quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Saúde do homem é foco da Campanha “Novembro Azul”


 Após o mês dedicado às mulheres em função do “Outubro Rosa”, desta vez os homens são os focos da campanha “Novembro Azul”, dedicada às ações relacionadas à saúde integral masculina. Ao longo do mês, profissionais que compõem a Coordenação Estadual de Saúde do Homem da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) estarão atendendo convites de instituições públicas e privadas para ministrar oficinas sobre a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, criada e estimulada pelo Ministério da Saúde, e palestras sobre câncer de próstata, câncer de pênis, HPV, hipertensão arterial e diabetes.

A programação de palestras sobre a campanha começa na próxima terça-feira, 8, no Ministério Público, em Belém, e prosseguirá com o seguinte cronograma: dia 9, no espaço Apeona, da Fasepa; Prodepa (11); sede da Fasepa (16); Hemopa (23) e na Quanta Engenharia (24). Haverá também uma programação a ser definida com a Secretaria de Saúde de Belém (Sesma), que mantém três unidades específicas para atender demandas masculinas. Conforme o que preconiza o protocolo do Sistema Único de Saúde (SUS), as ações de saúde alusivas à campanha devem ser executadas pelas secretarias de Saúde dos municípios.

Toda essa articulação visa aproximar a população masculina dos serviços de saúde mantidos pelos municípios, criando um vínculo com quem em geral apresenta forte resistência antes de procurar assistência médica. “Para os profissionais de saúde, tentar mudar esse comportamento conscientizando os homens sobre a importância da prevenção e do tratamento adequado é um verdadeiro desafio”, explica o odontólogo Andrei Porpino, um dos técnicos da Coordenação Estadual de Saúde do Homem.

A Política de Saúde do Homem ainda é recente e os profissionais da área, sobretudo das unidades básicas, ainda estão sendo capacitados para receber a população masculina da mesma forma que sempre receberam mulheres e crianças. O coordenador estadual de Saúde do Homem, Carlos Sales Júnior, diz que as redes municipais de saúde precisam se estruturar para atender as demandas da população masculina.

Desde que foi criada, em 2010, por recomendação do Ministério da Saúde a todos os Estados, a Coordenação tem atuado com campanhas de prevenção com foco nos municípios, dentro do possível, sobretudo com palestras e capacitação de profissionais das unidades básicas de saúde. 

Um dos resultados disso é que em Belém, especificamente, o programa de Saúde do Homem foi implantado em maio de 2013 pela Sesma para funcionar na Unidade Municipal de Saúde da Tavares Bastos, no bairro da Marambaia.

Objetivo - A campanha “Novembro Azul” é um resgate desse conjunto de esforços que acontece ao longo do ano, com enfoque na mudança do estilo de vida, contra o sedentarismo e a obesidade. Pelas estatísticas da Sespa, os homens morrem mais cedo que as mulheres por falta de cuidado, sendo as maiores vítimas de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes e de causas externas como violência no trânsito. Pelos dados, a principal causa de internação masculina no Estado é por causas externas, devido a esfaqueamentos, traumatismo e envenenamento.

A coordenação também destaca que o cenário de violência no país tem causado mais mortes entre a população masculina, sobretudo na faixa etária entre 20 e 59 anos. “Por esses dados há de se reconhecer que a concepção de masculinidade tão historicamente reforçada pela sociedade só fez com que os homens ficassem mais vulneráveis às doenças crônicas, por exemplo, e à morte mais precoce se comparamos com os da população feminina”, atesta Andrei Porpino , ao lamentar ainda que muitas perdas poderiam ser evitadas se não fosse o preconceito revestido pela resistência masculina diante da procura pelos serviços de saúde, particularmente da atenção básica.

Segundo a Coordenação Estadual de Oncologia, o câncer de próstata é o primeiro tipo de câncer que mais acomete homens no Pará. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) apontaram que 121 homens morreram devido à doença em 2014, enquanto no período entre 2000 e 2013 foram à óbito 2.557 homens, a maior parte acima dos 40 anos. 

Ainda de acordo com as estatísticas do sistema de saúde, os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres, que chegam a alcançar a idade de 77,4 anos, contra 70,2 deles.
Por Mozart Lira - Agência Pará

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