segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Polícia do Pará recupera 73,33% dos carros roubados no Estado

No Pará, a média de sucesso da polícia nos esforços de recuperação de veículos roubados ou furtados no Estado é hoje de 72,33%. Isso representa aproximadamente 355 veículos recuperados por mês - ou o equivalente a 12 casos solucionados por dia, um a cada duas horas. O Centro de Perícias Criminais (CPC) Renato Chaves tem sido fundamental para esses números. Ele ajuda a desvendar e confirmar crimes relacionados ao furto e adulteração de registros de veículos – em um trabalho, realizado em parceria com vários órgãos que fazem parte da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social do Pará (Segup), como o Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran-PA) e a Polícia Civil.
As adulterações variam conforme o nível de habilidade dos criminosos, tipo de veículo, região, etc.

Existem situações em que um comprador, desconfiado da procedência do carro, moto ou de qualquer outro veículo, solicita uma verificação minuciosa. Do mesmo modo, a polícia ou o Detran podem perceber características que indiquem algum tipo de falsificação na “identidade” do carro. Para esclarecer a suspeita, o CPC investiga o caso para comprovar a alteração e também confirmar a identidade do verdadeiro dono do veículo.

“Sempre dizemos que o crime, geralmente, se especializa. E a polícia precisa se especializar também. Por isso é necessário que o perito também seja um especialista em verificar estas alterações”, diz Rildo Platino, perito e responsável pela Gerência de Perícias Veiculares (GPV), departamento do CPC que atua desde os anos 1990, dedicado exclusivamente a perícias em veículos. “Entre as diversas análises que fazemos, cerca de 50% da nossa demanda é de perícias na área criminal”.

Alguns destes criminosos se especializam em tipos específicos de adulteração, como as feitas em caminhões de uma determinada marca e ano. O perito Reinaldo Faial narra a história de um falsário que só adulterava caminhões modelo Mercedes ano 1996. Ele era um dos melhores daquela época. “Era muito criativo e fazia um trabalho que poucos peritos conseguiam perceber. Por fazer tão bem esse tipo de serviço, vários peritos não viam detalhes mínimos deixados por ele”.

Especialista em motores que há 24 anos trabalha no CPC, o engenheiro mecânico Faial alerta: o olhar do perito é algo que precisa ser treinado durante anos para perceber esses tipos de minúcias. Foi a sua equipe que conseguiu prender o falsário que driblava perícias. “Esse tipo de criminoso, mesmo que seja muito bom, deixa a sua marca. 

E como nossa equipe possui um nível de experiência e treinamento alto, conseguimos desvendar esses quebra-cabeças e ajudar a polícia a encontrar os verdadeiros donos destes veículos”.

Entre os principais veículos roubados estão motos e bicicletas. De acordo com dados do CPC, nove em cada dez veículos roubados são motos. E graças às investigações, mais de 90% delas hoje são recuperadas. 

“As motos e bicicletas são os principais alvos dos bandidos, devido o tamanho e a quantidade que temos na cidade. Mas o roubo é só parte da cadeia criminosa. Há também a receptação, a falsificação e a venda para o cliente, que, em alguns casos, inclusive não sabe que está comprando um produto roubado”, explica o perito Rildo Plantino.

Serviço Especializado
As demandas de perícia criminal ligadas a veículos são encaminhadas principalmente pela Delegacia de Repressão e Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), vinculada à Divisão de Repressão. É na DRFV que o resultado das perícias se transformam em ações diretas que ajudam a capturar toda a rede que envolve o roubo e a receptação de veículos roubados e com identificação adulterada.

As quadrilhas de veículos geralmente roubam nas capitais. Depois, adulteram os chassis e vendem esses veículos em municípios distantes, muitas vezes até em outros estados, onde aquele carro não é procurado. E esses crimes aumentam à medida que a frota de veículos aumenta no Estado. “Hoje nós já temos um banco de dados desses roubos, que nos ajuda a cruzar informações e saber onde ocorreu a falsificação e o trajeto que esse produto roubado percorreu até a venda”, explica o delegado titular da DRFV, Raphael Cecim.

O delegado também detalha que estes grupos têm características próprias. Possuem vínculos momentâneos - ou seja, unem-se para fazer alguns roubos por encomenda e se separam -, algo bem diferente do que acontece entre os ladrões de banco, por exemplo. Daí o produto segue para um falsificador, que o vende em algum lugar muito distante da cidade onde foi roubado.

“Neste ponto, a perícia do CPC é essencial para o nosso trabalho. Estamos treinando cada vez mais nossos policiais para perceber os diversos tipos de falsificações de veículos, como carros, motos e caminhões. Mas é com base na análise feita por estes profissionais que conseguimos reunir informações suficientes. 

E não apenas para revelar os verdadeiros donos destes produtos roubados, mas também para conseguir pistas da identidade desses criminosos”, explica o delegado Raphael Cecim.
Por Diego Andrade - Agência Pará

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