segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Paraenses partem para o Rio e reforçam seleção paralímpica de basquete

O Aeroporto Internacional de Belém ganhou uma movimentação diferente neste final de semana : cartazes, faixas, sorrisos e gritos de incentivo sobre rodas deslizavam pelo saguão desde as sete da manhã. Tudo para celebrar a partida de três jogadoras paraenses que passarão a integrar, a partir desta segunda-feira (22), a seleção brasileira de basquete feminino sobre rodas. A equipe participará da Paralimpíada do Rio de Janeiro, em setembro, como agenda seguinte à programação da Olimpíada do Rio, que se encerrou ontem domingo (21). As jogadoras paraenses Perla Assunção (ala armada), Vivi Almeida (ala pivô) e Cleia Costa (armadora e ala) partiram de Belém às 9h. 

O voo chegou à Cidade Maravilhosa. Lá, as atletas se encontraram com o resto da equipe da seleção brasileira de basquete feminino sobre rodas, para os treinos. O time contará ainda com mais duas paraenses, que já estão no Rio: Lia Maria Soares Martins (pivô) e Andreia Santa Rosa Farias (ala). O time brasileiro estreia na Paralimpíada do Rio já no dia 8 de setembro, enfrentando a seleção 
argentina.

Desse modo, a seleção feminina de basquete sobre rodas do Brasil conta com cinco jogadoras paraenses entre as 12 escaladas. As demais atletas são de São Paulo (três), Goiás (uma) e Espírito Santo (três).

Na torcida – Ao lado de familiares e amigos que se despediam das jogadoras paraenses no aeroporto, estavam também outros atletas e Wilson Caju, técnico do time All Star Rodas, do qual também fazem parte Perla, Vivi e Cleia. Caju foi técnico da seleção brasileira feminina de basquete sobre rodas em duas paralimpíadas, em Pequim (China, 2008) e Londres (Inglaterra, 2012).

“Em Pequim o time tinha dez paraenses. Em Londres foram oito atletas daqui, todas do All Star Rodas. O Pará ainda segue um grande celeiro de talentos para a seleção de basquete”, avalia Wilson Caju. Ele deixou a liderança do time em 2013, depois da participação brasileira que foi campeã da Copa das Américas, na Guatemala. A Confederação Brasileira de Basquetebol de Cadeira de Rodas (CBBC) passou a coordenação técnica da seleção feminina ao capixaba Martoni Moreira Sampaio.

“Nosso basquete feminino sobre rodas domina a América do Sul, mas o Brasil ainda não conquistou uma medalha paralímpica. É hora de ir atrás dessa nova vitória”, ressalta Wilson Caju. A participação na última paralimpíada foi a melhor da história da seleção feminina: a equipe ficou em nono lugar em Londres. “A estreia contra a Argentina deve dar moral ao time, pois a equipe é inferior. Depois disso pegaremos no caminho as atuais campeãs mundiais, as alemãs, e também o Canadá, atual campeão paralímpico. Estamos na torcida”.

Sangue bom – Criado há 18 anos, o time paraense All Star Rodas tem duas equipes masculinas e duas femininas. Ao todo são cerca de 120 atletas, entre jogadores de alto rendimento e demais beneficiados pelas atividades esportivas. Dezenas deles foram esta manhã ao Aeroporto Internacional de Belém para incentivar as atletas da seleção brasileira a buscar o ouro no Rio de Janeiro.

“Estamos numa fase muito boa, de desempenho crescente, e queremos mostrar isso em quadra”, diz a paratleta Perla Assunção, 30 anos. Jogadora de basquete há seis anos, ela está na seleção brasileira desde 2011. Em 2012 participou dos jogos de Londres e em 2014 ganhou o Troféu Rômulo Maiorana. Foi eleita a melhor atleta paralímpica de basquetebol do Brasil nos últimos jogos.

“É sempre uma grande emoção estar numa paralimpíada. Dá sempre um fio na barriga. Mas treinamos bastante, e não faltarão energias positivas para a gente. A torcida brasileira ajudará muito”, aposta Vivi Almeida, 30, que já esteve também nas seleções femininas que disputaram em Londres e Pequim. “É o momento máximo das nossas carreiras. E o número de atletas paraenses na seleção mostra a força do nosso basquete paralímpico”.

“Será uma grande diferença jogar com nossa torcida, em casa. O desempenho deve crescer. 
Vamos dar o máximo”, anima-se Cleia Costa, 35 anos, que há 16 anos atua no basquete em cadeira de rodas e também fez parte da seleção nos jogos de Londres. “A gente sofre um bocado, mas estou acostumado. 

É coração de marido de atleta. São onze anos de casado e sempre esperando pela volta, com saudades, mas sempre na torcida pela medalha”, diz o esposo, Rogério Amador Botelho, que engrossava o coro animado que desejava boa sorte à equipe que partiu para o Rio. “Estamos certamente entre os três melhores times. E o sangue da seleção é em sua maior parte do Pará. Vamos trazer medalha. É um sangue brigador de paraense”, sorri Rogério, otimista.
Por Lázaro Magalhães - Agência Pará

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