terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Naufrágio no rio Pará: buscas serão retomadas na manhã desta quarta-feira

Na manhã desta quarta-feira, 21, as buscas pelos corpos dos desaparecidos no naufrágio no rio Pará serão retomadas. Quatro mergulhadores do Corpo de Bombeiros iniciarão o trabalho, a partir das 6h30. As buscas foram suspensas no fim da tarde. O foco das equipes neste momento é o resgate de todos os corpos que ainda podem estar presos a embarcação localizada a 30 metros de profundidade, no meio da Baía do Marajó, entre os municípios de Barcarena e Ponta de Pedras.

O rastreamento da embarcação Luar C e dos desaparecidos iniciou nesta terça-feira, 20, com o resgate do corpo de uma mulher. A vítima do naufrágio foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML) de Belém pela equipe de remoção do Núcleo do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves de Abaetetuba, com chegada prevista para o início da noite desta terça.

Devido ao estado avançado de decomposição em que se encontra, o corpo passará por necropsia somente na manhã de quarta-feira. Possíveis familiares estão aguardando no IML para realizarem o reconhecimento visual, caso não aconteça, será realizado o exame de arcada dentária. E se persistir o não reconhecimento, o exame de DNA confirmará a identificação da vítima.

Desde as 6h desta terça-feira, 15 mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Pará e da empresa Tecmar, com o acompanhamento da Marinha do Brasil, iniciaram o rastreamento da área conhecida como furo do Arrozal. A lancha foi localizada a cinco quilômetros de Barcarena, às proximidades de onde as equipem concentram as buscas. O primeiro corpo foi resgatado no começo desta tarde.

A empresa Tecmar foi contratada pelo dono da embarcação Luar C, Antônio Fernando Colares Tavares, para dar suporte à operação. O naufrágio fez quatro vítimas fatais. Outros 43 passageiros foram resgatados com vida e quatro continuam desaparecidos. Quatro mergulhadores do Corpo de Bombeiros participam das buscas, que têm apoio de lanchas da corporação e também da Marinha do Brasil. 

"Nós consideramos um grande êxito termos achado esse corpo hoje, principalmente pela dificuldade do mergulho, pois é uma área com 30 metros de profundidade e o nosso tempo de mergulho é limitado. Contamos também com todo apoio do corpo de bombeiros nesta operação para a retirada dos corpos", explica Alan Vicente, superintendente de operações de mergulho da Tecmar.

Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, Marco Senza, os profissionais estão trabalhando com equipamento de ponta, mas em uma área com muita correnteza. “Vamos continuar nosso trabalho e daí pra frente reforçar com a equipe de mergulho para ver se conseguimos mais informações, mais confirmações, até esgotar todos os meios”, assegurou o militar.

Uma equipe de remoção do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves também está a postos no porto de Barcarena. Na sede do CPC, médicos peritos também estão de prontidão para o atendimento.

Em coletiva realizada no sábado (17), o Corpo de Bombeiros e a Marinha do Brasil suspenderam as buscas, porém ficariam em alertas para agir ao menor sinal da embarcação ou dos desaparecidos. As ações de buscas foram retomadas assim que um pescador da região informou que uma de suas redes havia prendido em um local próximo ao naufrágio. 

Leituras de radar confirmaram uma mancha que poderia ser a embarcação e em 24 horas a equipe foi ao local, confirmando a suspeita e conseguindo resgatar um dos corpos.
"As normas internacionais de buscas falam de 72 horas de buscas e nós trabalhamos por nove dias essas buscas. 

Ficou decidido que aguardaríamos novos indícios e foi o que ocorreu na segunda-feira, por isso nós imediatamente retornamos com nossos trabalhos neste local onde foi confirmada a presença da embarcação e ainda o resgate de um corpo", detalha o Coronel Augusto Lima, subcomandante geral do Corpo de Bombeiros.

Dono e piloto do barco Luar C serão indiciados
Risco à segurança de navegação e homicídio culposo serão os possíveis crimes pelos quais o proprietário da embarcação Luar C, Antônio Fernando Colares Tavares, e o piloto, Nélio Alves de Souza, devem ser indiciados. Ainda esta semana ambos serão intimados e terão a prisão preventiva solicitada à Justiça.

Os dois concederam depoimento na Delegada de Polícia Civil Fluvial (DPFLU), na tarde desta segunda-feira (19), em continuidade às medidas que objetivam identificar as causas do naufrágio ocorrido no último dia 7, no trecho entre a boca do rio Arrozal e a boca do rio Ponta de Pedras, local conhecido como Baia do Arrozal.

No depoimento foi informado que a embarcação havia saído do porto Brilhante, no bairro da Cidade Velha, com destino à cidade de Ponta de Pedras. Ao todo, 43 pessoas sobreviveram, quatro morreram e cinco ainda estão desaparecidas. 

Ainda segundo o depoimento prestado ao delegado de Polícia Civil Fluvial, Arthur Braga, o piloto do Luar C, Nélio Souza, relatou que no momento do naufrágio havia fortes rajadas de vento que teriam produzido grandes ondas, obrigando-o a reduzir a velocidade do barco. “As ondas atingiram a popa da embarcação, o que ocasionou o naufrágio. Depois de ter virado, a lancha ainda permaneceu 15 minutos na superfície”, contou.

O piloto do Luar C disse que quando foi contratado pelo dono da embarcação, Antônio Tavares, recebeu vários documentos como planta do barco, certificado de segurança de navegação e título de inscrição da Capitania dos Portos. “O certificado de segurança e o título não estavam regularizados, mas o proprietário disse que já estava providenciando a regularização dos documentos”, relatou.

O dono da embarcação, Antônio Tavares, disse que já havia procurado uma empresa particular para fazer as vistorias na embarcação Luar C, o que viabilizaria a aquisição do certificado de segurança e de navegação, e em seguida daria entrada no título de inscrição da Capitania dos Portos. No entanto, segundo o depoimento, os documentos não foram regularizados. Ainda nesta segunda-feira, 14 vítimas do naufrágio também prestaram depoimentos em Ponta de Pedras.
Com informações de Carla Moura (Segup) e Ivana Barreto (CPC Renato Chaves)
Por Sérgio Chêne - Agência Pará

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