sexta-feira, 22 de julho de 2016

Página no Facebook divulga relatos sobre homens abusadores

Uma página feminista com relatos sobre homens de Belém chamou a atenção no início desta semana no Facebook. A página Macho na Roda - Belém criada por ativistas da causa feminista com idades entre 19 e 28 anos reúne relatos sobre a conduta de homens no trato com esposas, namoradas, ficantes, entre outras. O espaço lançado no último dia 16 de julho já reúne mais de 3 mil seguidores, a maioria mulheres. Uma das administradoras da página conversou com o ORM News sob a condição de anonimato. 

Ela contou que o grupo prefere não se identificar por temer represálias.  A ativista conta que a página surgiu da necessidade de alertar outras mulheres sobre a conduta machista de alguns homens. 'Percebemos que conhecíamos muitos machistas, muitos caras agressores, alguns que possuem filhos e escondem, não pagam a pensão e batem na namorada. Sempre que víamos uma moça se envolvendo com alguém assim, lamentávamos por não poder chegar na menina e dizer "ei, esse cara bateu na ex dele, ele te contou?"', explica.

Com a ideia na cabeça, as ativistas criaram o espaço para dar visibilidade a casos de abuso e assédio praticados por homens da capital paraense. Para se precaver, elas decidiram não utilizar nomes nas publicações para proteger as mulheres envolvidas nos casos e evitar eventuais processos por calúnia e difamação. A ativista ressalta que a página não é um espaço para falar mal de ex-namorados.

'É importante dizer que não somos uma página que conta sobre relacionamentos que deram errado. A gente fala de homem que agride, estupra, difama, manipula e tem muito por aí', esclarece. 'Se alguém parar pra ler as postagens vai ver que falamos de caras que batem em mulher ou agridem de outra maneira, se alguém achar que somos uma página com intuito de só falar mal de ex-namorado é porque ainda não leu o conteúdo da página', acrescenta.

Para a jovem, a publicação dos relatos funciona como um mecanismo de proteção para que outras mulheres não se envolvam com os homens citados nas postagens. Ela conta que a página começou do zero, sem nenhum relato para publicação. Os depoimentos começaram a chegar espontaneamente e chocaram as administradoras. 'Foi surpreendente e muito triste a quantidade de relatos que chegaram até nós. Criamos a página e convidamos nossas amigas, enviamos links e as histórias foram chegando', conta.

Com tantos relatos rolando na rede social, o grupo já recebeu críticas. Todas por parte de homens. 'Das mulheres só recebemos agradecimentos por criarmos um espaço onde elas sentem liberdade e confiança em contar suas histórias', afirma. 

A jovem diz que o coletivo sempre teve em mente que a reação masculina não seria boa. 'Claro que recebemos o apoio de alguns homens, mas em comparação aos que criticam é uma porcentagem pequena. A página é feita por mulheres e para mulheres então essa negatividade não nos afeta de maneira alguma', pontua.

A ativista diz também que a maioria dos relatos envolvem violência na qual a vítima já procurou a polícia e fez denúncia. 'Mas o cara continua solto, o processo está rolando. Então a intenção da página justamente é essa: avisar as mulheres que tem um agressor à solta. Quanto aquelas que ainda não denunciaram nós aconselhamos sim. Alguns relatos nem são publicados, algumas mulheres só querem um espaço de confiança para contar como se sentem diante dessas agressões', finaliza.
 Karla Soares (ORM News)

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