sexta-feira, 17 de junho de 2016

Programa do CPC facilita identificação para que corpos não sejam enterrados como indigentes

Com o intuito de reduzir o número de pessoas sepultadas sem identificação e colaborar na busca por pessoas desaparecidas por meio de um atendimento especializado e humanizado, o Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves” (CPCRC) criou o Programa de Cadastro de Cadáveres Ignorados, sob a responsabilidade da Coordenadoria de Odontologia Legal e Antropologia Forense (COLAF), que é responsável por catalogar, registrar e divulgar a entrada e saída desses corpos que chegam à instituição.

 Os cadáveres que chegam ao Instituto Médico Legal (IML) sem identificação passam por um processo de cadastro: são nomeados por meio de um código, analisados criteriosamente para localização de tatuagens, marcas e cicatrizes que ajudam no reconhecimento, assim como as vestimentas com que chegam; tem a arcada dentária catalogada e são fotografados sob vários ângulos, além de terem material genético coletado para possíveis confrontos, caso algum familiar tente identificá-los após terem sido enterrados.

“Fazemos uma análise completa, verificando a arcada dentária, cicatrizes, tatuagens e outros sinais próprios da pessoa. Caso o corpo não esteja em boas condições, buscamos outras formas como impressão digital, análise de DNA e até raio X dos seios frontais da face”, explica Jones Mota, coordenador da odontologia legal e antropologia forense do CPC Renato Chaves.

Após esse processo, os corpos ficam guardados em câmara fria por um período de trinta dias e suas informações são armazenadas no sistema da COLAF. Caso identificação não ocorra dentro deste prazo, os cadáveres serão sepultados pelo CPC no Cemitério do Tapanã como ignorados. 

“Vale ressaltar que a informação do indivíduo fica armazenada no nosso banco de dados. Com isso, a família poderá fazer o reconhecimento, mesmo que posterior ao enterro”, pontua Wagner Vianna Barreto, gerente de identificação antropológica.

De acordo com o coordenador, o processo de identificação por um familiar é conduzido com muito cuidado para que não haja equívocos. “Os familiares preenchem uma ficha informando as características físicas da pessoa e o período em que a mesma desapareceu. 

A coordenação seleciona os corpos que reúnem características semelhantes às informadas pela família, que pode então visualizar as fotografias de cada um. Quando há dúvidas, o familiar é levado até ao IML para fazer o reconhecimento pessoalmente. 

Caso seja reconhecido, a família precisa apresentar uma documentação oficial de identificação do cadáver para que seja comprovado o parentesco e assina um termo de liberação”, explicou.

Moradores do bairro de Icoaraci, Antônio Geranildo de Lima e a irmã, Nazaré Cristina de Lima, passaram recentemente por essa experiência. Os dois estiveram no CPC à procura de informações do irmão caçula, que estava desaparecido há cerca de um mês. “Informaram à minha irmã (Nazaré) que ele tinha sido encontrado morto na praça matriz de Icoaraci e removido para cá. 

Então viemos saber se era realmente o corpo dele que estava aqui, porque ele não era muito ligado à família, morava na rua e estava muito doente. Mesmo assim, tentamos cuidar dele há alguns meses, mas ele não aceitou e fugiu da minha casa. Ficamos sem notícias”, relatou Antônio.

O corpo foi reconhecido por conta das cicatrizes que o rapaz tinha nos braços. “Realmente é meu irmão. Cheguei aqui com um sentimento de tristeza, torcia para que não fosse ele, mas ele estava muito doente e como não aceitava ajuda já esperávamos que, cedo ou tarde, ele acabasse assim”, desabafou o irmão.

Como o rapaz tinha somente certidão de nascimento e os irmãos não sabem como ter acesso ao documento, terão que buscar um cartório e solicitar uma segunda via para que seja feita a liberação e posterior sepultamento do corpo. “Vamos fazer o possível para que ele tenha um enterro digno. 

Agradecemos pela atenção e ajuda que nos deram no CPC, o trabalho que desenvolvem aqui é excelente e ajuda muita gente”, destacou Antônio. Esta foi a segunda vez que os irmãos precisaram fazer o reconhecimento de um familiar. Em 2012, o filho de Nazaré foi assassinado em Icoaraci e também ficou sem identificação, sendo reconhecido somente dois dias depois.                      

Números - Desde sua implantação em 2011, o Programa de Cadastro de Cadáveres Ignorados já atendeu mais de 1600 famílias que procuravam por um ente querido, identificou 368 cadáveres e permitiu o sepultamento de mais 300 corpos sem identificação. Antes de serem enterrados, o CPC publica em jornais de grande circulação as informações sobre as características físicas dos corpos que aguardam por reconhecimento. Só nos primeiros meses deste ano, 105 famílias já procuraram o Instituto Médico Legal (IML) atrás de pessoas desaparecidas. No ano passado, esse número chegou a 292.

De janeiro até maio deste ano, nove corpos já foram sepultados como indigentes. Outros cinco aguardam para serem sepultados, mas primeiro terão as informações divulgadas em jornal impresso. No ano passado, 59 pessoas foram enterradas sem identificação.
(Com colaboração de Bianca Teixeira - Secom)
Por Ivana Barreto 
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