sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Política inclusiva garante ao Pará destaque no circuito paralímpico

O paratleta Alan Fonteles, campeão mundial e olímpico, especialista em provas de velocidade, é o maior exemplo de um Estado que virou referência nacional na inclusão de pessoas com deficiência. Tanto que Belém foi escolhida pelo comitê organizador dos Jogos Paralímpicos para representar a região Norte do país no revezamento da tocha paralímpica. A capital paraense será uma das cinco cidades brasileiras a receber o evento. A passagem da tocha paralímpica em Belém será no próximo dia 2 de setembro. Cerca de 50 condutores participarão do revezamento, que deve começar pela manhã, com o acendimento da chama, seguindo por vários locais de destaque cultural e histórico da cidade. 

Dez condutores serão indicados pelo Governo do Estado e prefeitura e os demais, pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e patrocinadores do evento. Durante os dez quilômetros do percurso, haverá cinco paradas, em órgãos representativos na inserção social das pessoas com deficiência. Nesses lugares, ocorrerão apresentações esportivas e culturais.

A capital paraense será a segunda cidade a receber a chama paralímpica. O percurso começa em Brasília, no dia 1º de setembro, e segue para Belém, Natal (RN), São Paulo e Joinville (SC). Em seguida, a chama será enviada para o Rio de Janeiro, onde serão os jogos, a partir do dia 7 de setembro. Nas Paralimpíadas, o Pará será representado por sete atletas. Cinco integram a seleção feminina de basquete em cadeira de rodas: Andreia Farias, Lia Soares, Perla Assunção, Lucicléia Costa e Zileide Brito.

Além delas, o Pará será representado pelo campeão paralímpico e mundial de atletismo Alan Fonteles, especialista em provas de velocidade, que teve as duas pernas amputadas aos 21 dias de vida, por conta de uma infecção intestinal, e o atleta José Márcio da Silva, de goalball – modalidade paralímpica voltada para deficientes visuais.

Apoio – Em junho, o comitê paralímpico brasileiro esteve em Belém para anunciar, em reunião com o governador Simão Jatene, a escolha do Pará como um dos cinco Estados a receber a tocha paralímpica. “O ser humano tem uma fantástica capacidade de superação, mas isso nem sempre é reconhecido no nosso dia a dia. Apesar de convivermos com essa realidade, muitas vezes não valorizamos o desempenho e nem percebemos as necessidades diferenciadas desses cidadãos”, disse Jatene na ocasião.

Na última terça-feira (23), órgãos responsáveis pela logística do evento na capital paraense se reuniram para definir os detalhes do esquema de segurança e locomoção da tocha no próximo dia 2 de setembro. A reunião ocorreu na sede da Delegacia Geral, com a presença de representantes da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), Guarda Municipal de Belém, Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob), polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, polícias rodoviárias Federal e Estadual e Departamento de Trânsito do Estado (Detran), além dos institutos que vão indicar alunos com necessidades especiais para participar.

Esporte é caminho para a inclusão e cidadania
O esporte vem sendo um dos caminhos mais eficientes de inclusão dentro do Plano Estadual de Ações Integradas à Pessoa com Deficiência (Plano Existir). Lançado pelo Governo do Estado em 2012 e atualmente vinculado ao Núcleo de Articulação e Cidadania (NAC), o projeto assumiu o compromisso de garantir ações de natureza transversal a partir dos eixos saúde, educação, acessibilidade e inclusão social, para a promoção dos direitos 
fundamentais da pessoa com deficiência.

“O revezamento da tocha paralímpica em Belém engrandece o Estado e valoriza o trabalho que vem sendo feito de inclusão da pessoa com deficiência. Esse evento aqui dentro vai dar uma grande visibilidade do que o governo tem feito em favor das pessoas com deficiência, no atendimento e na questão da inclusão”, diz a diretora geral do NAC, Daniele Khayat.

Neste ano, com apoio do NAC, Belém recebeu pela primeira vez o Campeonato Centro-Norte de Goalball, uma preliminar do torneio nacional, que ocorre em Jundiaí (SP), em setembro. Na seletiva estadual, as equipes paraenses masculina e feminina conseguiram se classificar para a etapa brasileira. Além disso, também com o apoio do NAC, haverá, em novembro, o Grand Prix de Judô, competição nacional que terá a participação de 50 atletas paralímpicos.

Outra competição importante também apoiada pelo NAC são os Jogos Paralímpicos Escolares, que ocorreram na última semana, em Belém. O evento reúne, há dez anos, alunos de escolas públicas e particulares de todo o Estado, com o apoio do NAC, que viabiliza a confecção de uniformes dos participantes e a organização da logística do evento, dando o suporte para a viagem e hospedagem dos alunos que vêm do interior. A competição, que seleciona os atletas das Paralimpíadas Escolares Nacionais, já revelou os paraenses Alan Fonteles e José Márcio da Silva, que estarão nas Paralimpíadas Rio 2016.

Superação – Entre os 170 participantes dos Jogos Paralímpicos Escolares deste ano está Adriana Santos, 15 anos, que cursa o sexto ano na Escola Estadual de Tenoné. Ela é portadora de paralisia cerebral, mas isso não a impediu de se tornar uma paratleta nas modalidades de arremesso, salto à distância e corrida. Há dois anos, descobriu os esportes por meio do projeto da prefeitura “Talentos Paralímpicos”. Em pouco tempo, já ganhou dez medalhas em competições escolares, cinco de ouro e cinco de prata. “O esporte mudou tudo na minha vida. Passei a me achar mais legal e comecei a ter gosto nos estudos”, conta a menina.

A mudança no rendimento escolar da aluna depois do esporte paralímpico foi percebida  pela direção da Escola Estadual de Tenoné. “Passamos a enxergar a Adriana como alguém vitorioso. No ano passado, ela era uma aluna apagada. Hoje a gente vê uma Adriana popular, alvo de muito carinho por parte dos alunos. Essa auto-estima foi refletida no crescimento das notas”, diz a diretora Azenaide Rodrigues. 

No dia 2 de setembro, quando a tocha paralímpica estiver em Belém, Adriana, assim como tantos outros atletas paralímpicos paraenses, enxergará na chama a esperança de um futuro de reconhecimento nacional. Com o Pará entrando na história do circuito paralímpico mundial, o sonho fica cada vez menos distante.
Por Syanne Neno - Agência Pará

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