quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Estado passa a ter gás natural em sua matriz energética

Vantagem competitiva, atração de novos negócios para o parque industrial paraense e maior respeito ao meio ambiente. Esses são os fatores que norteiam a celebração do acordo entre o Governo do Pará e a Norsk Hydro para a implantação do primeiro Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liquefeito (TGNL) no estado, mais precisamente em Barcarena, a 70 quilômetros de Belém. O terminal vai disponibilizar, em médio prazo, o gás natural como um serviço público, a princípio para as indústrias e frota de veículos local. "Estamos criando mais um elemento na matriz energética de nosso estado, que certamente terá um papel estratégico não apenas em curto, mas em longo prazo’’, frisou o governador Simão Jatene, durante a cerimônia de assinatura do acordo, realizada no Palácio do Governo, com a presença de representantes da iniciativa privada, secretários e dirigentes de órgãos estaduais.
O gás natural possui vantagens ambientais, como menor emissão de gases do efeito estufa que os derivados de petróleo e que o carvão, além de ser mais competitivo do ponto de vista econômico que os derivados de petróleo, sendo de 20% a 40 % mais barato que a gasolina.

De acordo com o secretário de estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Adnan Demachki, este é um momento especial para o setor produtivo estadual. "O gás será um fator de desenvolvimento e a parceria com a Hydro é essencial nesse processo, por se tratar de uma empresa que já entende a realidade paraense. 

Será uma parceria entre Estado e iniciativa privada em busca do GNL para que se torne, primeiro, uma realidade no âmbito empresarial e, posteriormente, seja levado ao grande público, abastecendo os automóveis que circulam em nossas cidades".

A Hydro opera uma mina de bauxita em Paragominas com uso de diesel e energia elétrica, comprados, respectivamente, de empresa privada e da Eletronorte. O grupo mantém a refinaria da Alunorte e a fundição da alumina na Albrás, ambos projetos sediados em Barcarena, com consumo de combustível e de energia vinda da hidrelétrica de Tucuruí.

Presidente do conglomerado norueguês, Svein Richards reiterou que o acordo fechado com o Estado é muito importante para o grupo industrial porque a energia representa 50% dos custos de produção do alumínio, e o gás natural reduz consideravelmente esse gasto. A empresa tem no Pará a maior refinaria de bauxita do planeta.

De acordo com Svein, em todo o mundo as refinarias já sinalizam a tendência de passar a usar o gás natural. Só dois países diferem dessa tendência em nível mundial: a China, que usa o carvão mineral, e o Brasil, que consome óleo combustível, fonte mais cara de energia. ‘’É muito fácil que o gás natural passe a ser competitivo no cenário global. Por isso que ele é tão importante para nós’’, reconheceu o presidente da Hydro.

Ele frisou que o Pará tem uma posição de destaque na produção de alumínio no ranking mundial, assim como a China, sendo que esta última utiliza historicamente a produção de bauxita da Indonésia. Contudo, essa produção foi suspensa, levando os chineses a comprarem bauxita da Guiné, na África, que surge agora no mapa de países produtores da bauxita, podendo tornar-se concorrente do Pará na produção do GNL. “É por isso que é tão importante para nós sermos competitivos no mercado global'', assinalou o executivo norueguês.

O governador Simão Jatene comemorou a celebração do acordo salientando o foco na modernização do modus operandi do setor produtivo no Pará. ‘’Festejo este momento porque sei que a Hydro se tornará mais competitiva, e isso nos interessa sim. 

Particularmente pelo compromisso que temos da Hydro, de cada vez mais contribuir para verticalizar e agregar valor dentro do estado, assim como para buscar alternativas produtivas que venham nos ajudar a enfrentar nossos dois grandes inimigos: a pobreza e a desigualdade’’, observou Jatene. "Festejo ainda porque entendo que sem a compreensão da Hydro em assumir, neste momento, a liderança do consumo desse gás, o projeto seria inviável’’, concluiu.

Estiveram presentes à cerimônia representantes da Fiepa, Fecomércio, Associação Comercial do Pará (ACP) e os secretários estaduais Alex Fiúza, Isabela Jatene e José Megale. O deputado Raimundo Santos (PMN) representou a Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) e o senador Flexa Ribeiro (PSDB), o Senado Federal.
 Valéria Nascimento - Agência Pará

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