segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Simão Jatene: “A esperteza não teve vez”

"O PMDB não vence na capital há 30 anos. O PMDB não vence uma eleição para o Estado há 25 anos”. O segundo turno das eleições municipais consolidou o PSDB com o partido mais vitorioso nas urnas este ano. Das 19 cidades onde disputaram as eleições em 30 de outubro, os tucanos venceram em 14. A partir de 2017, o partido vai administrar 26 dos 92 maiores municípios brasileiros, entre eles São Paulo, com João Dória Junior, e Belém, com Zenaldo Coutinho. São quase 20 milhões de eleitores em todo o país. No total, o PSDB saiu de 695 prefeituras em 2012, para as atuais 803, num crescimento expressivo de 15%.  Em entrevista, Jatene comentou sobre o resultado das urnas.

Desse total de votos, dois milhões estão no Pará, onde 32 prefeituras estão com os tucanos, ou 37% do total. Para o governador Simão Jatene, a eleição foi novamente pedagógica e os eleitores têm tido cada vez mais preferência pela responsabilidade na gestão pública, que afeta a vida de todos.

Com o fim do segundo turno, a executiva nacional do PSDB comemorou os resultados, com o partido saindo como o maior vitorioso nas urnas em 2016. Apenas no segundo turno, das 19 cidades onde disputou, os tucanos venceram em 14, incluindo Belém, com Zenaldo Coutinho. A partir de 2017, o PSDB vai administrar 26 dos 92 maiores municípios brasileiros, inclusive o maior deles, São Paulo, onde João Dória Junior surpreendeu e venceu no primeiro turno, derrubando a tentativa de reeleição de Fernando Haddad, do PT. São quase 20 milhões de eleitores em todo o país. No total, o PSDB saiu de 695 prefeituras em 2012 para as atuais 803, num crescimento expressivo de 15%. 

Desses 20 milhões pelo país, mais de dois milhões estão no Pará, onde foram eleitos gestores do partido para 32 prefeituras, totalizando a maior densidade eleitoral entre os partidos no Estado, com 37%. Para o governador Simão Jatene, a eleição foi novamente pedagógica e os eleitores tem tido cada vez mais preferência pela responsabilidade na gestão pública, que afeta a vida de todos. Em entrevista para a executiva nacional do PSDB, Jatene comentou um pouco sobre dos resultados da última eleição.Nesta entrevista, Jatene comentou sobre o resultado das urnas.

- Na sua avaliação, a que se deve esse crescimento do PSDB no Brasil?
 Eu acho que toda a eleição é pedagógica no sentido de que ela tem o condão de ensinar os candidatos e de ensinar os eleitores, enfim, basta que se queira ver o que ela diz. Sem dúvida, o resultdo dessa eleição nos diz muitas coisas. Primeiro: eu acho que a sociedade avançou na compreensão de que a profunda crise na qual foi mergulhado o Brasil decorreu em grande parte de algo que raramente não é uma peça importante nos debates de campanha, nos debates eleitorais, que é a gestão pública. Ou seja, a sociedade, à medida que ela se torna mais complexa, ela exige também uma gestão pública mais complexa e o PSDB tem uma histórica tradição de ser responsável no trato da coisa pública. 

Então, a promessa fácil, a tentativa de discutir projetos sem discutir como fazê-los, como financiá-los, em que condição, essas coisas que sempre terminam sendo encantadoras nas campanhas, elas também, diante da crise que o país está vivendo, elas provavelmente contribuíram para uma maior reflexão da sociedade de que os ganhos fáceis têm custos altos e normalmente os custos são pagos pelos que mais precisam. Então, acho que essa crise que o país vive é uma crise de sociedade, mais até do que crise política ou apenas econômica, mas é uma crise que coloca o Brasil diante de fazer escolhas, de dizer que país que se quer ser, qual é o tipo de sociedade que nós queremos. 

E isso impõe necessariamente a construção e reconstrução de valores e de princípios entre os quais, por exemplo, a questão do reequilíbrio entre deveres e direitos. As promessas de expansão de direitos sem correspondente expansão também de responsabilidades e deveres, a cada dia mais fica claro da sua total, completa e absoluta impossibilidade de se materializar. Eu acho que é tudo isso que explica um pouco essa eleição.

- O senhor costuma dizer que as pessoas estão entendendo que não tem queijo de graça....
Na verdade, começa a ficar claro que a promessa do queijo de graça é sempre um risco. Aprendi no interior, onde nasci e me criei, que queijo de graça, só em ratoeira. Então é importante acabar com essa coisa de ver o Estado como o ente que resolve tudo e que fabrica dinheiro. Esse é um Estado ilusório.  Na verdade, o protagonismo da sociedade é absolutamente determinante na construção de um país melhor. 

E está na raiz de todo esse movimento que levou à vitória, mesmo considerando o desencanto geral, e isso é inegável, de uma parcela razoável da população com a política. Mas, de qualquer forma, essa eleição, algumas exceções de determinados Estados, alguns lugares, mostra que mesmo com esse desencanto, a nação, o povo brasileiro quer sim se reencontrar para avançar na construção de uma outra sociedade.

- Essa responsabilidade que é uma das marcas do PSDB, o senhor acha que ela foi também importante na avaliação do eleitor aqui em Belém, com a reeleição do Zenaldo?
Governador: Eu acho que aqui em Belém o processo, como obviamente em vários outros municípios, ele tem as suas especificidades. No caso concreto aqui em Belém, eu acho que o processo eleitoral terminou desnudando algumas coisas que a sociedade rejeita, do tipo, não dá para imaginar que a esperteza pode se impor. 

A esperteza não teve vez. Ou seja, mais uma vez alguns partidos e alguns grupos políticos achavam que a sociedade não é capaz de perceber determinadas contradições como, por exemplo, aqui a aliança do PSOL com o PMDB. E aí não é o problema de ser com o PMDB, mas como PMDB atrasado, que o PMDB aqui no Pará é um PMDB atrasado, porque tem alguns locais que o PMDB é mais moderno, tem uma visão moderna.

 Aqui é do tempo do 'manda quem pode, obedece quem tem juízo'. Ou melhor, acha que pode, por ser proprietário de um império de comunicação, acha que pode impor à sociedade as suas verdades. Eu acho que aqui em Belém teve esse componente que também acabou contribuindo fortemente para isso, basta ver que aqui no Estado, por exemplo, o PMDB não vence na capital há 30 anos. 

O PMDB não vence uma eleição para o Estado há 25 anos. Ora, isso cabe uma análise… o PMDB é o grupo político que tem o maior império de comunicação aqui do Estado e forjou isso na atividade política. E isso a população percebe. Não é uma coisa que viesse de raiz, ou seja, foi algo que foi construído pelo grupo político no decorrer da sua vida pública, da sua vida política, e isso tudo a sociedade percebe e, evidentemente, rejeita isso. Então, acho que aqui esse componente terminou se incorporando. 

- No Pará você tem também um número de municípios considerável, que são 32 prefeituras. Qual a sua avaliação final?
Foi o que deu na média nacional do PSDB, de 25%, sendo que nesses 25% são os maiores municípios. Eu acho que é uma demonstração clara disso. E veja, o que eu acho que é importante, sem proselitismo, sem essa história de uso da máquina pública. Nas eleições todas que ocorreram o governo do Estado não foi acusado em nenhum momento disso, o que mostra exatamente isso, a busca de uma forma de fazer política compatível. 

Ou seja, desde as eleições você precisa fazer política de forma coerente com aquilo que você está sinalizando como projeto de sociedade. Eu não posso imaginar vencer a qualquer custo, de qualquer jeito e dizer que eu quero uma sociedade decente. 

O fato é que se desmistificou, inclusive, uma coisa importante: Não raramente o PSDB é tido como o partido que tem baixa militância. Baixa militância nada! Aqui em Belém, particularmente, nós vimos uma coisa fantástica, foi a campanha começar pequena e progressivamente ela ir crescendo e sendo apropriada pela sociedade, ou seja, a sociedade assumindo o protagonismo da campanha. 

E eu acho que esse é o grande desejo, essa é a forma correta, porque aumenta a corresponsabilidade de todos no sentido de construção, efetivamente, de uma sociedade não apenas mais transparente. Na verdade, cada vez mais tem que estar é permeado e permeável ao processo social, é de fato a participação no sentido mais claro, mais preciso que essa palavra possa ter. Então eu acho que isso foi um processo muito bonito aqui em Belém. 

Foi uma campanha que foi progressivamente sendo apropriada pela própria sociedade e a militância foi contagiando e, progressivamente, de fato os grandes protagonistas dessa vitória não são 'fulano' ou 'beltrano' isoladamente, não. Mas foi Belém. Belém fez essa escolha, assim como boa parte do país. (O Liberal)

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