segunda-feira, 4 de julho de 2016

Obras nas estradas paraenses criam rota segura para o verão

O governo do Estado investe na recuperação e conservação das estradas paraenses para deixar o caminho aos balneários mais rápido e seguro. O trabalho coordenado pela Secretaria de Estado de Transportes (Setran) engloba as rotas para os principais municípios do interior e distritos da capital, como Mosqueiro, Salinas, Barcarena e Bragança, e proporciona, além de uma viagem tranquila, o aquecimento da economia nestes locais. O investimento modifica a paisagem e traz desenvolvimento.

A ponte que liga Mosqueiro a Belém foi repavimentada e será entregue nos próximos dias. A obra nas duas pistas de 1,5 km de extensão custou R$ 4,5 milhões. Uma nova técnica de reciclagem foi usada nas camadas de asfalto antigo para usá-las na recuperação de vários trechos da estrada Belém-Mosqueiro. Segundo a Setran, esta é a primeira obra, em muitos anos, a realmente recuperar toda a pista e não apenas recapá-la.

Para o vendedor autônomo José Luiz Costa, 43, morador da comunidade Ana Júlia, que atravessa a ponte Belém-Mosqueiro várias vezes ao dia em sua bicicleta cargueira, o novo asfalto é muito bem-vindo. “Ganho cerca de R$ 150 por dia levando e trazendo carvão, frutas e verduras para comércios, e todos sabemos que em julho o movimento em Mosqueiro aumenta bastante. Com uma ponte de qualidade, a ilha volta a ser o que era, e todos ganhamos mais”, diz.

No município de Salinópolis, nordeste do Estado, a ponte sobre o Rio Sampaio, na PA-444, que dá acesso à praia do Atalaia, uma das mais procuradas pelos veranistas, também está sendo recuperada. A PA-151 que dá acesso ao município de Moju até Barcarena e a PA-252, em Abaetetuba, também estão em fase de conclusão. Elas resultam de um investimento de R$ 26,8 milhões do governo do Estado.

As estradas recuperadas garantem mais tempo para os estudos de Ana Beatriz Carvalho, 19 anos, e Douglas Dias Siqueira, 18. Moradores da comunidade São Sebastião, localidade à margem da PA-151, entre o trevo para Arapari e Barcarena, eles agora conseguem chegar à escola mais cedo. “Antes tinha muito buraco na pista e era perigoso andar até de moto. Eu costumava levar meia hora para chegar a Barcarena. Hoje já dá para tirar em quinze minutos”, comemora Douglas.

Trafegabilidade – Estes são exemplos do trabalho que vem sendo feito nos últimos cinco anos pela Setran, promovendo a reestruturação estratégica das rodovias paraenses. Nos próximos dois anos, mais R$ 350 milhões serão investidos em novas obras. O avanço se reflete na melhoria dos índices de avaliação da malha viária sob a responsabilidade do Governo do Pará, como apontam estudos da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

Segundo a última Pesquisa CNT, de 2011 a 2015, a avaliação positiva (ótimo e bom) das condições das estradas paraenses cresceu de 0,4% para 23,3%. Nos últimos quatro anos, o governo do Estado investiu mais de R$ 1,3 bilhão nas rodovias estaduais e cerca de R$ 1 bilhão estão previstos para os próximos anos.

Segundo o secretário de Estado de Transportes, Kleber Menezes, para a situação melhorar, os altos investimentos do governo, como a recuperação da Alça Viária e da PA-150 – que custou R$ 500 milhões –, deveriam ser complementados por investimentos da União. “Se por um lado a malha sob gestão do Estado apresentou avanços, por outro as condições das rodovias federais que cruzam o Pará não apresentaram a mesma evolução. Temos ainda muito a melhorar e continuaremos trabalhando nesse sentido”, pondera.

Kleber Menezes lembra que só em 2014 o Pará conseguiu superar o desempenho negativo atribuído à infraestrutura viária, que até então apresentava maior número de estradas sem condições de trafegabilidade na comparação com a malha pavimentada.

“Entendemos que, no momento atual, precisamos preservar essas conquistas em termos de qualidade, pois apesar de o Pará estar resistindo bravamente aos efeitos da crise, não somos imunes a esse cenário. Seria leviano dizer que esses investimentos caminharão agora com a mesma velocidade de expansão que tivemos nos últimos quatro anos. Por isso precisamos garantir que os recursos disponíveis hoje sejam suficientes para a preservação da qualidade de nossas estradas”, ressalta o secretário.

Estado investe de R$ 350 milhões em obras na malha viária
Mesmo diante das dificuldades impostas pela crise que afeta todo o país, o Pará prevê, para os próximos dois anos, um investimento de mais R$ 350 milhões em cinco grandes obras viárias. Essas novas frentes contarão com a ajuda de linha de financiamento de R$ 600 milhões, conquistada recentemente pelo Pará junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Estado, em contrapartida, deve contribuir com 10% desses recursos destinados às estradas.

Entre as obras previstas está a pavimentação de 23 quilômetros da PA-242, que fica ao norte da BR-316 e liga Santo Antônio do Tauá a Castanhal. Chamada de "rodovia do frango e do hortifrutigranjeiro", a estrada garante o escoamento da produção avícola e de frutas e verduras dessa região para o abastecimento da Grande Belém.

Outro investimento prioritário na malha rodoviária paraense será a integração entre a BR-010 e a PA-150, a partir da continuidade da pavimentação de 67 quilômetros da PA-252, entre Mãe do Rio e Moju, se estendendo do trecho que vai do trevo da Perna Sul da Alça Viária até a PA-150. A obra beneficiará os municípios de Acará e Moju.

Outra obra de extrema importância é a recuperação do trecho de 37 quilômetros da PA-487, que liga Bragança à Praia de Ajuruteua. Recentemente o governo do Estado concluiu as obras de todas as pontes desse perímetro em concreto. Agora será feito um novo recapeamento integral da estrada. A quarta prioridade do governo do Estado para os próximos dois anos é a pavimentação da PA-477, no trecho de 58 quilômetros que liga São Geraldo do Araguaia ao município de Piçarra.

A quinta é a construção da ponte sobre o rio Meruu, na PA-151, com 500 metros de extensão. “Ano passado inauguramos a ponte sobre o Rio Igarapé-Miri e agora estamos concluindo a obra da última das pontes na PA-151, o que vai beneficiar toda a região do Baixo Tocantins, incluindo os municípios de Baião, Mocajuba, Cametá e Limoeiro do Ajuru”, ressalta o secretário de Transportes, Kleber Menezes.

Isso tudo integra um esforço da Setran para dar respostas adequadas ao desafio de ligar um estado com grandes cursos de rios a serem vencidos, o que é contemplado pelo programa Pontes Definitivas, da Setran. “Com o passar dos anos, os custos comparativos entre pontes feitas de madeira e de concreto passaram a ser muito próximos. 

Uma ponte de madeira que antes durava quinze anos dura hoje muito menos, por diversos fatores. Por isso agora estamos avaliando caso a caso, com a meta de substituir os mais de 20 quilômetros de pontes que ainda precisam ser trocadas ou construídas por pontes de concreto. Obviamente, é algo ainda exigirá elevados custos, mas que estamos tentando vencer passo a passo. 

E uma das soluções para isso é o estabelecimento de parcerias público-privadas”, adianta o dirigente da Setran, que é engenheiro mecânico com mais de 30 anos de atuação em infraestrutura, gestão e logística portuária.
Por Lázaro Magalhães - Agência Pará

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