sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Ações desenvolvidas pela Sespa reduzem índice de infecções hospitalares no Pará

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) vem adotando medidas para diminuir o índice de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (Iras), que pode ser adquirida nos hospitais e após as altas dos pacientes, em tratamentos ambulatoriais e domiciliares. As ações promovidas pelo órgão incluem programas de educação contínua, que objetivam o aprimoramento das boas práticas hospitalares por meio de visitas técnicas, palestras e treinamentos nos estabelecimentos de saúde.

O Pará apresenta indicadores positivos nesse enfrentamento desde 2012. Um dos exemplos é a redução de 15% das Infecções Primárias de Corrente Sanguínea. A adesão dos hospitais ao sistema do formulário de notificação digital aumenta a cada ano. Em 2012, 50% dos hospitais já notificavam casos de infecção hospitalar, e em 2015, com a implantação ao sistema, este índice alcançou os 70%, devido à praticidade de operacionalização.

Todos os 260 hospitais espalhados pelo Pará são monitorados pela Sespa, com prioridade para os 44 que contam com Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Estes são priorizados por apresentarem pacientes em condições delicadas de saúde.

Prevenção e controle - “A adoção do formulário de notificação digital permite que a reação ao caso notificado seja mais eficaz, com maior rapidez e precisão em relação ao tratamento’’, afirma Graça Guerreiro, diretora da Divisão de Controle de Infecção Hospitalar da Sespa. Ela explica que o aumento de notificações não significa que há crescimento das ocorrências. ‘’O aumento na quantidade de notificações nos permite ter uma noção mais clara da situação, e não que há o aumento de casos, pois conseguimos preveni-los e controlá-los’’, garante a diretora.

Desde 1994, todos os hospitais do Pará devem ter uma comissão responsável pelo planejamento de prevenção e controle de infecções. A Sespa prevê a divulgação integral dos indicadores do ano de 2015 em setembro próximo, no Simpósio Estadual de Controle de Infecção.

Referência - O Centro de Hemodiálise Monteiro Leite, localizado em Belém, é referência no combate às infecções hospitalares. Clínica ligada à Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, o centro de hemodiálise recebe pacientes dos hospitais da Região Metropolitana de Belém. Atualmente, todas as 198 vagas estão ocupadas.

Os indicadores do “Monteiro Leite” são positivos. O último comparativo entre o centro de hemodiálise paraense e a Sociedade Brasileira de Nefrologia aponta que quase 14% dos pacientes em outros centros de hemodiálise ainda utilizam cateter, enquanto no "Monteiro Leite" essa taxa é de apenas 9%.

O percentual de infecção está em torno de 20% ao mês no centro de hemodiálise, abaixo do índice nacional, juntamente com o nível de hospitalização dos pacientes de hemodiálise (somente 4%), também menor que o índice médio nacional. Igualmente abaixo da média nacional está o índice de mortalidade (4%), enquanto o censo nacional demonstra uma taxa que varia entre 6% e 10%.

Atenção redobrada - Segundo o médico Evandro Schon, especialista em Nefrologia e membro da Sociedade Brasileira de Nefrologia, a principal causa de mortalidade de pacientes de hemodiálise é a infecção hospitalar, por isso a atenção dedicada a este fator é redobrada. ‘’Os procedimentos médicos e a higiene têm atenção integral. Prezamos pelo controle preventivo e detecção precoce dos sintomas de infecção, o que nos permite tratar os casos com maior eficácia quando ocorrem’’, explica.

O especialista acrescenta que os procedimentos de fístula (canal para fins terapêuticos feito cirurgicamente) são melhores que o de cateter, pois apresentam índices de infecção muito menores. “Aqui, temos como meta fazer com que todos os pacientes troquem o cateter pela fístula em até três meses, para que seu tratamento seja mais seguro e simples’’, reitera.

Um dos pacientes do "Monteiro Leite" é o aposentado Elizeu Muniz dos Santos, 56 anos, que tem fístula devido ao rim policístico. Elizeu passa pelo tratamento de hemodiálise há dois anos, três vezes por semana. Cada sessão tem duração de 3h30. “O tratamento é simples e me ajuda muito. Aqui, tudo é limpo, organizado e conservado. Nos tratam bem, são atenciosos e competentes. Saber que o ‘Monteiro Leite’ é referência no combate a infecções hospitalares nos tranquiliza. É difícil, mas eles simplificam’’, assegura.

Os cuidados que os pacientes devem ter também são fundamentais. Segundo a médica Andréa Beltrão Ferreira, do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, procedimentos simples coíbem o aumento de infecções no pós-operatório. “Higienização pessoal e do local de repouso, troca adequada dos curativos e descanso são fundamentais para diminuir os riscos. Vacinar-se contra pneumonia contribui para a diminuição das chances de infecção, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos de idade’’, informa.
Por Sérgio Moraes - Agência Pará

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