sábado, 21 de maio de 2016

Teori inclui informações de Esteves em denúncia contra Lula

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou ontem sexta-feira (20) a inclusão de informações sobre o banqueiro André Esteves -- passadas pelo ex-senador Delcídio do Amaral --, na denúncia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
Em delação premiada, Delcídio afirmou que Esteves "é um dos principais mantenedores do Instituto Lula" e que "isso se deve a Lula ter sido um grande 'sponsor' [patrocinador] dos negócios do [banco] BTG".

A inclusão dessas informações foi pedida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que apontou "estreito relacionamento" entre André Esteves e o Instituto Lula.
Janot considera que, embora as doações do banqueiro para o instituto não constituam crime, o contexto em que foram feitas é "extremamente relevante" para investigações em andamento sobre o ex-presidente, "especialmente a que trata de possível prática de crime de
lavagem de dinheiro envolvendo o pagamento de suas palestras".

Delcídio também disse em sua delação premiada que Lula se utilizou de relações pessoais com chefes de Estado, especialmente na África, para alavancar negócios, mas que "não tem conhecimento de que isso tenha ocorrido em favor do Banco BTG".

A denúncia contra Lula na Lava Jato diz que ele se juntou a Delcídio a José Carlos Bumlai, pecuarista e amigo do ex-presidente; ao filho de Bumlai, Mauricio Bumlai, e atuaram para comprar por R$ 250 mil o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

O Instituto Lula alega que o ex-presidente "jamais" tentou interferir na conduta de Cerveró ou em qualquer outro assunto relacionado à Operação Lava Jato. Em nota divulgada nesta quinta (19), o instituto declarou que Lula já esclareceu em depoimento prestado à Procuradoria Geral da República que jamais conversou o Delcídio sobre o assunto.
Outros inquéritos

O mesmo trecho da delação de Delcídio foi anexado por Teori Zavascki a outros inquéritos da Lava Jato, um deles sobre o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A investigação trata de um suposto “comércio” de emendas operado pelo peemedebista, enquanto exercia o cargo de deputado federal.

A PGR suspeita que Cunha alterou textos de medidas provisórias para favorecer o BTG. Segundo Delcídio relatou, André Esteves tinha "relação densa" com Cunha.
“A frequência com que passaram a ser apresentadas emendas a medidas provisórias constitui elemento que corrobora a percepção do depoente de que havia negócios escusos subjacentes a essa prática”, diz trecho da delação de Delcídio.

As mesmas informações ainda deverão subsidiar outro inquérito que tramita na primeira instância, sob a supervisão do juiz Sérgio Moro. Tratam-se de menções a Esteves envolvendo a venda de postos de gasolina para a BR Distribuidora

Na delação, Delcídio diz que Esteves estaria interessado em calar Cerveró porque o ex-diretor, que também atuou na BR, tinha conhecimento sobre envolvimento de um sócio de Esteves em corrupção no negócio.

A defesa de Esteve pediu ao STF o arquivamento das citações ou que, caso não fosse arquivado, que se reconhecesse que há relação com inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal para apurar o envolvimento do ex-senador Fernando Collor de Mello com o mesmo esquema. Zavascki, no entanto,  atendeu pedido de Janot e enviou o caso para Moro. (G1)

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