terça-feira, 31 de maio de 2016

Ophir Loyola elimina longa espera para a radioterapia

Cerca de 60% dos casos de câncer vão necessitar de radiação em pelo menos uma das fases do planejamento terapêutico. Para garantir o acesso rápido de pacientes do SUS a essa terapia, o Centro de Alta Complexidade em Oncologia Hospital Ophir Loyola (HOL) fechou convênios com serviços de saúde da rede privada de Belém, excluindo uma fila que até fevereiro totalizava 250 pacientes aguardando para iniciar o tratamento. Um dos assistidos por esse convênio foi Antônio Vieira, 45 anos, morador de Paragominas, no nordeste paraense. 

Após sentir uma forte dor no lado esquerdo do pescoço, Antônio procurou assistência médica no próprio município. Os exames detectaram um câncer de tireoide (glândula localizada na parte anterior ao pescoço). A partir daí, teve que se afastar das atividades de caseiro de uma fazenda para ser submetido ao tratamento em Belém. A cirurgia foi realizada para retirar o tumor, ele ficou 26 dias internado para a recuperação pós-cirúrgica.

Mesmo com o planejamento realizado para começar a radioterapia, Antônio precisou esperar para ser submetido ao tratamento. Nesse período, devido à demanda de atendimento, a gestão do Cacon realizou uma análise da situação da radioterapia do Pará e decidiu por uma medida resolutiva, em curto ou imediato prazo, para tratar os pacientes adequadamente e em tempo hábil, aprovada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e pela Coordenação Estadual de Oncologia.

O contrato assiste os casos de maior demanda no HOL, pacientes com câncer de próstata, mama, colo de útero e cabeça e pescoço, sem possibilidades de variação no estado clínico durante a terapia. Antônio foi selecionado para o encaminhamento a uma instituição conveniada, realizou 30 sessões de radioterapia e aguarda avaliação médica. “Já cheguei lá com toda documentação necessária, fui bem recebido e consegui finalizar essa fase do tratamento. Enfrentei alguns efeitos colaterais, mas estou confiante no resultado”, disse.

Demanda - O Instituto Nacional do Câncer preconiza a abrangência de um Acelerador Linear para cada grupo de 500 mil a 750 mil habitantes. O diretor geral do Ophir Loyola, Luiz Cláudio Chaves, ressalta que o Pará tem aproximadamente 8 milhões de habitantes e quatro aparelhos instalados em serviço público, dos quais três estão no HOL e um na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital Regional do Oeste do Pará, em Santarém.

“A necessidade ideal seria de 11 a 20 aceleradores para atender a toda a população. No Brasil, a saúde suplementar abrange uma cobertura de 25% da população. Isso significa, no nosso Estado, que 2 milhões de pessoas tem plano de saúde. Então, pode-se concluir que a saúde pública deve oferecer serviços de radioterapia a 6 milhões de paraenses e ter em funcionamento em torno de 6 a 10 máquinas para essa finalidade”, calcula o diretor.

Segundo Luiz Chaves, as principais dificuldades na expansão dos serviços são os preços de equipamentos, processo de aquisição, licenciamento de compra, instalação de aceleradores, licitação e construção de ‘sites’ ou’ ‘bunkeres’ (construções de concreto especial com paredes de até 2,5 metros de espessura) e contratação de profissionais da especialidade (radioterapeutas e físicos nucleares). Itens que estão contemplados nos programas de governo, mas demandam maior tempo de execução.
O Serviço de Radioterapia do HOL está instalado em uma área de 1.650 metros quadrados, com três aceleradores, dois simuladores, um aparelho de braquiterapia, um de cobalto e tem capacidade de atendimento de 250 sessões por dia. Os aceleradores combatem o tumor em profundidade, sem afetar as estruturas da pele do paciente e possuem um conjunto de multilâminas para proteger as áreas que não receberão as radiações. A equipe multidisciplinar é formada por radioterapeutas, físicos médicos, técnicos de radioterapia e enfermeiros.

Os serviços contratados possuem aceleradores lineares, tomossimuladores e corpo técnico completo. A negociação ocorreu ao preço SUS para prestação de serviços ao Estado, gerando o fim das filas de esperas. “Em respeito ao cidadão e para garantir o acesso à saúde, em curto ou imediato prazo, optou-se pelo convênio com serviços da rede privada, sem ônus para a saúde pública estadual”, pondera Chaves.

Radioterapia é um dos principais tratamentos contra o câncer
A radioterapia atinge área afetada pela doença com feixes de radiação que destroem ou impedem o crescimento das células cancerosas e busca danificar o mínimo possível as células saudáveis. O radioterapeuta Paulo Souza explica que os raios-x do acelerador linear são direcionados ao tumor e causam um dano no DNA da célula maligna, evitando o máximo possível o tecido sadio que está próximo da área a ser tratada.

“A administração é realizada em média com 25 a 35 aplicações diárias fracionadas, que são calculadas juntamente com o tempo de aplicação, conforme o tipo e tamanho do tumor, para que as células normais sobrevivam e consigam reparar o dano causado pela radiação”, explicou o radioterapeuta.

A modalidade pode ser usada em tratamentos associados, como por exemplo, cirurgia e radioterapia, quimioterapia e radioterapia ou cirurgia mais radioterapia e quimioterapia, com finalidade de cura ou isolada em cuidados paliativos para o controle da dor, parar um sangramento e garantir uma melhor qualidade de vida. “Alguns tumores iniciais de câncer de colo de útero, câncer de próstata, cabeça e pescoço, são exemplos clássicos de como a radioterapia exclusiva pode curar esses pacientes”, informou Paulo Souza.

No planejamento é delimitada a área onde o tumor está localizado, bem como os órgãos saudáveis adjacentes que serão protegidos. O físico realiza o cálculo das doses de radiação e direciona para o alvo do tratamento, evitando o máximo possível os outros órgãos. As sessões duram em média de 10 a 15 minutos e a dose a ser recebida varia conforme o  tipo e a indicação do tratamento.

Indicação ao tratamento de radioterapia
Primeiro o usuário deve passar por consulta e solicitação de exames para o diagnóstico dos sintomas com um clínico geral. Somente com uma biópsia confirmada deve ser feito o agendamento para o Ophir Loyola pela Secretaria Municipal de Saúde do município de origem. Se o paciente tiver uma biópsia positiva também pode se dirigir ao hospital para ser assistido por demanda espontânea.

Na primeira consulta no HOL, se confirmada a referência, o paciente é cadastrado e recebe uma carteirinha branca (documento de garantia de direitos na assistência, como o acesso à Unidade de Atendimento Imediato, durante intercorrências provenientes do câncer, etc.). Também é emitida uma guia médica para que o paciente agende o retorno e exames no ambulatório do hospital. 

Este também é recebido pelo serviço social, que passa as orientações sobre a assistência e direitos do paciente oncológico.
O oncologista solicita alguns exames para detectar a fase de tumoração. Geralmente, dependendo do estado clínico do paciente, tipo e localização do câncer, o especialista decidirá pelo tratamento adequado.

Após a indicação, o paciente passa por avaliação com radioterapeuta para a realização de uma análise prévia da área a ser tratada. Em seguida, é realizada uma tomografia computadorizada para planejamento juntamente com o físico para o estabelecimento da quantidade exata de radiação e números de aplicações, delimitação dos órgãos de risco (os órgãos normais que estão na mesma região do tumor) para evitar a toxicidade, que atinge pelo menos de 5 a 10% dos pacientes.

Muitos pacientes apresentam problemas de pele, como coceira, ressecamento, bolhas ou descamação. A queixa mais comumente relatada é fadiga. Normalmente, os efeitos colaterais somem em poucas semanas após o fim do tratamento e incluem reações conforme o órgão que está recebendo a radiação, como diarréia, náuseas e vômito, boca seca, feridas na boca, problemas urinários e na bexiga, dentre outros.

Fluxograma de radioterapia:
- O fluxograma de tratamento de radioterapia consiste em pelo menos seis etapas fundamentais concatenadas e obrigatórias: avaliação inicial, simulação do tratamento, cálculo de isodoses, prescrição do tratamento, controle de qualidade e as aplicações propriamente ditas.

- Na avaliação inicial é decidido se há indicação de tratamento com radiações ionizantes, seu “timing” em relação às demais modalidades terapêuticas empregadas, necessidade de outros exames complementares e explicação ao paciente sobre peculiaridades inerentes ao tratamento.

- Resolvidas tais questões, o paciente realiza a simulação. É neste momento que o radioterapeuta decide questões fundamentais a respeito da execução desta terapia, como posicionamento adotado pelo paciente, o uso de acessórios para imobilização, volume a ser tratado, tecidos normais a serem protegidos e necessidade de colimações, para então poder, propriamente, programar a incidência dos campos e determinar o tipo de radiação a ser empregada, dose total, número de frações e fases do tratamento.

- De posse desses dados, o físico-médico calcula as doses nos pontos de interesse, permitindo ao radioterapeuta escolher a isodose ideal para que o tumor seja tratado, com mínimo dano às estruturas normais que o cercam. Por isso, todo tratamento de 

radioterapia é criteriosamente individualizado para cada paciente.
- Existem várias técnicas de simulação descritas ao longo do tempo e com o progresso da medicina, prima-se por aquelas que permitam maior segurança, reprodutibilidade, agilidade e benefício em longo prazo. Neste contexto, o mínimo que se preconiza na atualidade é a simulação com portais ortogonais.

- Desta feita, todos os serviços de radioterapia de grande porte utilizam aparelhos específicos para tal atividade que são imprescindíveis para o funcionamento adequado e tratamento digno dos pacientes.
Por Leila Cruz - Agência Pará

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