sua vez, já estabeleceu em portaria que no Brasil é preciso manter pelo menos um veículo de atendimento básico para cada grupo de 50 mil pessoas, além de uma ambulância com capacidade para atendimento avançado para cada região com 150 mil habitantes.

Porém, a secretária-adjunta da Sespa adverte: os desafios que se colocam no Brasil para a expansão da oferta de serviços de atendimento de urgência e emergência vão além do alcance da simples distribuição de ambulâncias em várias localidades. As ambulâncias são apenas uma parte de uma rede de atendimento que precisa estar muito bem apta e coordenada. 

“No caso da expansão de ofertas de ambulâncias, é preciso entender que não estamos tratando apenas da ação de remoção, mas também dos meios para que o paciente já possa ser cuidado de forma mais adequada ainda no caminho do hospital e também ao chegar a esse local mais estruturado para recebê-lo e prestar o atendimento”, pontua Heloísa.

“O Estado do Pará hoje também está investindo muito na capacitação permanente das equipes de urgência e emergência que estão nessas ambulâncias. Esse primeiro momento de atendimento é muito importante. E não apenas na ambulância, que é apenas uma das pontas da urgência e emergência”. 

A cardiologista lembra que, além do acesso a ambulâncias e ambulanchas, os esforços em saúde do Estado do Pará hoje são centrados também na reestruturação e na requalificação das unidades de saúde, no treinamento de equipes de urgência e emergência e na estruturação de centrais de regulação de leitos - que são ‘nós’ estratégicos para essa rede de atendimento e socorro.

“Desde os municípios maiores, até o menor município, que dispõe só de um hospital de atendimento de pequeno porte, sempre há a obrigatoriedade de se ter pelo menos uma equipe formada por um médico e enfermeiro de plantão. E essa equipe precisa estar bem capacitada para atendimentos de urgência e emergência”, pondera Heloísa Guimarães. “A Sespa já visitou todos esses hospitais de pequeno porte e estamos estruturando hoje pelo menos um ou dois leitos de emergência em cada um deles, com pessoas capacitadas”.

Recentemente, Nova Ipixuna, Jacundá e Goianésia fizeram parte do roteiro desse esforço da Sespa. Além disso, de todos os 16 municípios do Arquipélago do Marajó, 15 já podem contar essas salas de estabilização para casos de urgência e emergência, com equipamentos adequados e equipes treinadas para atender casos mais complexos. “No Marajó, apenas Breves não precisou dessa atenção, porque já tem a sua UPA [unidade de pronto atendimento]”.

Mais ambulâncias pedem maior eficiência na gestão de leitos
Implementar políticas de estruturação do atendimento de urgência e emergência é algo extremamente importante em qualquer rincão do globo. No Estado do Pará, esse trabalho vem sendo desenvolvido desde 2011, com mais profundidade. Em 2013, ganhou fôlego ainda maior, após o estabelecimento do Plano Estadual de Urgência e Emergência. 

“Esse é o nosso grande desafio. Hoje já temos cerca de 70% dos municípios do Estado cobertos por essa meta traçada pelo plano”, enumera a secretária-adjunta da Sespa, sobre o compromisso de garantir estrutura mínima, como salas de estabilização com leitos qualificados para urgência e capacitação, para atendimento em hospitais de pequeno porte. Só a partir desses cuidados iniciais pacientes devem ser colocados em ambulâncias rumo a unidades hospitalares mais adequadas a cada caso. “Tudo isso já é um grande avanço”.

Porém, também paralelamente ao avanço das ofertas de ambulâncias nas diversas regiões do Estado, outro esforço importante é a garantia de uma política para oferta de leitos, com apoio de centrais de regulação. Hoje o Pará já possui centrais regionais de regulação de leitos do Samu na Grande Belém e também em Altamira, Santarém, Capanema e Conceição do Araguaia. Há também a Central Estadual de Leitos, sediada em Belém. “Além disso, possivelmente até agosto estaremos inaugurando a central regional de regulação de leitos de Marabá, para atender todo o sul e sudeste do Pará”, planeja a secretária-adjunta da Sespa.

A importância das centrais de regulação: assegurar também que pacientes não sejam transferidos ao calor do momento, de qualquer maneira, sem que haja um leito assegurado em outra unidade hospitalar. Tudo isso para que o paciente não seja um a mais a ficar à espera num outro corredor de hospital. “Recentemente tivemos o caso de um paciente que passou mal do coração em Salinas. Antigamente, o que se fazia era botar em uma ambulância para se transferir para Castanhal ou para prontos-socorros de Belém. Hoje não. 

Entra-se em contato com a central de leitos. Nós achamos um leito e ele já foi direto para o hospital Galileu, em Ananindeua. É claro que ainda não se consegue assegurar cem por cento das demandas por leitos seguros e regulados, mas nós já conseguimos agora organizar muito melhor o que chamamos de regiões de saúde”.
Sintonia com a comunidade

Se dar maior acesso a ambulâncias para as populações das diversas regiões do Pará e também estruturar as redes de atendimento ligadas a esses serviços de urgência e emergência são cruciais para se fortalecer as políticas de saúde do Estado, o papel dos representantes no Legislativo também cresce a cada dia nesse contexto de desafios e avanços a serem superados. 

E conforme já pontuou semana passada José Megale, chefe da Casa Civil do Governo Jatene, na última entrega das sete novas ambulâncias que atenderão mais seis municípios do Estado, esses avanços para a maior oferta de ambulâncias em todo o Pará são os resultados diretos de um franco esforço do Governo do Estado em disponibilizar recursos para a execução das emendas parlamentares voltadas para o atendimento de várias comunidades. Para Megale, o balanço positivo materializa a “harmonia” hoje existente entre os poderes Executivo, Legislativo e o Judiciário no Pará.

“Nosso município precisa de seis ambulâncias. Temos quatro postos de saúde, na zona rural, dentro de estradas, além da cidade. Para nós, esse já é um grande passo. Essa ambulância já chega servindo à sociedade. É uma ajuda imediata para Igarapé-Miri”, pontuou, na cerimônia de entrega do último dia 5, o prefeito Roberto Pina. 

“Fazemos atenção básica no nosso município e sabemos que não temos a estrutura para resolver algumas situações que fogem ao nosso alcance. Com essa ambulância, vamos poder transferir pacientes para outros municípios. A gente precisa desse apoio do Governo do Estado”, disse a prefeita de Igarapé-Açu, Sandra Miki Uesugi Nogueira, que também participou da entrega dos novos veículos.

“Temos notado que os parlamentares têm se mostrado cada vez mais sensíveis às demandas locais e têm ouvido melhor não apenas as comunidades, mas também a Sespa e os prefeitos, para tentar cobrir essas demandas”, avalia a secretária-adjunta da Sespa. “Isso é muitíssimo importante”, ponderou Heloísa Guimarães.
Por Governo do Estado do Pará

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