sábado, 17 de setembro de 2016

Polícia Militar e animais: treinamento e dedicação a serviço da segurança pública

No próximo dia 25, a Polícia Militar do Pará completa 198 anos, e na história da corporação, os animais têm papel fundamental. É com a ajuda deles que o policial se fortalece no ofício diário e também se aproxima da sociedade. O cidadão que vê os cavalos da PM, tão belos e imponentes no desfile de 7 de setembro, nem imagina o tamanho da dedicação que lhes é dispensada durante todos os dias do ano. O cuidado é tanto que, no ano passado, eles ficaram de fora do desfile militar por conta de exames. Era preciso preservá-los para que voltassem este ano, majestosos como sempre.

A Cavalaria no Pará foi criada em 1817. No ano de 1994, o esquadrão da polícia montada passou a se chamar Regimento de Polícia Montada Cassulo de Mello. Atualmente, cinco municípios paraenses contam com a Tropa Montada da PM: Belém, Santarém, Marabá, Tucuruí e Castanhal. Somente na capital, a cavalaria mantém 64 animais da raça Crioulo.
O regimento montado é uma das unidades do Comando de Missões Especiais da Polícia Militar. Junto com 122 policiais, os cavalos fazem policiamento ostensivo, diariamente, em áreas como o Portal da Amazônia, grande centro urbano e próximo ao Comando do Regimento Montado. Além disso, fazem policiamento em grandes eventos, como jogos em praças esportivas, manifestações, reintegrações de posse e controle de distúrbios civis.

O policiamento montado diário costuma ter, em média, 12 cavalos. Antes e depois de saírem à rua, eles tomam banho e passam por uma série de cuidados, como troca de ferraduras a cada 15 dias e inspeção diária em uma clínica veterinária no próprio comando. Os banhos são dados pelos policiais que saem com os animais. “Cria-se um vínculo muito grande do policial com o cavalo, com uma preocupação genuína. Conheço PMs que trazem cenouras de casa para os animais e fazem questão de comprar o próprio material de limpeza deles. É uma relação que vai além do quartel”, diz o tenente coronel Mauro Matos, comandante da cavalaria.

Os laços de afeto construídos não são rompidos nem mesmo quando o policial deixa o quartel. O sargento Jesus de Souza serviu 29 anos e está na reserva há dois, mas faz questão de ir ao comando do regimento montado todos os dias porque não consegue ficar longe dos cavalos. “Não tem um dia que eu não venha aqui. Fiz uma amizade muito grande com os equinos. Até na questão da saúde, eles são fundamentais para mim, porque eu, com 54 anos, me exercito com eles. Você se trabalha e trabalha o animal. Somos um só”, disse o militar.

Entre os cavalos da PM, seis são diferenciados. Têm altura máxima de 1,5 metro, são dóceis e mudam a vida de pessoas com deficiência. São os animais usados no serviço de equoterapia, método terapêutico e educacional que usa o cavalo em uma abordagem multidisciplinar e interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial dos deficientes.


O Centro de Equoterapia da PM recebe diariamente, de segunda a sexta-feira, 61 pacientes em reabilitação. A equipe é formada por onze militares e sete civis, entre instrutores de equitação, fisioterapeutas, psicólogos e fonoaudiólogos.

Aliados - Assim como os cavalos, os cães da Polícia Militar do Pará são cuidados pela tenente coronel e veterinária Glaucia Brito, que zela pelos animais há 22 anos e se enche de orgulho. “Os cães e cavalos são minhas tropas preferidas. Não tem quem não se encante diante deles”, diz ela, revelando que os cachorros da PM já foram usados na cinoterapia, criada para estimular a reabilitação física e psicosocial das pessoas com deficiência. Crianças da Associação Voluntariado de Apoio à Oncologia (Avao), por exemplo, já receberam visita surpresa dos cães da PM.

O canil da PM é formado por 22 cães de guarda e oito farejadores de drogas e explosivos. Os animais trabalham em radiopatrulhamento, campos de futebol, reintegração de posse, controle de distúrbios civis e presídios. O militar precisa ter o perfil equilibrado e gostar de cães, porque, além do operacional, é necessário cuidar do animal, desde o treinamento até a limpeza e desde que ele é filhote até a sua aposentadoria, por volta dos 8 anos de idade.
O treinamento dura 45 minutos diários e consiste em condicionamento físico, obediência e guarda. É necessária a média de seis meses de treinamento para os cães, que chegam por meio de licitação (a última foi feita em 2010), doações e criações (a última ninhada foi em 2008).

O subcomandante do treinamento dos cachorros, Henderson Rodrigues, que já fez curso de faro na Polícia Militar de São Paulo, destaca a importância dos animais em uma ação. “O cão tem o olfato 40 vezes melhor do que o ser humano. Ele é fundamental para identificar odores que o humano não consegue, na busca de drogas e explosivos. No trabalho de radiopatrulhamento ele pode ser usado como um instrumento menos letal. Em vez de usarmos a arma, usamos o cão para imobilizar o cidadão infrator”, explica o comandante.

Tobby é um labrador que foi achado na rua por uma sargento e hoje é um dos melhores cães farejadores. Fez várias apreensões de drogas em Belém e Vigia, no nordeste do Pará. Outro exemplo de animal que encontrou carinho e utilidade no canil da PM é o Leão. Comprado por licitação, o labrador, hoje com 8 anos, foi reprovado para ser cão farejador, mas um sargento insistiu com o animal e começou a treiná-lo. Hoje, Leão é o xodó do canil. Dócil e brincalhão, é levado para apresentações em escolas e projetos sociais.

O sargento Raimundo Natalino cuida da fiscalização, alimentação e higiene dos cães há 17 anos. Hoje tem a cadela Holly como fiel companheira. Ela tem 8 anos e já está quase se aposentando. Tetracampeã norte-nordeste em exposição de cães de pêlo longo, ela faz o sargento se derreter em orgulho pela beleza e eficiência durante as operações.

Pelo regulamento da corporação, o policial adestrador, quando possível, leva o cão aposentado para casa. 

O sargento Natalino já planeja a adoção. “Estruturalmente, tenho que arrumar um espaço grande para ela correr. Vou dar meu jeito. Nem que eu tenha que comprar um sítio para ela ser feliz, correndo, eu vou fazer. Tudo para não ficar longe dela”. Vai ser mais uma das muitas histórias de companheirismo e dedicação entre policiais e animais, com final feliz.
 Syanne Neno - Agência Pará

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