segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Pro Paz Mulher é exemplo de combate à violência doméstica

Com um indefeso bebê de apenas sete dias no colo, a jovem Alana Cristina, 18 anos, procurou o Pro Paz Mulher para se defender do pai da criança, que a ameaça de morte caso não consiga a guarda do pequeno Gabriel. “Vim aqui porque quero esse homem longe de mim”, disse Alana, que já sofrera agressões anteriormente. Assim como Alana, a mãe dela, Jaqueline, prestou queixa contra o ex-companheiro, há quatro anos, no Pro Paz Mulher. “Aqui encontrei apoio. Se não fosse essa equipe, eu não teria conseguido nada e estaria sem minhas filhas até hoje”, disse Jaqueline Rocha, 35 anos, que conseguiu a guarda das duas filhas (incluindo Alana) graças ao Pro Paz.

Mãe e filha, duas gerações que encontraram apoio psicológico, médico e criminal em um único local. Neste domingo (7), quando se comemoram os dez anos de criação da Lei Maria da Penha, um marco no combate à violência doméstica no país, o Pro Paz Mulher comemora o fortalecimento de uma fórmula de atendimento pioneira e inédita no Brasil.

Criado há dois anos, o Pro Paz Mulher adotou uma concepção de trabalho que agrega, em um único espaço, todos os serviços necessários a uma assistência imediata, humanizada e eficaz às vítimas de violência doméstica, familiar ou sexual. Em alusão à data, a Fundação Pro Paz promoveu neste domingo, na Praça da República, uma grande passeata de conscientização ao combate da violência contra a mulher.

O Pro Paz Mulher agrega, em um mesmo espaço, delegacia, Polícia Militar, assistência social, psicóloga, atendimento médico e perícia. O serviço é o único do país que oferta tratamento integrado à mulher da capital e também do interior, por meio do Pro Paz Integrado, localizado  nas regiões do Xingu, Lago, Baixo Amazonas, Bragantina e Marajó. A rede conta também com o atendimento nas unidades da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em todas as regiões.

Avanços
Em dois anos do Pro Paz Mulher, o projeto comemora algumas inovações. Em dezembro do ano passado, ganhou o apoio da Patrulha Maria da Penha, implantada no prédio do Pro Paz Mulher, na Deam de Belém. A patrulha funciona com revezamento de militares treinados para dar apoio e fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas e segurança às mulheres vítimas de violência doméstica. Os policiais fazem visitas semanais para conferir de perto se as medidas estão sendo cumpridas.

Além disso, em maio deste ano, foi feito, em parceria com a Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Pará (Prodepa), o lançamento de um sistema de informação para a coleta de dados sobre mulheres, crianças e adolescentes em situação de violência. Os processos, que antes eram feitos manualmente, agora são digitalizados, permitindo uma integração entre os diversos órgãos que funcionam no Pro Paz Integrado para criar uma plataforma compartilhada e agilizar os atendimentos. 

Por meio do sistema, é possível fazer o georreferenciamento por regiões e levantar o perfil das vítimas e dos agressores, gerando indicadores que possibilitam ações de controle, prevenção e planejamento de políticas públicas.

De março de 2012 a dezembro de 2015, o Pro Paz já atendeu 15.039 mulheres em situação de risco na capital e no interior. Só em Belém, no período de  janeiro de 2015 a maio de 2016, foram 4.896 atendimentos. O Pro Paz também oferece assistência domiciliar a vítimas que se encontram, em função de situações especiais, impedidas de comparecer ao espaço físico do projeto. Somente no Pro Paz Mulher, pelo menos doze mulheres já foram atendidas neste formato.

Priscila Taveira é uma das cinco psicólogas que atuam no Pro Paz. Cada uma delas atende a média de quatro a cinco mulheres por dia. A profissional confirma o quanto a Lei Maria da Penha serviu para encorajar as mulheres na busca por atendimento. “Esse problema passava de geração a geração, sendo muito encoberto. Hoje, com a lei, a cada ano que passa a gente consegue ver a violência de uma forma mais real para, assim, combatê-la. O que a lei trabalha é justamente o empoderamento da mulher; que ela se veja como um sujeito de direitos, necessitando de cuidados. A lei garante isso”, diz.

"A data é emblemática porque nos faz pensar nas conquistas e nos avanços que ainda precisamos alcançar. O Pro Paz quer que as vítimas se sintam cada vez mais fortes para buscar ajuda. Estamos prontos para dar esse tratamento humanizado e integral a essas mulheres", explica o presidente da Fundação Pro Paz, Jorge Bittencourt.

Denúncias contra violência doméstica podem ser feitas no Pro Paz Mulher, na sede da delegacia especializada, localizada na Travessa Mauriti, entre Duque de Caxias e Vinte e Cinco de Setembro. A vítima pode ligar também para o 180, serviço telefônico gratuito e disponível 24 horas em todo o país. Se precisar de intervenção policial imediata, a mulher pode ligar diretamente para o 190.
Por Syanne Neno - Agência Pará

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