segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Encontro em Belém abre debate nacional sobre políticas públicas para mulheres

Representantes de entidades e instituições que apoiam e desenvolvem políticas públicas voltadas às mulheres, em todos os Estados da Região Norte, participaram nesta segunda-feira (12), no auditório da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, do primeiro evento “Mulheres do Brasil”, que será realizado até terça-feira (13). O encontro é promovido pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do governo federal, que pretende ouvir em cada região do País gestoras e lideranças sociais, para desenvolver estratégias baseadas na realidade local.

 Silvia Helena Moreira, 39 anos, veio de Manicoré, no Estado do Amazonas, para participar do evento em Belém. Coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, ela defende o trabalho das mulheres em seu município. Dentre as experiências positivas que Silvia Moreira traz para o evento está a organização em cooperativas dos grupos extrativistas de castanha. Com essa iniciativa, elas conseguiram controlar o preço do produto e se livraram dos atravessadores.

“Temos várias associações e cooperativas, mas nós ainda não conseguimos criar um grupo só de mulheres na nossa região. Nós participamos ativamente de diversas associações, inclusive presidindo algumas delas, mas precisamos nos organizar melhor. Acredito que aqui, neste evento, com tantas histórias e experiências, nós conseguiremos ferramentas para melhorar a nossa situação”, disse Silvia Moreira.

Investimentos - Juliana Simões, secretária de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, ressaltou os investimentos do governo federal para a melhoria da atividade extrativista das mulheres e o incentivo para que se organizem em associações e cooperativas, visando alcançar melhores resultados no desenvolvimento socioeconômico.

Segundo a secretária, o objetivo do governo federal é “que as mulheres possam trabalhar usando os recursos da floresta, e desenvolver suas atividades para garantir a melhoria de vida”. “Nós temos o exemplo da mesa quebradeira do coco babaçu, que ajudou mais de 300 mil mulheres a melhorar a atividade. Ao todo, na Região Norte, investimos 8 milhões de reais em políticas de incentivo nas áreas extrativistas, com projetos que envolvem castanha, açaí e artesanato, entre outros”, detalhou Juliana Simões.

Destaque paraense - O Programa Pro Paz é um dos destaques do Pará no evento, devido ao atendimento que oferece às mulheres vítimas de violência. Naiana Santos, coordenadora do Pro Paz Integrado, frisou o diferencial do trabalho desenvolvido pelo programa, e como se tornou um modelo no País.

“Nós atendemos essas mulheres não apenas na Região Metropolitana, como também em seis municípios-polos, no interior. O Ministério Público Estadual (MPE) apresentará o Pará no encontro, abordando o atendimento integral às mulheres vítimas de violência, que envolve policiais, assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais. 

E ainda teremos uma visita das representantes dos estados à nossa unidade do Pro Paz Mulher, para que conheçam um pouco mais sobre as nossas atividades”, informou Naiana Santos.

A promotora de Justiça do MPE Lucinery Resende, representante oficial do Pará no evento e responsável pela área que trata da violência doméstica familiar contra a mulher, destacou a importância do debate sobre temas ligados a todas as questões que afligem as mulheres na região amazônica.

“É importante falar dos bons modelos que temos no Pará. Um dos destaques é o Pro Paz Mulher, que inclusive poderia ser reproduzido em outros estados da Federação, pois se temos um exemplo positivo, ele precisa ser copiado. Hoje, aqui, não existe partido ou outro tema que não seja a causa da mulher. 

Nós trabalharemos o empoderamento das mulheres não apenas na área da violência, mas também na saúde, educação e nas demais formas, para que elas possam se sentir incluídas”, explicou a promotora.

Realidades - Um dos grandes desafios do governo federal, em parceria com órgãos estaduais e associações civis, é compreender as diferentes realidades do Brasil, a fim de desenvolver políticas públicas específicas, capazes de atender as populações que vivem nos pampas, no sul, e os ribeirinhos do norte, ressaltou Fátima Pelaes, responsável pela Secretaria Especial de Políticas Públicas.

“A escuta social é essencial para nos compreendermos. A mulheres têm problemas semelhantes, como a violência, saúde, educação, mas nós sabemos também que a mulher da região amazônica tem uma realidade diferente. Nós queremos fazer com que a visibilidade e os debates deste trabalho se tornem políticas públicas efetivas, para que a partir daí possamos fazer os investimentos necessários para mudar esta situação”, disse a secretária.
Por Diego Andrade - Agência Pará

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