quarta-feira, 19 de abril de 2017

Gavião Kyikatejê Futebol Clube dá exemplo de determinação através do esporte

Todo mundo já deve ter ouvido falar no Gavião Kyikatejê Futebol Clube. Se ainda não ouviu, saiba que esse é o primeiro clube de um povo tradicional a disputar a divisão principal de um campeonato estadual de futebol. Os atletas que formam a equipe fizeram uma participação especial na Semana dos Povos Indígenas, em São Félix do Xingu. O time é um exemplo de organização, determinação e prática esportiva. Anteriormente formado totalmente por indígenas, hoje a equipe já aceita jogadores que não tenham raiz indígena. Embora seja original da cidade de Bom Jesus do Tocantins, o clube faz parte da liga futebolística de Marabá.

O técnico do clube é o também cacique Zeca Gavião. Ele explica que o Gavião Kyikatejê acabou com o paradigma de que o indígena vive sempre de forma isolada. “O início dependeu muito da força de vontade, da insistência e da coragem”, destaca.

Após sua criação, em 2009, o clube viveu momentos marcantes. A classificação para a segunda fase do Campeonato Paraense de 2014 é um exemplo. O Gavião Kyikatejê superou equipes tradicionais, como Águia de Marabá e Tuna Luso Brasileira.

Desafios – Mas antes de alcançar essas conquistas, o time passou por alguns desafios, como a falta de categorias de base. Porém, isso não foi um impedimento para o sonho de formar um time de futebol profissional indígena. “A ideia é trazer índios de todas as etnias para jogar. O caminho é longo porque falta apoio. Por exemplo, entre os Kayapó existem muitos talentos, só que leva tempo para prepará-los”, disse Zeca Gavião

A atual formação do Kyikatejê inclui indígenas da etnia Kayapó, Xerente, Pucobié, do Maranhão, e está aberto a outras etnias. Nos anos de existência, o Gavião já lançou atletas para os cenários esportivos nacional e internacional.

O desempenho do clube incentivou gerações de Kyikatejê. Um deles é Apreire Gavião, 36, que joga em duas posições: zagueiro e goleiro. Ele sempre treinou e viu seus parentes jogarem pelo clube, como o pai e os irmãos.

Hoje, uma nova geração está sendo formada. O filho do zagueiro, Krouakratati Gavião, de 10 anos, já pensa em se tornar um jogador profissional. “Quando crescer quero ser um grande jogador e um grande guerreiro Kyikatejê”, comentou.

Esporte - O povo Gavião tem em suas tradições a característica marcante da prática de esportes, como a corrida de toras: as equipes de revezamento (formada somente por homens) carregam troncos de buriti nos ombros. O mais importante não é quem chega primeiro, o que vale é o divertimento. A comemoração é maior quando as equipes chegam juntas ou quase juntas.
Por Márcio Flexa - Agência Pará

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