terça-feira, 9 de agosto de 2016

Violência no trânsito dá ao Estado prejuízo de R$ 1,6 bi

No primeiro semestre de 2016, o Pará perdeu R$ 1,64 bilhão em decorrência de acidentes graves de trânsito. Esse é o impacto econômico provocado pela morte de 826 pessoas ao volante e os 744 casos de invalidez permanente, entre janeiro e junho deste ano. Os cálculos são do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), da Escola Nacional de Seguros, com base em dados do DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres).

Considerado um seguro obrigatório e pago anualmente junto com a primeira parcela do IPVA, ou em cota única, o pagamento do DPVAT garante a indenização em caso de acidente de trânsito que resulte em morte ou invalidez permanente e o reembolso de despesas médicas e hospitalares devidamente comprovadas. A obrigatoriedade do seguro é mantida pela Lei n°11.482/07, para que as vítimas de acidente de trânsito em território nacional fiquem amparadas - sejam motoristas, passageiros ou pedestres - independente de quem seja o culpado.

A maioria das vítimas está em idade ativa e concentra-se na faixa etária de 18 a 64 anos. Ou seja, pertence a um grupo em plena produção de riquezas para a sociedade. O prejuízo econômico equivale ao que deixa de ser produzido ao longo da vida útil dos trabalhadores.

O total de perdas econômicas apurado no primeiro semestre é 10,45% inferior ao registrado no mesmo período de 2015, quando o estado perdeu R$ 1,83 bilhão com a violência no trânsito. Na comparação entre um semestre e outro, houve redução de 3,5% no número de mortes e de 17,07% nos casos de invalidez permanente. Com isso, o Estado deixou de perder R$ 190 milhões relacionados a sua força produtiva.

Segundo o diretor do CPES, Claudio Contador, a redução do número de vítimas do trânsito é um avanço importante. Ela mostra, segundo ele, que o Brasil pode convergir para índices de países mais avançados, mas está longe de ser motivo para comemoração.

“A violência no trânsito ainda é uma tragédia de proporções épicas, com forte impacto social e econômico. Os acidentes representam um custo muito alto para o país. É necessário criar uma cultura de responsabilidade ao volante, com ações permanentes de educação e de fiscalização para mudar essa realidade trágica”, comentou Claudio Contador.

As perdas econômicas do Estado são quase duas vezes maiores que as despesas de saúde pública de Belém (R$ 980 milhões) e três vezes o montante de educação (R$ 462 milhões), em 2015. Se for mantida a frequência de acidentes e o número de vítimas neste semestre, o prejuízo pode superar toda a receita de Belém no ano passado - cerca de R$ 2,7 bilhões.

A administradora do DPVAT é a Seguradora Líder, que orienta os cidadãos através do site na internet ou da linha telefônica SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente). Para solicitar indenização, não é necessário intermediários. A própria vítima de acidente de trânsito (ou um familiar) pode se dirigir a uma companhia seguradora e apresentar os documentos (boletim de ocorrência policial, certidão de óbito, relatório médico, comprovação de gastos médicos etc.) conforme o tipo de acidente. (O Liberal)

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