terça-feira, 6 de setembro de 2016

Sem o Fies, aumenta evasão de estudantes do ensino superior

 As dificuldades para conseguir um contrato no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e as incertezas sobre o futuro do programa do governo federal têm preocupado muitos estudantes e, inclusive, contribuído para o aumento nos índices de evasão dos universitários da rede privada de ensino.  No Estado do Pará, o número de contratos firmados junto ao Fies, no período de janeiro de 2010 a junho de 2015, ficou em torno de 31 mil. A Região Metropolitana de Belém foi responsável por 85,5% (26,6 mil) dos contratos no mesmo período. As três mesorregiões Baixo Amazonas, sudeste e sudoeste ficaram com menos de 3 mil contratos. 

De acordo com a quinta edição do Mapa do Ensino Superior do Brasil, elaborado pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), com base no Censo de 2014 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a porcentagem de evasão anual dos cursos presenciais no Estado do Pará chegou a 26,5% na rede privada e 18% no sistema público, ficando as mesorregiões Baixo Amazonas (42,8%) e nordeste (26,7%) com índices maiores do que a média do Estado (26,5%).

Desde que ingressou em uma universidade particular, ano passado, em Belém, a estudante de Enfermagem, Emily Santos Marinho, trava uma batalha diária para manter os estudos. Apenas este ano ela conseguiu financiar seu curso pelo Fies, mas a dívida que acumulou no primeiro ano da faculdade pode impedi-la de continuar com o sonho de concluir o ensino superior.

“No ano passado, enquanto não conseguia o Fies, ingressei com uma ação na Justiça para conseguir o direito de estudar. Consegui uma liminar que me permitia estudar, mas enquanto isso a dívida dos dois semestres que estudei continuou correndo. Houve um julgamento e ficou definido que eu deveria pagar a dívida que, no total, é de R$ 15 mil. Com muito esforço, depois de três meses paguei o primeiro semestre, mas não tenho como pagar a outra parte”, explicou  Emily Marinho.

O drama da estudante continua e ela teme ter que abandonar os estudos. “O prazo para fazer a matricula no Fies acaba em outubro, mas para isso preciso estar matriculada em uma faculdade. Como estou com essa dívida em aberto, eu não posso fazer a rematrícula. Por isso, eu comecei uma campanha na internet, no site www.vakinha.com.br, em que as pessoas podem contribuir com uma coleta. Até agora consegui R$ 317,00, mas preciso de R$ 4,5 mil, que é o valor que a universidade aceita para o pagamento à vista. Espero muito conseguir meu objetivo”, disse a universitária.

Entre as 34 instituições de ensino superior no Pará, as da rede privada de ensino obtiveram nos últimos 13 anos um crescimento de 221% em relação ao número de matrículas. Já o setor público apresentou um aumento de 139%. Essa diferença se deve em grande parte às possibilidades que o Fies abriu aos brasileiros. “Sem o Fies, eu não tenho como pagar a faculdade e, consequentemente, não poderei estudar. Infelizmente esta é uma realidade enfrentada por muitos outros estudantes que, assim como eu, podem ter seu sonho adiado”, frisou Emily Marinho.

Para buscar uma vaga no Fies para o segundo semestre deste ano, 265.856 pessoas se inscreveram no site do Fundo, segundo o Ministério da Educação (MEC). Foram ofertados 75 mil financiamentos. Esta seleção já obedeceu às novas regras definidas pelo MEC. Para participar da seleção, o estudante precisava ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2010 com 450 pontos na média das provas, além de ter tirado nota maior que zero na redação. Os candidatos precisaram ainda ter renda familiar bruta por pessoa de até três salários mínimos, o que equivale a R$ 2.640,00. (O Liberal)

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