segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Festival revela as tradições e misticismos das tribos indígenas em Juruti

A cultura dos povos indígenas da Amazônia ganhou destaque em mais uma edição do Festival Folclórico das Tribos Indígenas do município de Juruti, na região do Baixo Amazonas. O 22º Festribal, que trouxe como tema “O Encanto que vem da Floresta", levou milhares de pessoas ao "tribódromo", palco das apresentações das tribos Muirapinima e Mundurukus, que defenderam suas cores na noite de sábado (30), terceiro dia da programação. A tradicional disputa produziu um espetáculo de cores, música e dança, transmitido ao vivo pela TV e Portal Cultura.

A primeira a se apresentar foi a tribo Muirapinima, que durante três horas de evolução defendeu o tema “Espíritos” e apresentou os rituais da floresta em forma de música, dança, artes cênicas e alegorias. "Apresentamos toda a espiritualidade dos indígenas em três momentos: o primeiro é a originalidade, que falava da Amazônia, o segundo, que abordou a relação dos índios com essa espiritualidade, representada pela mãe da mata, e pra fechar, tivemos a festa ritualizada que celebra a espiritualidade, com as figuras do pajé e da índia guerreira", explicou Nei Juruti, diretor da tribo, fundada em 1994 e que ostenta as cores azul e vermelho.

Em seguida foi a vez da tribo Munduruku entrar na arena. O grupo fundado em 1993, representado pelas cores vermelho e amarelo, apresentou o tema “Mitos”. "Estamos vindo de uma trilogia. Começamos com celebração, no ano passado mostramos os rituais e este ano fechamos com os mitos, falando da criação do mundo na visão do índio Munduruku. E para finalizar a nossa apresentação destacamos o ritual dos cortadores de cabeça", detalhou o presidente da tribo, Edom Batista.

Vencedora das últimas duas edições do evento, a tribo Munduruku veio com determinação de manter o título e se consagrar tricampeã do Festival. "Sou bicampeão à frente da tribo e quero terminar meu mandato este ano com o tricampeonato. Trabalhamos para isso e espero que o resultado na visão dos jurados venha concretizar tudo isso", relatou Batista.

A primeira disputa entre os Mundurukus e os Muirapinimas ocorreu em 1995. Hoje o Festribal é visto como uma das maiores manifestações culturais da Amazônia, tendo sido declarado em 2008 Patrimônio Cultural do Pará. 

Durante a apresentação, os jurados avaliam quesitos técnicos e artísticos que contemplam os seguintes itens: Apresentador, Porta Estandarte, Guardiã Tribal, Tuxaua, Índia Guerreira, Pajé, Canto Indígena, Regional, Evolução, Ritual Indígena, Alegoria, Tribo Originalidade, Tribo Coreografada, Originalidade em Conjunto, Harmonia e Galera.

A segurança do público foi garantida pelo trabalho integrado de vários órgãos de segurança, como as polícias Civil e Militar - que receberam reforço dos efetivos de Santarém -, o Departamento Municipal de Trânsito, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros de Santarém e ainda de seguranças particulares. O Conselho Tutelar também esteve presente em todas as noites da programação. Um posto com ambulância e socorristas foi montado no local para atender eventuais ocorrências.

A programação teve início na quinta-feira (28), com uma grande festa que reuniu artistas locais e nacionais. Na sexta-feira (29), segundo dia do Festival, houve o ensaio técnico das tribos oficiais e a apresentação das tribos mirins. As crianças deram um show de simpatia e entusiasmo que contagiou o público da arena. A divulgação da tribo vencedora do Festribal 2016 será na tarde deste domingo (31).

Turismo - A cada ano o duelo de tribos atrai um grande número de turistas, vindos de todo o país e até do exterior. O evento movimenta a economia e aquece o turismo local. Para chegar à cidade, distante 848 km da capital, Belém, o meio de transporte mais fácil são os barcos e lanchas que saem diariamente do município de Santarém. A viagem dura, em média, cinco horas e a passagem custa R$ 95.  

Mas além do Festival, Juruti também apresenta boas opções para descanso e lazer, como os igarapés de águas geladas e cristalinas. Em um deles, localizado a poucos quilômetros da sede do município, encontramos um grupo de turistas de Belém que aproveitava a estadia por conta do Festribal para confraternizar. 

Um dos integrantes, o cardiologista João Pacheco, contou que durante as férias de julho eles costumam viajar para outros países, mas desta vez resolveram mudar os planos e conhecer um pouco mais das belezas do Pará.

"Viajamos muito para o exterior, mas esse ano a gente quis conhecer o Pará mesmo, o nosso folclore e as nossas riquezas. Decidimos então ver de perto o Festival das Tribos e aproveitar para usufruir das belezas naturais aqui da região. Isso é imperdível, não existe em lugar nenhum no mundo", afirmou João Pacheco. 

Sobre a experiência que viveu na cidade ele é enfático. "A gente investe muito para conhecer a cultura dos outros povos, viajar para outros países, mas não dá o mesmo valor à própria terra. Gostei muito de ter vindo e vou indicar para outros amigos porque realmente vale a pena."

Quem também visitou pela primeira vez o município foi o francês Rudy Echard. Casado com uma paraense, ele vive há cinco anos no Brasil e sempre teve vontade de conhecer melhor as belezas do estado. "É a primeira vez que tenho contato com esse tipo de lugar. Achei maravilhoso. Assisti as apresentações das tribos e gostei muito das danças, da música e dessa diversidade cultural", afirmou. A intenção de Echard é visitar outros lugares do Pará. 

"O que me motivou foi a diferença cultural e natural entre o meu país e a Amazônia. Pretendo conhecer outros lugares como esse, com bonitas paisagens e uma culinária muito boa", disse, destacando a banana roxa, o tambaqui e o pirarucu como as comidas que mais lhe chamaram atenção durante a visita a Juruti.

Para a agente de viagem Beatriz Cunha, que mora em Belém e veio pela primeira vez ao município, o Festival das Tribos é uma ótima oportunidade de incentivar o turismo na região. "O festival é o ponto culminante desta visita. Conheço outras manifestações culturais no país, mas aqui é completamente diferente, por ter esse enfoque voltado às raízes indígenas. É uma ótima oportunidade para atrair turistas para a região. Estou encantada", ressaltou.

Beatriz, que veio acompanhada do marido, também fez questão de destacar outras belezas do município. "Gostei muito do artesanato tapajônico, dos lagos, dos igarapés maravilhosos e da fauna. É um passeio para quem gosta de natureza e quer conhecer melhor o seu país. Só assim temos noção da grandiosidade da região amazônica. Vale a pena visitar Juruti", reiterou.
Por Lidiane Sousa - Agência Pará

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