quinta-feira, 21 de julho de 2016

Polícia Militar e Prodepa aprimoram 'botão do pânico' para combater assaltos a ônibus

Uma nova alternativa tecnológica para coibir assaltos a ônibus foi apresentada pela Polícia Militar e Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Pará (Prodepa): trata-se do “botão do pânico”, ferramenta já usada no Pará para impedir casos de violência contra mulheres, e que agora poderá ser adaptada para que ameaças a coletivos possam ser reportadas imediatamente à polícia.

 Além de representantes da Polícia Militar e Prodepa, membros da Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Sindicato das Empresas de Transportes de Belém (Setransbel) e Sindicato dos Rodoviários discutiram a possibilidade de implantação da nova ferramenta nos ônibus na Região Metropolitana de Belém. A Polícia Civil também apresentou no encontro o banco de dados criado para ajudar nas investigações e na prisão de acusados de cometerem assaltos a coletivos.

Alerta nos coletivos - Ao apresentar a tecnologia do “botão do pânico”, que já é usada para combater os casos de violência contra mulheres, representantes da Prodepa defenderam a possibilidade de adaptação desta tecnologia para a realidade dos rodoviários – levando em consideração tanto as diversas situações de assalto, bem como a garantia de segurança dos motoristas e cobradores, que serão os responsáveis por acionar o mecanismo quando ele estiver implantado.

“Foram apresentadas várias alternativas, e acreditamos que seja possível integrar algumas propostas, desde que as tecnologias sejam compatíveis. Vamos avaliar as necessidades expressas pelos rodoviários e também pela polícia para chegarmos a um formato que possa ajudar ambas as partes. 

É preciso conversar também com as empresas, para saber quais tecnologias elas têm hoje à disposição, e assim veremos como poderemos trabalhar juntos”, explicou Hitoshi Seki, que é assessor da presidência da Prodepa e também especialista em desenvolvimento de aplicativos para celulares na empresa.

Combate - A ideia da nova ferramenta foi recebida de forma positiva pela Polícia Militar, que vem organizando reuniões com vários grupos envolvidos num esforço para traçar estratégias de combate aos assaltos a ônibus na RMB. Segundo o chefe do Departamento Geral de Operações da PM, coronel Sérgio Alonso, esta já é a terceira reunião do grupo para discutir ações nesse sentido, mas foi a primeira em que a proposta da nova tecnologia foi apresentada.

“Esta parceria é de fundamental importância, pois mostra que o Governo do Estado, por meio dos nossos próprios instrumentos, está tentando dar uma resposta à comunidade por conta desses roubos a ônibus”, pontuou o coronel da PM Sérgio Alonso. Segundo ele, a ideia é justamente, a partir desta discussão e dessas necessidades de usuários, trabalhadores e empresas do transporte público, melhorar ainda mais a ferramenta para que ela seja bem aplicada na prevenção e combate aos assaltos a ônibus.

Outras frentes - Uma das ações recentes em resposta aos casos de assaltos a coletivos da Região Metropolitana de Belém foi a criação de um banco de dados referente às ocorrências desse tipo. Este banco foi criado pela Polícia Civil e reúne hoje informações como fichas criminais, vídeos, fotos, descrições, depoimentos e todo tipo de dados referentes aos assaltos ocorridos neste ano. A nova ferramenta foi apresentada com a presença de delegados das principais regiões de risco da cidade.

“A diretoria criou um banco de dados que permite mapear a área de atuações destes criminosos e reunir as provas necessárias para a prisão e condenação por parte do Poder Judiciário. Isso já foi decisivo para a prisão de vários acusados”, explica o delegado Cláudio Galeno, diretor de Polícia Metropolitana de Belém. “O assalto a ônibus é um crime que possui grande reincidência e, em alguns casos, já prendemos indivíduos que foram responsáveis por 30 roubos em um único bairro. 

Às vezes com a prisão de duas pessoas, você consegue diminuir drasticamente o índice de assaltos em uma única região”, avalia Galeno.
Durante essas férias de julho, a Polícia Militar também tem intensificado as operações de patrulhamento nos principais pontos na cidade, com revistas, barreiras e rondas contínuas. 

Policiais têm identificado alguns pontos de maior reincidência de ocorrências, o que tem demandado operações dirigidas para combater esses crimes. “Estamos interceptando os ônibus durante o trajeto. Os policiais embarcam no veículo e durante o deslocamento é feita a verificação de elementos suspeitos”, destacou o coronel Simão Salim Júnior, comandante de Policiamento da Região Metropolitana.

A Polícia Militar também está acompanhando alguns ônibus em seus finais de linha e tem se posicionado em pontos críticos, como o final da linha do Icuí-Guajará. “Essas ações já tem surtido efeito, pois foram resultado da solicitação dos rodoviários e da comunidade, que tem se sentido mais segura, principalmente nos horários mais críticos da noite”, justifica o coronel Salim, que é responsável pelo policiamento em Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara do Pará e Benevides.
Por Diego Andrade - Agência Pará

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